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01 Julho 2014

"Os pesquisadores perguntam a renda da família. Quem vive só de trabalho ou de outro rendimento fixo diz o que ganha. Quem, além do salário ou de rendimento fixo, recebe proventos advindos de aplicações financeiras omite essa parte da renda. Ou por mero esquecimento, portanto de boa-fé, ou por medo (do fisco, de sequestro, do que seja)", escreve Clóvis Rossi, jornalista, em artigo, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 29-06-2014.

Eis o artigo.

Dois funcionários do governo - Sergei Soares, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, e Marcelo Neri, ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência-- deram-se ao trabalho de tentar provar que eu estou errado ao insistir, como fiz em coluna no dia 8, que a desigualdade no país não diminuiu.

Agradeço o esforço dos dois funcionários, mas lamento informar que estão perdendo tempo. Para demonstrá-lo, não preciso nem recorrer a argumentos meus ou de terceiros, mas aos próprios Neri e Soares.

Explico: o único estudo que mostra a queda da desigualdade (a partir de 1995; portanto, no governo Fernando Henrique Cardoso) é a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do IBGE. Os pesquisadores perguntam a renda da família. Quem vive só de trabalho ou de outro rendimento fixo diz o que ganha. Quem, além do salário ou de rendimento fixo, recebe proventos advindos de aplicações financeiras omite essa parte da renda. Ou por mero esquecimento, portanto de boa-fé, ou por medo (do fisco, de sequestro, do que seja).

Como aumentou a renda dos mais pobres, a partir dos diferentes tipos de bolsas, a pesquisa registra diminuição da desigualdade, mas somente por uma falsa declaração dos mais ricos.

Vejamos o que dizia Marcelo Neri à Folha no dia 10 de agosto de 2008, em uma das vezes em que tratei do assunto:

"As pesquisas não captam bem a renda dos ricos e do capital em geral. Por isso não acredito em estimativas de ricos no Brasil a partir de pesquisas domiciliares".

Neri contava um dado definitivo a respeito: "Fizemos um experimento no Censo e vimos que quem tem três carros ou mais no domicílio (sinal de riqueza aparente) tem quatro vezes mais chances de omitir a resposta de renda de quem não tem carro no domicílio, situação que corresponde a boa parte da população brasileira".

Conclusão inescapável: "Neste sentido, a desigualdade brasileira, que já era muito alta, tende a ser mais alta ainda".

Neri ressalvava, como sempre faço, que se reduzira a desigualdade entre salários e achava que esse fato "não deve ser menosprezado".

Sergei Soares, em outro momento, dizia: "Esses rendimentos [com juros] são muito mal medidos pela Pnad".

Agora, Neri chega a escrever que a Pnad, na qual ele não acreditava como termômetro da renda dos ricos, é "excelente", embora reconheça que é imperfeita, o que Soares também fez em seu artigo.

Se é assim, é temerária, não científica, qualquer afirmação de que a desigualdade diminuiu, ficou estável ou aumentou. Mas há um dado que indica que a desigualdade pode, sim, ter aumentado: para os 40 milhões de beneficiários do Bolsa Família, o governo destina não mais de 0,5% do PIB a cada ano.

Já os poucos milhões que recebem a "Bolsa Juros" levam no mínimo, no mínimo, quatro vezes mais, como em 2009, o ano em que os juros representaram 2% do PIB. Em outros anos, muito mais ainda.

Como a desigualdade de renda (não de salários) poderia ter caído?

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