Campanha pelos albinos africanos. Jorge Mario Bergoglio emprestou sua voz ao “padre Francis”, personagem de uma novela-denúncia digital

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Bartomeu Melià: jesuíta e antropólogo evangelizado pelos guarani (1932-2019)

    LER MAIS
  • Bolsonaro institui o Dia do Rodeio na Festa de São Francisco de Assis

    LER MAIS
  • “O transumanismo acredita que o ser humano está em um suporte equivocado”, afirma filósofo

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: André | 30 Junho 2014

O Papa Francisco aderiu à campanha mundial para sensibilizar sobre a situação dos africanos albinos, #HelpAfricanAlbinos, lendo uma frase para um “social audio book”, um audiolivro participativo que será divulgado pela internet. O livro Sombra branca foi escrito por Cristiano Gentili, cooperador internacional e ex-funcionário da ONU na África, que há alguns meses foi recebido pelo Papa no Vaticano, e, por ocasião da apresentação da campanha on line no sítio ombrabianca.com, reuniu-se novamente com o Papa na quinta-feira, dia 26, durante a audiência geral na Praça São Pedro.

 
Fonte: http://bit.ly/1jnFRLT  

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada no sítio Vatican Insider, 26-06-2014. A tradução é de André Langer.

Os albinos, na África, sofrem discriminações e violência desde sempre. “As pessoas com albinismo, na maioria dos países africanos, sobretudo na Tanzânia, são ‘presas’ no verdadeiro sentido da palavra: as partes dos seus corpos são consideradas amuletos da sorte, e esta é a causa da sua desgraça”, indica o sítio. “Marginalizados pela sociedade – continua a explicação –, que não os considera africanos, pelo mercado de trabalho, pelos familiares que em muitos casos os abandonam ao nascer, são vítimas de homicídios rituais. Sua perseguição está relacionada à superstição. Desta forma, os “africanos albinos” lutam para sobreviver desde a sua chegada ao mundo. Na África, vivem dezenas de milhares de pessoas com albinismo. Na África, a taxa de albinismo encontra-se entre as mais altas do mundo. E a sociedade do mundo civil não leva em consideração as míseras condições de vida destes seres humanos, sobretudo as crianças.

Segundo a crença popular, as partes do corpo têm fortes poderes mágicos e dão riqueza, fortuna e fertilidade aos que as possuem. Um doente de Aids acredita curar-se através de uma relação sexual com uma mulher albina; os pescadores, com partes do corpo de uma pessoa com albinismo tecidas nas redes, estão convencidos de que pescarão mais. Para alimentar este mercado, as pessoas albinas são perseguidas, mortas, mutiladas; suas sepulturas são profanadas e os restos roubados. Pernas, ossos e braços são enterrados na terra de minas para que o ouro brote à superfície. Órgãos genitais são usados como poção em remédios contra a infertilidade. À barbárie humana somam-se os problemas de saúde derivados da falta de melanina e da constante exposição ao sol equatorial, que causa queimaduras, infecções, cegueira e, na maioria dos casos, tumores na pele. Cerca de 80% dos albinos tanzanianos não passam dos 30 anos. O câncer de pele é um homicida silencioso. Sua esperança de vida é de 32 anos”.

Consciente deste drama, Cristiano Gentili escreveu uma “novela-denúncia” inspirando-se na realidade. Não encontrou nenhum editor, apesar de ter se dirigido a políticos, homens e mulheres do espetáculo, jornalistas e professores universitários. Nunca obteve uma resposta. Entretanto, no ano passado escreveu ao Papa Francisco e em novembro recebeu uma resposta do Vaticano. Propuseram-lhe que participasse como relator de um congresso internacional sobre os problemas do desenvolvimento na África, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências. Jorge Mario Bergoglio, depois, quis reunir-se com Cristiano Gentili. Durante o encontro, o autor propôs que lesse uma frase deste “audiolivro social”. O Papa escolheu duas frases do “padre Francis”, o único sacerdote que aparece no livro, um personagem que tem seu nome, Francisco, embora Gentili tenha escrito o livro antes da eleição do Pontífice argentino e, portanto, antes que se fizesse chamar pelo nome do santo de Assis. “Francis levantou as mãos para o céu – é a passagem lida pelo Papa Francisco – e disse: ‘Deus está em cada ser humano. A vida de um ser humano vale a vida de toda a humanidade. Se se ofende uma pessoa, ofende-se a Deus’”.

E depois também se ouve a voz do Pontífice, quando o padre Francis se dirige a uma criança albina: “O religioso a interrompeu com um gesto de mão. ‘Reflete sobre o que acabo de dizer. Permaneçam em Deus e Ele permanecerá com vocês’”. A campanha, apoiada por algumas ONGs, como a Médicos com a África – Cuamm, está acontecendo pela internet e dela pode participar quem o desejar, emprestando sua voz para completar as frase do livro. Todas, menos aquelas já pronunciadas pelo Papa Francisco.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Campanha pelos albinos africanos. Jorge Mario Bergoglio emprestou sua voz ao “padre Francis”, personagem de uma novela-denúncia digital - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV