Rowan Williams, ex-arcebispo de Canterbury: "“Não tenho problema algum com a paridade legal para casais do mesmo sexo"

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27 Junho 2014

O ex-arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, disse não ter “problema algum” com a paridade legal em relação a casais do mesmo sexo. Ele percebe, porém, que o Estado se apressou em “redefinir” o matrimônio sem dar à igreja tempo suficiente para pensar a respeito. Estas revelações vêm na última edição de sua biografia intitulada “Rowan’s Rule”, escrita por Rupert Shortt, a ser publicada no próximo mês.

A reportagem é de Ruth Gledhill, publicada pelo jornal Christian Today, 23-06-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Quando foi nomeado arcebispo de Canterbury em dezembro de 2002, sucedendo George Carey, aqueles que eram familiares com a sua teologia e postura de apoiador do [movimento anglicano chamado] Affirming Catholicism acreditavam que ele iria conduzir a igreja para uma direção liberal. Estes se frustraram quando, no ano seguinte, Rowan Williams pressionou Jeffrey John para retirar sua controversa nomeação para bispo de Reading. (Jeffrey é um religioso assumidamente homossexual.)

Shortt descreve como o arcebispo, agora Barão Williams de Oystermouth, foi abordado por um amigo desapontado no Hay Festival.

Assim o biógrafo escreve: “Um venerável padre e estudioso católico romano confrontou-se com Rowan após a cerimônia por ‘nos ter desapontado’, pelo que quis dizer dos católicos gays e simpatizantes que esperavam um guia por parte dos anglicanos. Rowan apertou sua cabeça entre as mãos – gesto característico – num reconhecimento aparente de que o seu interlocutor (e velho amigo) tinha razão”.

Shortt perguntou-lhe sobre a posição atual da igreja. O arcebispo respondeu: “Deixe-me apenas dizer que a presente situação não se mostra muito sustentável”.

A respeito do casamento homoafetivo, ele assim diz: “Não tenho problema algum com a paridade legal para casais do mesmo sexo. Porém, não tenho certeza de isso ser um uso adequado do poder estatal para mudar uma instituição social. No entanto, parecia que estávamos sendo obrigados a redefinir uma palavra sem o tempo suficiente para refletir”.

Sobre o fracasso do Sínodo Geral em aprovar a legislação para bispas, Shortt escreve: Rowan caiu num poço de depressão ao voltar a Lambeth, trajeto durante o qual ele quase não falou com as pessoas exceto [com sua esposa] Jane, um modelo invariável de pessoa calma e com charme.

Nas batalhas mundiais dentro da Comunhão Anglicana a respeito da sexualidade, Shortt diz: “Não se pode facilmente subestimar a consequência emocional associada que ele sofreu. Oito anos antes [em 2005], ele teria dito a um colega bispo durante uma reunião episcopal: ‘Digo-lhe o quanto eu odeio este trabalho’”.

“Por volta do mesmo horário, um líder religioso viu-se num táxi com Jane Williams a caminho de uma palestra. ‘Posso assegurar-lhe que Rowan sabe que ele é a única pessoa que pode ser o arcebispo de Canterbury neste momento?’, perguntou ele. ‘Eu sei’, Jane respondeu. ‘Mas isso não faz com que essa tarefa seja mais fácil’”.

Uma das preocupações permanentes do arcebispo era o destino dos cristãos no Oriente Médio, onde existem comunidades desde os tempos do Novo Testamento. A última comunidade cristã a desaparecer é a de Mosul, a segunda maior cidade do Iraque. Segundo disse Emil Shimoun Nona a agências noticiosas, a ocupação de Mosul pelos ISIS [sigla para Estado Islâmico do Iraque e do Levante] resultou na fuga dos últimos cristãos da região. Emil é o arcebispo dos católicos caldeus em Mosul.

Shortt continua: Rowan levantou a questão dos cristãos sob perigo no Oriente Médio junto de um membro do gabinete de Gordon Brown, então primeiro-ministro inglês, e recebeu uma resposta de fazer cair o queixo: ‘Se os missionários se põem a marchar em países islâmicos buscando convertê-los, então não é de surpreender que eles enfrentem tempos difíceis’”.

Estas novas revelações sobre Rowan Williams, hoje professor na Magdalene College, em Cambridge, aparecem na medida em que um segundo padre da Igreja Anglicana se casou com o seu parceiro homoafetivo apesar da posição oficial da Igreja que proíbe casamentos desse tipo.

O reverendo Andrew Cain, vigário da igreja de St James, na localidade de West Hampstead, em Londres casou-se com Stephen Foreshew no último sábado. Enquanto isso, o primeiro sacerdote a se casar com seu parceiro homoafetivo, Canon Jeremy Pemberton, confirmou que foi despojado da permissão para trabalhar como padre na diocese de Southwell e Nottingham.

Shortt disse ao Chistian Today: “Me parece que a Igreja Anglicana chegou a um entendimento sobre a afirmação formal para os casamentos homoafetivos, entendimento que estabelecido a 40 anos atrás. Uma disciplina certa vez rígida está sendo gradualmente flexibilizada”.

“Alguns mais tradicionais irão ver este caso como mais um exemplo da forma como os anglicanos se puseram a mudar atitudes na sociedade em geral. Mas não é a partir desses elementos que Rowan Williams tem suas opiniões. Os argumentos a favor dos gays que ele apresentou nas décadas de 1980 e 1990 surgiram de uma crença segundo a qual a doutrina da igreja sobre a sexualidade poderia se desenvolver por razões teológicas sólidas, e não através de um desespero por se manter atualizado com os tempos a qualquer custo. Ao descrever a doutrina atual como muito instável, Williams estava ecoando opiniões também expressas por outros arcebispos eméritos – em particular, Robert Runcie e John Habgood”.

A nova edição do livro “Rowan’s Rule” será publicada em 17 de julho pela editora Hodder & Stoughton.

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