Violência de garimpeiros contra os índios Yanomami se intensifica na Amazônia

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04 Agosto 2014

A violência dos garimpeiros clandestinos contra os índios Yanomami tem se intensificado no norte da Amazônia brasileira. Na terça-feira (29), o porta-voz deles, o xamã Davi Kopenawa, foi obrigado a pedir proteção policial depois de ter recebido repetidas ameaças de morte.

A reportagem é de Laurence Caramel, publicada pelo jornal Le Monde, e reproduzida pelo portal Uol, 01-08-2014.

Os garimpeiros voltaram a atacar há alguns meses as terras indígenas da região de Roraima, fronteiriça com a Venezuela e a Guiana. O governo brasileiro, em conjunto com os Yanomami, lançou uma vasta operação de repressão para expulsar as centenas de mineradores que estão destruindo a floresta e poluindo solo e água ao utilizarem mercúrio para extrair o precioso minério.

"Eles querem me matar, mas continuarei lutando porque minha missão é defender o povo Yanomami e sua terra", afirma o líder indígena em uma declaração divulgada na Europa através da associação Survival, engajada na defesa dos povos indígenas.

A história das últimas décadas está repleta de conflitos entre os garimpeiros e as populações indígenas nessa parte da Amazônia. A demarcação do território dos Yanomami em 1992, após uma longa luta divulgada por campanhas internacionais, não garantiu a proteção à qual os indígenas poderiam aspirar. Os 96 mil quilômetros quadrados da reserva, que é considerada santuário ecológico, são alvo de incursões frequentes dos traficantes pelo ouro do subsolo, mas também pela madeira.

Davi Kopenawa é a figura emblemática da luta dos Yanomami e sua ação pela proteção da Amazônia é reconhecida pela comunidade internacional. Em 1991, ele foi indicado como uma das 500 personalidades recompensadas a cada ano pelo Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente, através de seu prêmio "Global 500".

Conquista dos recursos naturais

O destino dos Yanomami ilustra a situação preocupante de muitos dos povos indígenas da América do Sul que precisam enfrentar a cobiça provocada pelos recursos naturais contidos debaixo de seu solo. Seja por parte de grandes empresas mineradoras ou de operações clandestinas, ela coloca em risco a sobrevivência de populações, sendo que algumas delas até hoje nunca tiveram contato com as sociedades modernas. O Peru também tem enfrentado um fenômeno de garimpagem ilegal em grande escala na região de Madre de Dios.

A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos lembrou, em um relatório publicado na terça-feira em Washington, que a exploração dos recursos naturais representa "a maior ameaça" para os povos isolados do subcontinente.

A demanda por madeira, petróleo e minérios tem gerado investidas crescentes nesses territórios indígenas, adverte o órgão independente criado em 1959 dentro da Organização dos Estados Americanos (OEA). Os Estados da região colocaram sob proteção 9 milhões de hectares onde vivem povos indígenas em situação de isolamento voluntário ou de contatos esporádicos.

Apesar dessa proteção, autorizações de acesso são concedidas pelos governos, violando os direitos dos povos indígenas, lamenta o relatório, que em nome da defesa da diversidade cultural lembra que contatos involuntários podem levar à extinção desses povos, em razão de sua grande vulnerabilidade a doenças contra as quais eles não são imunizados. Cerca de 10 mil indivíduos e 200 povos seriam afetados, segundo a OEA, que ressalta a dificuldade de se obter números precisos.

O estudo publica um mapeamento das concessões petroleiras feitas na região, mostrando frequentes sobreposições com as reservas indígenas. Outros exemplos incriminam frentes agrícolas ou atividades mineradoras no Paraguai, no Equador, no Peru e, é claro, no Brasil.

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