''A oração foi um lampejo de luz, mas nós, israelenses, já estamos desanimados''

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12 Junho 2014

Um lampejo de esperança, uma breve luz que se acende no escuro. É difícil não dar um valor positivo para a oração comum no Vaticano, entre o Papa Francisco, o presidente israelense, Shimon Peres, o palestino Abu Mazen e o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu. Mas as palavras de David Grossman, um dos maiores escritores contemporâneos e "voz" de gerações de israelenses que nunca deixaram de acreditar na paz, obrigam a um banho de realidade, "porque os israelenses estão desanimados em relação a um possível acordo de paz". "Que certamente – diz o autor de Ver: Amor (Companhia das Letras, 2007) – não acontecerá, não com um governo como o que temos atualmente."

A reportagem é de Fabio Scuto, publicada no jornal La Repubblica, 10-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O que você sentiu quando viu esses três grandes idosos juntos nos jardins do Vaticano?

Foi sem dúvida um acontecimento fora do comum, que dá um mínimo de esperança de que o processo de paz possa, de algum modo, ser retomado. Em um período época em que os europeus e os norte-americanos, após o fracasso do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, decidiram puxar os remos do barco e esperar que os israelenses e os palestinos se voltem a eles depois que tenham chegado a um acordo, a iniciativa do papa, por mais que não seja mais do que declarativa, é consoladora. Francisco é uma pessoa muito inteligente, tem influência e conseguiu conquistar um espaço no qual pode agir. Mas, em Israel, esse acontecimento não teve muita ressonância: o Haaretz, o jornal politicamente mais relevante, dedicou-lhe apenas quatro linhas...

Por que os israelenses mostraram tão pouco interesse?

Estão desanimados, perderam a esperança de que algo realmente pode mudar, que se possa chegar a um progresso, a um acordo de paz. Nos últimos anos, vimos esperanças demais virarem fumaça.

Provavelmente esse foi o último ato relevante de Peres, que em um mês vai terminar o seu mandato presidencial. Peres foi e ainda é o motor por trás do processo de paz nos últimos 25 anos. Será possível preencher o vazio que ele vai deixar?

É verdade, Peres é a pessoa que mais se moveu na direção de um acordo com os palestinos, mas de fato ele também não teve sucesso. Todas as vezes que parecia que ele tinha dado um passo à frente, o primeiro-ministro Netanyahu impedia a iniciativa.

Netanyahu, o grande ausente nesse encontro...

Eu acredito que o primeiro-ministro não acredita realmente na possibilidade de um acordo com os palestinos e muito menos na solução dos dois Estados. Não se trata apenas do acordo com os palestinos: a sua visão do mundo é sombria, defensiva, em que não há lugar para a confiança necessária para seguir em frente para chegar a um entendimento. Não que não haja precedentes históricos para se basear. Os judeus foram perseguidos por milhares de anos, mas justamente neste período a situação poderia ser favorável. Dos países vizinhos a Israel, que invocavam a sua destruição, restou só o Irã. Todos os outros, Síria, Egito, Iraque estão agora envolvidos demais nos seus assuntos internos para abrir um novo fronte.

No governo, há forças, como o "Lar Hebraico", que defendem a retirada unilateral de uma parte dos Territórios ocupados e a anexação da outra parte.

Seria realmente um desastre, o fim do Estado hebraico e democrático. Você realmente acha que a maioria judaica cederia aos cidadãos árabes o comando do exército ou da aviação ou dos serviços de segurança? Provavelmente, se chegaria a um desenvolvimento monstruoso de tais aparatos, destinados a controlar a parte árabe da população, sempre suspeita de algo. Não, a única solução é a separação, os dois Estados. Só vamos nos sentir à vontade, protegidos e seguros no nosso país quando os palestinos tiverem o seu.

O que você acha da iniciativa de Netanyahu de propor a Elie Wiesel que se candidate à presidência, na falta de um candidato mais próximo ao primeiro-ministro?

Com todo o respeito e a admiração que tenho por Wiesel, não acho que uma pessoa que não viveu aqui conosco, que não viveu o que nós vivemos, que não teve contato com a realidade e as pessoas de Israel pode ser um presidente adequado. O presidente deve ser alguém que esteve e está aqui conosco.

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