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16 Maio 2014

Um relatório produzido pelo governo paulista apontou que uma estiagem tão forte quanto aquela que secou o Sistema Cantareira, que abastece parte da região metropolitana de São Paulo, só ocorre a cada 3.378 anos. E que a probabilidade do cenário atual se repetir é de 0,033%. 

O comentário é de Leonardo Sakamoto, jornalista e doutor em Ciência Política, em artigo publicado em seu blog no portal Uol, 14-05-2014.

Essa conta, contudo, faria sentido se a série fosse estacionária, sem levar em conta um fator importante: a mudança do clima. O regime hídrico atual não é mais o mesmo daquele que vivenciamos no século 20.

É o que me explicaram dois especialistas, um ligado ao governo de São Paulo e outro ligado ao governo federal, que atuam nessa área. Por razões óbvias, pediram para não serem identificados.

Quando o governo estadual usa o argumento de que estamos em um momento atípico para justificar o iminente cataclisma de fornecimento de água à capital, apenas evidencia que não levou em conta que o clima está mudando em seu planejamento. Pois, se tivesse, a própria justificativa não faria sentido.

O mesmo vale para o governo federal, que já culpou São Pedro ou “duras regras ambientais'' pelo risco de racionamento de energia elétrica.

Ou seja, racionamentos de água ou de energia elétrica têm sim que entrar na conta de quem está no poder. Seja do PSDB, que governa o Estado de São Paulo há praticamente 20 anos, seja do PT que governa o país há quase 12. Deveriam ter levado isso em consideração e se precavido. Como não quiseram ouvir, não acreditaram ou se importaram pouco, agora os prejudicados somos todos.

Mas tem gente que acha que o mundo é o mesmo do século 20. Em todos os sentidos…

O IPCC, Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas, já afirmou que os governos não estão preparados para o que está acontecendo. Nós somos a prova viva (e seca) disso.

Enfim, na opinião de ambos os especialistas, os governos comeram mosca. E, preparem-se: a despeito de crises de seca ou de enchentes, a vida será mais difícil daqui em diante.

Bem-vindos, políticos. Este é o maravilhoso clima novo que todos ajudamos a criar.

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