Vinte e um milhões de pessoas vítimas do tráfico humano: uma emergência global

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18 Maio 2014

"São João XXIII e São João Paulo II tiveram a coragem de olhar para as feridas de Jesus, de tocar as suas mãos chagadas e o seu lado traspassado." Com essas palavras, ditas na homilia da canonização do dia 27 de abril passado, o Papa Francisco quis propor uma releitura da passagem evangélica do encontro de Tomé com o Ressuscitado.

A reportagem é de Antonio Maria Vegliò, publicada no jornal L'Osservatore Romano, 17-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Entre as feridas das quais o corpo de Cristo sofre hoje está sem dúvida a do tráfico de seres humanos, que – como afirmou o papa falando na conferência internacional sobre o tráfico de seres humanos no dia 10 de abril passado – "é uma chaga no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo. É um crime contra a humanidade".

A realidade do tráfico é uma realidade em aumento significativo, que envolve homens e um número mais elevado de mulheres jovens e menores de idade. Até hoje, essas formas contemporâneas de comércio de pessoas representam o maior mercado depois do tráfico de armas e de drogas.

A partir de um cálculo aproximado, são cerca de 21 milhões de pessoas escravizadas nas redes criminosas, cujo giro de negócios sobe para 32 bilhões de dólares por ano. A dimensão transnacional as organizações criminosas também se deve à proteção de alguns ambientes corruptos da política e das forças da ordem, particularmente nos países de origem e de trânsito dos fluxos migratórios. Isso ocorre, por exemplo, nas regiões do sudeste asiático, onde os interesses econômicos ligados à exploração sexual são muito consistentes e difusos.

O tráfico, nas suas várias formas, é uma emergência global, uma realidade que devora a humanidade das pessoas. Nos países de destino, as mulheres, em particular, são muitas vezes consideradas e tratadas assim como os criminosos que lucram com a sua pessoa e são punidas em vez de serem protegidas.

Várias vezes o Papa Francisco denunciou o tráfico de pessoas, definindo-o como "uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas". Justamente na mensagem dirigida aos fiéis brasileiros por ocasião da Campanha da Fraternidade da Quaresma de 2014, o pontífice disse: "Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz".

Todos nós somos chamados a tomar consciência daqueles que são vítimas desse crime, homens e mulheres que caíram na armadilha da "cultura do desperdício", que são engolidos na escravidão e na indiferença das nossas sociedades. Temos o dever de lhes dar voz, de difundir a cultura do respeito pelos direitos humanos, sensibilizando para que se tenham comportamentos responsáveis em todos os níveis e promovendo ações concretas e coordenadas para ajudar as vítimas e evitar essa chaga.

O Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, entre as suas várias competências, acompanha com atenção a questão do tráfico, aprofundando o seu estudo e encorajando os compromissos voltados para divulgar e combater esse fenômeno. No último documento, Acolher Cristo nos refugiados e nas pessoas deslocadas à força. Orientações pastorais, publicado em junho de 2013, não faltam indicações sobre esse tema.

São diversas as iniciativas em que a Santa Sé está na vanguarda na luta contra esse crime, como a já citada conferência internacional sobre o tráfico de seres humanos, realizada no Vaticano nos dias 9 e 10 de abril, e o acordo firmado entre a Santa Sé e outras confissões religiosas, que institui a Global Freedom Network, para erradicar as escravidões modernas.

Em nível das Igrejas locais e das congregações religiosas, também não faltam atividades e eventos organizados em diversas nações, entre as quais lembramos os programas Slave No More e a rede internacional Talità Kum das religiosas contra o tráfico, o dia de oração contra o tráfico de vidas humanas realizado em Manila em dezembro passado, a já citada Campanha da Fraternidade brasileira sobre o tema "É para a liberdade que Cristo nos libertou", ou as vias sacras de solidariedade e oração especialmente organizadas.

Para que tal fenômeno possa ser erradicado, é necessária, acima de tudo, a conversão dos criminosos, aos quais o Papa Francisco, no discurso dirigido ao dicastério no dia 24 de maio passado, convidava a "fazer um sério exame de consciência diante de si mesmos e diante de Deus".

Mas a mudança dos corações também diz respeito a cada um de nós. O pontífice, na exortação apostólica Evangelii gaudium, nos interpela perguntando-nos: "Onde está o teu irmão escravo? Onde está o irmão que estás matando cada dia na pequena fábrica clandestina, na rede da prostituição, nas crianças usadas para a mendicidade, naquele que tem de trabalhar às escondidas porque não foi regularizado? Não nos façamos de distraídos! Há muita cumplicidade... A pergunta é para todos! Nas nossas cidades, está instalado este crime mafioso e aberrante, e muitos têm as mãos cheias de sangue devido a uma cômoda e muda cumplicidade" (n. 211).

Como afirmou ele na homilia do dia 27 de abril, os dois papas canonizados "não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram dele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão, porque em cada pessoa sofredora viam Jesus".

Que os santos João XXIII e João Paulo II intercedam junto ao Pai para que nos tornemos sensíveis a essa trágica realidade.

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