Carlos Nobre, secretário do MCTI, defende uso de energia solar e eólica

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28 Maio 2014

As energias solar e eólica têm se tornado cada vez mais competitivas no mercado global e podem representar uma alternativa de segurança energética, diante dos riscos das mudanças climáticas. A avaliação é do secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Carlos Nobre, que, em recente audiência no Senado Federal, defendeu a importância de o Brasil aproveitar o seu potencial nessas áreas.

 

A reportagem é de Denise Coelho, publicada por EcoDebate, 27-05-2014.

“O grande marco para os próximos 20 e 30 anos é a solar fotovoltaica e o Brasil, sendo um dos cinco países com maior potencial, precisa aproveitar”, ressaltou o pesquisador, ao destacar que muitos países, como a Alemanha, a Espanha e os Estados Unidos, têm lançado mão de subsídios para ampliar essa utilização. “O preço da energia está caindo muito, principalmente a solar fotovoltaica, em locais com maior incidência de radiação solar. Hoje ela ainda é relativamente mais cara em relação a outras formas, mas vai se tornar competitiva em muito pouco tempo”, prevê.

Nobre citou conclusões do relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), em que os especialistas sustentam a possibilidade de 80% do suprimento de energia do mundo ter como fonte os renováveis até 2050.

Nesse sentido, o climatologista considera o Brasil privilegiado por manter uma matriz majoritariamente renovável (entre 75% e 80%) e pelo fato de o país apresentar o segundo maior potencial em energia eólica do mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos. “Com o tempo, o maior uso e barateamento de todos os cenários da entrada de mais energia elétrica, a partir de solar e eólica, sinalizam que, até 2050, essas serão as principais formas de energia elétrica no mundo”, destaca.

Resposta

Para o cientista, adotar as energias renováveis é a principal resposta global ao risco das mudanças no clima, o que também pode ser visto como uma questão de segurança energética. Para ele, a geração de energia eólica e solar pode ser considerada menos intermitente do que a geração hidrelétrica. “Não existe uma maneira de ficarmos seis meses sem vento, mas podemos ficar seis meses sem chuva”, destaca.

Nobre cita o exemplo da Região Sudeste do Brasil, que recebeu 25% da chuva esperada em dezembro, janeiro e fevereiro, situação que tem contribuído para a queda do nível de água do Sistema Cantareira, em São Paulo. “Se levarmos em conta a probabilidade do aumento dos extremos climáticos, armazenar água não é uma garantia absoluta, ou os reservatórios teriam que ficar gigantescos. Sem levar em conta outros aspectos ambientais envolvidos”, avalia.

O pesquisador considera necessário apostar em mecanismos e em incentivos para que essas formas de energia ocupem mais espaço no cenário nacional. “Para o caso da eólica esse caminho já foi trilhado. Certamente o uso e o aumento da geração vão acontecer com maior rapidez no Brasil depois de um período mais lento comparado com a realidade em outros países onde essa área está crescendo mais”.

Por outro lado, no caso da energia solar fotovoltaica, o desenvolvimento ainda é incipiente, na avaliação do pesquisador. Mesmo assim, entre os avanços já alcançados, ele aponta o marco legal recentemente aprovado – com a Resolução Normativa 482, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabelece sistema de compensação para centrais geradoras de energia elétrica que usem fontes como a hidráulica, a solar, a eólica e a biomassa – e a utilização da energia solar nas casas do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. “Esta é uma excelente forma de incentivo.

As placas solares, colocadas no custo inicial das residências, tornam a implantação mais barata – na faixa de R$ 500 a R$ 1 mil – por unidade residencial. Como a durabilidade do equipamento é de 15 anos, ao longo do tempo, esse investimento seria amortizado na conta pela redução das tarifas”, esclarece o cientista, que aponta o armazenamento como um dos grandes desafios a serem superados para impulsionar o uso da energia solar e da eólica no Brasil. “Essa é a grande fronteira tecnológica em energia a vencer. Temos que investir mais”, diz.

Programa

O investimentos no tema energia eólica no Brasil são oriundos basicamente do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento regulado pela Aneel e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio de suas agências, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Finep. Os recursos são aplicados em institutos de pesquisa, universidades e empresas brasileiras.

Segundo dados do estudo Análises e Percepções para o Desenvolvimento de uma Política de CT&I no Fomento da Energia Eólica no Brasil, de 2001 a 2011, as empresas participantes do programa da Aneel investiram R$ 18 milhões em 22 projetos voltados a P&D no setor eólico. O levantamento foi produzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social supervisionada pelo MCTI.

Durante o período, em dois editais do CNPq, foram destinados mais R$ 8,3 milhões para 20 projetos relacionados com o tema e para capacitação laboratorial e formação de recursos humanos no setor. A Finep aplicou mais de R$ 40 milhões em 35 projetos na área, de 2002 a 2012, por meio de recursos dos fundos setoriais e do programa de subvenção econômica.

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