''É uma guerra mundial'': Patriarca Bartolomeu comenta os danos causados ao meio ambiente

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02 Maio 2014

É como se, silenciosamente, tivesse estourado a terceira guerra mundial. Uma guerra sem fronteiras e, talvez, apenas aparentemente menos cruel do que as duas que marcaram de modo indelével o século passado. É a guerra que, irresponsavelmente, a humanidade – indivíduos, sociedades, nações –, há décadas já, vai travando contra o ambiente natural, deixando in loco escombros e destruição.

A reportagem é publicada pelo jornal L'Osservatore Romano, 30-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quem lançou o alerta nesses termos foi o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, arcebispo de Constantinopla, ao falar nos últimos dias na Holanda, na oitava edição da Quasimodo Lecture, evento promovido pela Igreja Vetero-Católica de Utrecht, que anualmente explora os temas da fé na sociedade contemporânea.

Este ano foi a relação entre a religião e a defesa da criação, assunto bastante caro ao líder ortodoxo, que é definido pela imprensa internacional como o "patriarca verde" e que, em 2008, foi inserido pela revista Time entre as 100 pessoas mais influentes do planeta, porque considera o ambientalismo como uma "responsabilidade espiritual". Convencido de que uma alma religiosa não pode distinguir entre "a preocupação com o bem-estar humano e a preocupação com a conservação do ambiente".

Nesse horizonte, desenvolveu-se a conferência que Bartolomeu proferiu na cidade holandesa: "Uma perspectiva cristã ortodoxa sobre o ambiente natural deriva da convicção fundamental de que o mundo foi criado por um Deus amoroso", disse, citando uma conhecida passagem do Gênesis (2, 15), em que se ensina que "toda a criação foi concedida por Deus à humanidade como um dom, com o mandamento de 'servir e conservar a terra'".

Segue-se daí uma clara responsabilidade: "Se a terra é sagrada, a nossa relação com o ambiente natural é sacramental; ou seja, ela contém a semente e o traço de Deus. Em muitos aspectos, o 'pecado de Adão' é precisamente a sua recusa a aceitar o mundo como um dom da comunhão com Deus e com o restante da criação".

Nesse sentido, o pensamento do patriarca ecumênico evidencia o vínculo entre a fé cristã e o conceito de sustentabilidade global. "A teologia ortodoxa reconhece a criação natural como inseparável da identidade e do destino da humanidade, porque toda ação humana deixa uma marca duradoura sobre o corpo da terra".

E "o que está em jogo não é apenas a nossa capacidade de viver de modo sustentável, mas também a nossa própria sobrevivência". Ainda mais que "os cientistas estimam que aqueles que vão pagar mais do que todos ao longo dos anos pelas consequências do aquecimento global serão aqueles que menos podem se permitir isso".

Portanto, "o problema da poluição ecológica está inevitavelmente ligado ao problema social da pobreza; e, assim, todas as atividades ecológicas estão, por fim, medidas e julgadas corretamente pelo seu impacto e pelo seu efeito sobre os pobres".

É por isso, reitera o arcebispo de Constantinopla, que só uma cooperação efetiva entre todas as forças em campo (líderes religiosos, cientistas, autoridades políticas e realidades econômicas) poderá abordar adequadamente uma questão tão importante para o presente e para o futuro da humanidade.

E é também por isso que, em 1989, o Patriarca Ecumênico Demétrio indicou no dia 1º de setembro de cada ano um dia a ser dedicado à oração pela proteção e pela conservação do ambiente natural. De fato, concluiu Bartolomeu, se "o século XX foi definido como o século mais violento da história", alguns "disseram que, depois de duas guerras mundiais extremamente sangrentas, a terceira guerra mundial está atualmente em curso contra o ambiente natural".

O paradoxo é que, "mesmo que entendamos muito bem as consequências provocadas pela contínua destruição do ambiente que ameaça a sobrevivência da espécie humana e da vida no nosso planeta, continuamos agindo como se não nos déssemos conta dessa ameaça".

Portanto, "é necessária uma mudança radical de mentalidade, uma transformação espiritual da irresponsável atitude possessiva a uma ética da partilha e da responsabilidade".

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