Imigrantes com destino desconhecido

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Por: Caroline | 25 Julho 2014

Muitas crianças desaparecem, sem deixar rastros, logo após a morte de sua mãe ou de seu pai em algum naufrágio. Um grupo de associações de imigrantes e de famílias e advogados pedem justiça; querem saber onde estão e responsabilizar os agentes envolvidos.

A reportagem é de Elena Llorente, publicada por Página/12, 24-07-2014. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/fudOqa

Os imigrantes da África, Oriente Médio e Ásia, que chegam ao território europeu pelo mar e por terra para poder viver em paz e comer todos os dias, morrem não apenas no Mediterrâneo, mas também nos centros de recepção, ou são abandonados nas cidades que conseguem chegar. Muitas crianças desaparecem sem deixar rastros logo após a morte de sua mãe ou de seu pai em algum naufrágio. Sobre eles não sabe nada mais. Às vezes, não se sabe nem sequer como se chamam ou de onde vem. E suas famílias os procuram, como Mehrzia Chargi, uma mulher da Tunísia que busca seu filho Mohamed e disse ter provas de que esteve na Itália. Todos eles são os “novos desaparecidos” para os quais um grupo de associações de imigrações e de famílias,assim como advogados- entre os quais está o ex cônsul italiano na Argentina, Enrico Calamai, que ajudou muito a dezenas de perseguidos pela ditadura – pedem justiça, querem reconstruir a verdade, saber onde estão e culpabilizar os responsáveis.  

Essas organizações explicaram nestes dias – agrupadas no Comitê Justiça para Novos Desaparecidos - em uma conferência de imprensa na Câmara de Deputados da Itália da qual participaram, além de Calamai, a dominicana Mercedes Frías, ex-deputada na Itália e especialista em mediação cultural e migrações; um refugiado da Eritréia que contou ter chegado pelo mar; um sacerdote católico africano que fundou uma associação e trata dos migrantes; e a mãe do jovem tunisino desaparecido. Consideram que o ocorre há décadas no Mediterrâneo, barcos cheios de gente, naufrágios, mortes, desespero "é intolerável". E, aproveitando o começo da presidência italiana da União Europeia, lançaram uma chamada aos órgãos internacionais e “a todos aqueles que consideram importante a dignidade e os direitos das pessoas”, para que seja convocado um Tribunal Internacional de opinião – similar ao Tribunal Russell, que se encarregou de julgar os crimes que lesam a humanidade cometidos pelos Estados Unidos no Vietnã – e que ofereça para as famílias dos migrantes desaparecidos “uma oportunidade de serem representados e que contribua para acertar as responsabilidades e as omissões de indivíduos, governos e órgãos internacionais”.

Algumas organizações não governamentais falam de mais de 20 mil mortos no Mediterrâneo desde 1994. A Organização das Nações Unidas para os Refugiados fala de 23 mil mortos nas fronteiras europeias, de mar e terra, desde o ano 2000. Na Itália morreram cerca de 300 nos últimos meses. “A opinião pública se comove por alguns dias. Porém nos acostumamos depois. O Tribunal Internacional que propomos deverá se informar sobre essas 20 mil pessoas das quais nada se sabe”, disse Mercedes Frías na conferencia de imprensa. “O Mediterrâneo é o buraco negro de uma Europa que não sabe ou que não quer ser solidaria, assombrado pela obsessão do controlo fronteiriço e atravessada por refluxos nacionalistas, xenófobas e racistas”, disse a declaração entregue a imprensa. A declaração pediu assim mesmo que “a União Europeia adote todos os instrumentos necessários para deter este massacre, prevendo uma política comum de asilo e recepção, a abertura de canais humanitários nas regiões onde há conflitos ou graves violações dos direitos humanos para evitar que milhares de migrantes sejam deixados aos caprichos e a exploração por parte dos traficantes de seres humanos”.  

Para Enrico Calamai, o “Mediterrâneo é uma terra de ninguém como a que separava as trincheiras opositoras durante a Primeira Guerra Mundial”. A Europa “não pode salvar os bancos e deixar que morram mulheres e crianças...”, enfatizou.

O padre Mussie Zerai – cuja origem é da Eritréia, mas que vive entre a Roma e a Suíça e defende os migrantes de seu país e da Somália, chegando a ser chamado por alguns meios católicos como “o anjo dos refugiados” – levantou algumas questões que deveriam ser respondidas pelo tribunal. “Quantos mortos houve no deserto? – que atravessam para escapar da Somália, Eritreia, Chade e outros países africanos para chegar ao Mediterrâneo –, quantos ao mar, quem são os responsáveis, qual é a responsabilidade dos acordos entre o governo do falecido líder líbio Khadafi com o ex primeiro-ministro Silvio Berlusconi para rejeitar os migrantes no mar? Qual foi o papel do OTAN que deixou morrer em um navio dezenas de pessoas que escapavam da guerra na Líbia enquanto seu papel também era de ajudar os civis? A Itália atuou ou atua como muleta dos ditadores no poder na África porque primeiro estão os negócios e depois os seres humanos? Quantas crianças menores de idade chegaram na Itália e logo depois desapareceram?

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