Colômbia dá voto de confiança a presidente e processo de paz

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16 Junho 2014

A reeleição de Juan Manuel Santos na Colômbia representa um voto de confiança no processo de paz que ele iniciou com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), em novembro de 2012.

Com 99,97% das urnas apuradas, o presidente conquistou 50,94% dos votos contra os 45,01% que recebeu seu principal adversário, Oscar Ivan Zuluaga.

Zuluaga havia recebido o maior número de votos no primeiro turno, mas Santos acabou vitorioso com uma campanha movida pelo discurso de paz com as Farc e por alianças partidárias de última hora.

O aumento do número de eleitores no segundo turno também ajudou. Cinco em cada dez colombianos aptos a votar (47,98%) compareceram às zonas eleitorais, enquanto no primeiro turno o índice de abstenção ultrapassou 60%.

A reportagem é publicada por BBC Brasil, 16-06-2014.

"Colombianos de diferentes vertentes, incluindo muitos que não simpatizavam com meu governo, se mobilizaram por uma causa, a causa da paz", disse Santos na noite de domingo, em seu discurso da vitória.

"Mobilizaram-se sabendo que a história tem seus momentos e que este é o momento da paz, de terminar esse conflito longo e cruel", acrescentou.

Desafio claro

Eleito com uma plataforma que teve as negociações de paz como seu eixo central, Santos agora será obrigado a ser bem-sucedido nos diálogos com as Farc, em Havana, e avançar o mais rapidamente possível nas conversas com a ELN, segunda maior guerrilha do país.

Mas, ao mesmo tempo, também terá de garantir que qualquer acordo seja aceito pela maioria da população.

E encontrar um equilíbrio entre as aspirações dos guerrilheiros e as demandas dos cidadãos, que têm de aprovar qualquer eventual acordo em um referendo, também será um grande desafio para o presidente reeleito.

"É preciso lembrar que, de acordo com pesquisas, 73% da população dizem não concordar com a participação das Farc na política e 83% acham que os guerrilheiros devem pegar cadeia", disse à BBC Mundo Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para Análise de Conflitos (CERAC).

"De modo que o principal desafio de Santos será alcançar o processo de paz e, sobretudo, levá-lo com sucesso às urnas", acrescentou.

Segundo Restrepo, em sua campanha, Zuluaga tentou interpretar esse sentimento da maioria dos colombianos. Inicialmente, ele chegou a dizer que acabaria com a negociação, mas posteriormente baixou o tom e disse que o processo continuaria se as Farc abandonassem todas as ações hostis.

Para seus críticos, no entanto, este posicionamento na prática levaria ao fim do diálogo.

Um parlamento diferente

A presença no Parlamento de uma significativa bancada de oposição de direita, encabeçada pelo ex-presidente Alvaro Uribe, também marcará uma importante diferença em relação ao primeiro mandado de Santos. E, muito provavelmente, terá consequências para além do processo de paz.

"Mesmo que Santos tenha maioria, não será tão grande como a que teve no período anterior", disse à BBC Mundo Marcela Prieto, diretora do Instituto de Ciências Políticas, centro de estudos baseado em Bogotá.

Mas, para a analista, a existência de uma maior oposição no Parlamento não é necessariamente algo ruim para a democracia do país.

"Não é normal ter 85% da coalizão governamental no Congresso. É necessário ter um debate legislativo. Meu único temor é que o "'uribismo" fique atravessado como uma vaca morta contra tudo que apresente o governo, simplesmente por ser oposição", disse a BBC Mundo.

A situação da economia também é uma preocupação manifestada pelos analistas. Para Restrepo, este será outro grande desafio da segunda gestão de Santos.

"Já estamos vendo sinais fortes de que os preços dos produtos básicos estão caindo e isso pode afetar a capacidade exportadora da Colômbia".

E Restrepo não descarta que neste setor o presidente mova-se um pouco mais à esquerda. Mas não significativamente.

"Creio que não teremos um governo progressista em matéria de iniciativa parlamentar, diante do peso que o Centro Democrático (oposição) terá no Congresso. Mas no que tange o executivo, sim, porque basicamente quem acompanhou o presidente na reeleição foram os partidos de centro-esquerda" explicou o analista.

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