''Sobre o papel das mulheres, adiante, com cautela.'' Artigo de Lucetta Scaraffia

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02 Julho 2014

Diante de um mundo que cada vez mais fala a linguagem midiática, que efeito pode causar uma grande e importantíssima instituição global que fala apenas através de vozes masculinas?

A reflexão é da historiadora italiana Lucetta Scaraffia, membro do Comitê Italiano de Bioética e professora da Universidade La Sapienza de Roma. O artigo foi publicado no jornal Il Messaggero, 30-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O Papa Francisco não disse palavras novas sobre as mulheres na entrevista – a primeira concedida a uma mulher –, mas a novidade já está no fato de que, pela primeira vez, quem lhe fez perguntas sobre o lugar da mulher na Igreja está diretamente envolvida.

O clima cordial – em certos momentos, até mesmo divertido e brincalhão – em que a entrevista foi realizada prova mais uma vez, se fosse necessário, que Bergoglio está acostumado a falar com as mulheres, a ouvi-las, a levar em conta o seu ponto de vista: "As mulheres são a coisa mais bonita que Deus fez" e são indispensáveis à Igreja, não por acaso representada por um substantivo feminino, repete ele mais uma vez.

Mas essas palavras foram proferidas pelo papa em discursos sobre temas gerais, e faltou, ao menos até agora, uma intervenção, um documento totalmente dedicado às mulheres. O Papa Francisco deve agir junto com a Igreja, deve levar em conta o parecer dos seus colaboradores mais próximos e do sentimento difuso entre o clero, como confirma justamente essa entrevista. E sabemos que não são muitos os membros do clero que o seguem nessa abertura.

Por isso, em vez de falar logo de dar um novo posto às mulheres em papéis diretivos, Francisco fala de aprofundamento teológico. Se, de fato, a inovação chegar não como adequação às mudanças sociais impostas pela modernidade, mas sim como profunda compreensão do papel da mulher – e, mais em geral, dos aspectos femininos – na construção da tradição cristã, então a mudança será compreendida por todos e será enraizada em profundidade.

As razões da prudência do papa, portanto, são compreensíveis e motivadas. Não se pode pensar em intervir com a varinha mágica, nem mesmo sendo o papa. Mas, por outro lado, é difícil, hoje, aceitar que o Sínodo sobre a família não preveja, na sua abertura, a escuta de menos um ponto de vista feminino.

Diante de um mundo que cada vez mais fala a linguagem midiática, que efeito pode causar uma grande e importantíssima instituição global que fala apenas através de vozes masculinas? Provavelmente, muitas posições da Igreja sobre os problemas graves e complexos seriam entendidos melhor se fossem apresentadas por uma mulher.

Para dar um único exemplo: se a polêmica questão dos preservativos para conter a epidemia da Aids fosse explicado por uma missionária que vive e atua em uma região marcada por essa terrível doença, em vez de um ótimo diplomata, ela não seria ouvida, talvez, com maior interesse?

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