''Sacerdote e prior, descobri a vocação com minha esposa''

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20 Mai 2014

"Elegeram-me para a liderança da comunidade porque eu era o mais jovem dos monges e, assim, podia trazer novidades. Depois, quando me propus a criar uma realidade que incluísse célibes, eremitas e casados, me opuseram o muro das leis eclesiásticas."

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 18-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Padre Alberto Stucchi é sacerdote e religioso, prior do mosteiro de Claraval, em Milão, onde vive uma antiga comunidade da ordem cisterciense. Depois de 11 anos de vida monástica levada, como admitem seus próprios superiores, de modo exemplar, ele conheceu Elena, com quem nasceu uma história de amor.

Depois de pedir e obter um período de reflexão fora do mosteiro, ele decidiu não interromper o relacionamento. "Os piores conselhos me foram dados no mosteiro. Eles chegaram até a 'justificar' o meu relacionamento. Eles me disseram que eu era prior, que eu tinha muitas responsabilidades, que talvez eu precisasse de um desafogo, enfim: 'Faça o que quiser, mas às escondidas'. O importante era que não se soubesse por aí."

Eis a entrevista.

A quem você contou sobre o seu relacionamento?

Assim que eu percebi que amava Elena, falei primeiro com os meus coirmãos, depois com os superiores da ordem. Logo senti o seu terror. Eu entendi que tinha que escolher: ou ela ou o mosteiro. Tive que renunciar ao amor para conservar a licença necessária para pregar o amor: um paradoxo. O direito canônico concede um ano de reflexão, e assim eu fui viver com Elena. Disseram-me para pedir a dispensa do sacerdócio.

Você quer a dispensa?

Não, seria como admitir que eu não estava consciente no momento dos votos. Na prática, um erro. Mas eu não renego nada do que eu vivi. Diante de mim tinha se aberto um novo caminho. Saí da ordem, mas ainda sou sacerdote. Se um bispo ou o superior-geral de uma congregação me acolhessem, eu poderia voltar a desempenhar a minha missão. Elena morreu há cinco meses de um câncer nos ossos.

Foi uma crise de vocação?

A crise não estava ligada ao meu ministério. Eu não estava perdendo a vocação, ao contrário, eu a estava descobrindo mais do que nunca. Depois do encontro com Elena, eu reconheci a beleza da vida religiosa e queria continuar levando-a para um novo vilarejo monástico. Por isso, tentei várias vezes, com a minha companheira, o diálogo com a instituição eclesiástica, tentando explicar o absurdo de um celibato vivido não como escolha, mas como obrigação. E deixar Elena para voltar à minha vida anterior como se nada tivesse acontecido não era uma solução possível. O meu desejo de amor se chocou com a rigidez das leis eclesiásticas, com a contradição de estar fora das regras canônicas e, ao mesmo tempo, de estar cada vez mais envolvido em uma experiência que me fazia sentir monge, padre e prior mais do que nunca. Entre duas opções irreconciliáveis, eu escolhi a Elena.

O que vocês pediram?

Tentamos reivindicar como o amor por Deus e o amor por uma mulher não estão em contradição. Sobre esse ponto, com os meus superiores, não havia nenhuma possibilidade nem de diálogo nem de compreensão. Elena e eu nos recusamos a manter secreta a nossa relação, a aceitar aquilo que, na vida religiosa, virou um costume tolerado ou recomendado.

E a resposta?

"Às escondidas, se rouba e se mata, certamente não se ama", eu respondi a quem me propunha viver a minha história na ambiguidade, no compromisso. O princípio agostiniano "Ama e faze o que quiseres" se transforma dramaticamente em "Faze o que quiseres, mas às escondidas". Eu confio que as mulheres em busca da verdadeira clareza encontram no Papa Francisco um corajoso defensor da transparência.

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