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Por: Caroline | 25 Julho 2014

“Pelo visto, para os expoentes da direita liberal-conservadora, os preconceitos muita vezes parecem ser um bom atalho para proporcionar explicações a respeito daquilo que incomoda e do que se prefere não compreender”, é o que argumenta Ariel Goldstein, mestre em Ciência Política e bolsista do Conicet no Instituto de Estudos da América Latina e do Caribe (Iealc), publicado por Página/12, 24-07-2014. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

O recente artigo do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa em La Nación (“A queda do Brasil, espelho de um país em apuros”, 15-07-2014) é uma fiel expressão dos preconceitos e limites com que os expoentes da direita liberal-conservadora analisam os processos políticos de nossa região. Contradizendo inclusive seu próprio olhar de anos atrás, quando assinalava a existência de uma esquerda herbívora (Brasil, Uruguai e Chile), frente a uma esquerda carnívora (Venezuela, Bolívia e Equador), interpretação ao menos simplista e rejeitada por vários pesquisadores sérios. Desta vez Vargas Llosa ataca da mesma forma o processo político brasileiro.

Esclareçamos que não se trata de uma resposta ao grande escritor peruano enquanto tal, terreno no qual não seria prudente contrapor meus argumentos aos seus, mas às suas reflexões como intelectual público e analista político.

Vargas Llosa trás uma analogia entre a situação futebolística do Brasil, com as derrotas acumuladas, e a situação política do país, assinalando que esses contratempos seriam uma “manifestação no âmbito esportivo de um fenômeno que, há algum tempo, representa todo o Brasil: viver uma ficção que é brutalmente desmentida por uma realidade profunda”. A analogia entre futebol e política é aqui forçada e modelada de acordo com suas pretensões, mas não corresponde, considerando o êxito, a nível internacional, que resultou finalmente a organização da Copa do Mundo, com 83% dos visitantes aprovando a organização da mesma, de acordo com um estudo do Datafolha (sobre o qual, obviamente, não aparece nenhuma alusão).

Dirige-se ao governo Lula como o governo que “semeou, com suas políticas mercantilistas e corruptas, as sementes da catástrofe”. É certo que o Brasil não experimenta seu melhor momento econômico, mas muito menos o mundo, sacudido pelos efeitos da crise internacional. E enquanto em outros países latino-americanos os vai-e-vem econômicos significaram uma alta inflação, no Brasil ela se manteve em níveis mínimos, próximo ao 6% anual.

Vargas Llosa aponta que “o endividamento que financiava os custosos programas sociais era, recorrentemente, uma cortina de fumaça para tráficos criminosos”. Além do fato de que, durante o governo de Lula, surgiram acusações de corrupção – expressivas devido outra parte da natureza do sistema político brasileiro –, isso não deveria nos impedir de apreciar os programas como o Bolsa Família, que seguramente mudaram a vida de milhões de pessoas, gerando, como provam numerosos estudos, um meio para autonomia de donas de casa, uma reativação do consumo e o mercado interno em um ciclo virtuoso, assim como assegurar uma mínima alimentação na região do Nordeste, onde a miséria extrema era uma fatalidade cotidiana.

Entendendo o governo de Lula como “uma perigosa aliança de populismo com mercantilismo”, o autor prossegue assinalando que o Brasil “viveu uma mentira que seus filhos e netos irão pagar, quando tiverem que começar a reconstruir, desde as raízes, uma sociedade com a qual aquelas políticas afundaram, ainda mais, no subdesenvolvimento”. Em uma sociedade historicamente muito desigual, governada por uma elite de príncipes ilustres, Lula encarnou a pretensão de ascensão dos que estão embaixo, que se identificaram com sua figura como poucas vezes antes, não apenas porque o sentiam como “um deles”, mas porque essa identificação era acompanhada de uma mudança em suas condições de vida, maiores possibilidades de consumo e de direitos sociais. Assim, Vargas Llosa, desprezando os programas sociais e a corrupção que o autor postula como natural –, termina sendo funcional para aqueles setores acomodados da sociedade brasileira que acreditam que os aeroportos perderam seu glamour, porque agora setores anteriormente desprovidos podem fazer viagens de avião.

Finalmente, o escritor peruano critica a política externa brasileira por ter sustentado uma orientação de alinhamento com outros governos latino-americanos. Evidentemente, para Vargas Llosa e outros expoentes desta linha de pensamento, incomoda que o Brasil tenha decidido não se preocupar exclusivamente com o lucro comercial de suas empresas, mas também em projetar-se no mundo de forma conjunta com o restante de nossa região

Pelo visto, para os expoentes da direita liberal-conservadora, os preconceitos muita vezes parecem ser um bom atalho para proporcionar explicações a respeito daquilo que incomoda e do que se prefere não compreender.

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