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Argentina. “É inadmissível que o capital seja mais importante que a vida e o futuro do povo”

O bispo Frank de Nully Brown (foto) manifestou-se, como representante da Igreja Evangélica Metodista Argentina – IEMA, sobre a situação política e econômica que envolve as últimas negociações da dívida.

A reportagem está publicada no sítio da Agencia Latinoamericana y Caribeña de Comunicación, 02-07-2014. A tradução é de André Langer.

 
Fonte: http://bit.ly/1of4PzL  

“Mas Deus lhe disse: ‘Insensato, nesta mesma noite ser-te-á reclamada a vida. E as coisas que acumulaste, de quem serão? Assim acontece àquele que ajunta tesouros para si mesmo, e não é rico para Deus’” (Lc 12,20-21).

A crescente especulação financeira em nível local e global foi gerando uma grave situação econômica e social em muitos países no mundo. O incessante avanço de um sistema econômico de livre comércio fez da especulação e do lucro seu objetivo principal, concentrando o poder e a hegemonia global no Ocidente. Sua expansão tem efeitos diretos sobre o desenvolvimento da democracia com graves consequências para a dignidade humana, fazendo com que enormes setores da sociedade vejam cerceadas suas possibilidades de desenvolvimento, educação, trabalho, saúde e vida digna.

O nosso país [Argentina] está enfrentando uma complexa situação. Enquanto tenta cumprir seus acordos com a maioria dos bonistas que aceitaram a troca, o julgamento promovido por um pequeno grupo de especuladores internacionais, que se negaram a aceitá-lo, coloca em perigo tudo o que foi feito até agora.

Argumenta-se que assim é o mundo da economia e, portanto, se está sujeito “às leis do mercado”. Mas a economia não é uma ciência natural. Não se pode aceitar que o capital seja mais importante que a vida e o futuro do povo.

A crise da economia mundial colocou de manifesto como nunca antes a perversidade de um sistema que impõe a miséria e a exclusão das populações. Não há dúvida de que o exacerbado liberalismo econômico não é o mecanismo mais eficaz para produzir uma distribuição mais justa dos recursos e constituiu-se numa idolatria que pisoteia e destrói o ser humano.

Há poderes econômicos transnacionais que procuram e conseguem dobrar a vontade dos dirigentes e de seus povos, e impedem o desenvolvimento da comunidade. Quando a rapina econômica se apodera da vida da população surge o dilema entre o que é legal e o realmente legítimo.

Desde a perspectiva da fé cristã, reiterou-se que a economia tem que estar a serviço do ser humano e da comunidade, exigindo de nós que, como cidadãos, procuremos a busca da defesa dos interesses comunitários.

Com Jesus Cristo somos chamados a nos opor a todos os sistemas que geram e aumentam a destruição da vida na sociedade e no meio ambiente. Hoje, as Igrejas são chamadas a acompanhar com seu compromisso e sua reivindicação o desenvolvimento de uma comunidade, justa, pacífica e fraterna.

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