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09 Julho 2014

"O encontro dessa segunda-feira servirá para que alguns adultos vítimas dos abusos se sintam melhor, mas só dois fatos demonstrarão uma autêntica mudança na linha da Santa Sé, para proteger as crianças de hoje contra os assédios: primeiro, a colaboração com as autoridades judiciais civis, para permitir e ajudar os processos contra os acusados; segundo, a laicização, não só dos culpados, mas também daqueles que os encobriram."

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada no jornal La Stampa, 07-07-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ouvimos David Clohessy, diretor da Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres (SNAP, na sigla em inglês), porque a sua voz sempre foi a mais intransigente ao julgar os atos da Igreja sobre a questão da pedofilia. E uma mudança de posição por parte dele significaria que chegamos ao ponto de virada.

Eis a entrevista.

Por que você está tão prudente em relação às iniciativas tomadas pelo Papa Francisco?

As palavras são úteis, mas até certo ponto. Podem fazer bem para os adultos, que também já têm os instrumentos para se curarem dos efeitos dos assédios, mas não protegem as crianças ainda expostas ao risco de abusos. Para alcançar esse objetivo, que é o mais importante, são necessários os fatos.

Além de pedir desculpas, o pontífice disse que não vai tolerar nenhum assédio, dos leigos ou dos religiosos, e alertou os bispos, que são responsáveis pelo que acontece nas suas dioceses. Não é um progresso?

São palavras. Francisco tem o poder de realizar os fatos, como está demonstrado na gestão do governo da Igreja e das finanças. Sobre o tema da pedofilia, no entanto, ele não terminou até agora quase nada de concreto.

Jozef Wesolowski, ex-núncio na República Dominicana, foi condenado e laicizado: esse não é um fato?

Sim, por isso eu disse que ele não concluiu "quase" nada. Ainda é pouco demais, no entanto. Wesolowski, de fato, sempre circula livremente pelo Vaticano.

Talvez porque ele está esperando pelo apelo?

Certamente, mas também porque ainda não sofreu um processo penal. Se ele fosse julgado pela magistratura laica do país onde ele cometera os seus crimes, talvez já estaria na prisão, para evitar que agisse de novo. Esse é um ponto de corte. O teste decisivo para a seriedade da Santa Sé no combate e na prevenção da pedofilia será a sua disponibilidade a permitir que as autoridades civis dos países onde os crimes ocorreram processem penalmente os acusados.

O fato de Wesolowski ter sido laicizado, por sua vez, tira a imunidade que ele tinha como diplomata.

A laicização dos culpados por abusos é um ato positivo, mas claramente devido. O verdadeiro sinal de que a Igreja está determinada a evitar os assédios futuros, no entanto, seria se os cúmplices dos pedófilos que os encobriram também fossem laicizados. Robert Finn, bispo de Kansas City-Saint Joseph, foi condenado por ter escondido as ações dos culpados por abusos, no entanto ainda está no seu cargo. Quando o papa o remover, ele vai demonstrar com os fatos que as suas referências às responsabilidades dos chefes da Igreja não são apenas palavras. Só nesse momento, de fato, é que os bispos vão entender que deverão ser ativos na prevenção e na colaboração com as autoridades civis.

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