Reforma da Cúria encontra cada vez mais resistências

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02 Maio 2014

O Papa Francisco reuniu entre os dias 28 a 30 de abril o seu "C8", os oito cardeais que o aconselham para a reforma da Cúria Romana. Responsáveis dentro da administração vaticana tentam frear a reorganização em curso. As iniciativas do novo papa não encontram unanimidade, mas a sua popularidade e a sua determinação dificultam qualquer resistência real.

A reportagem é de Sébastien Maillard, publicada no jornal La Croix, 29-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os rumores correm desde o início do novo pontificado. A Cúria Romana freia as reformas iniciadas pelo Papa Francisco. O último exemplo disso veio na sessão de trabalho do "C8", o conselho de oito cardeais externos à Curia do qual o papa jesuíta se cercou expressamente para reformar o governo da Santa Sé.

Em pauta – e certamente assim será também na próxima sessão no início de julho – está inscrita a racionalização dos 12 Pontifícios Conselhos, os dicastérios (equivalentes a pequenos ministérios) que, com nove congregações (para a Doutrina da Fé, as Causas dos Santos, o Culto Divino etc.) constituem a Cúria.

O elevado número de tais conselhos, o intrincamento das suas áreas de competência e a sua falta de coordenação foram destacados, particularmente durante os debates que antecederam o último conclave. Por exemplo, aqueles que tratam de questões sociais, como a saúde, os migrantes, o "Cor unum" (que trabalha contra a pobreza) e o "Justiça e Paz", poderiam se fundir. Ou ao menos ser unidos em um único polo, com um coordenador.

Mas, na prática, nenhum chefe de dicastério deseja ver desaparecer o seu próprio ente. "O nosso presidente toma todas as iniciativas possíveis para se mostrar absolutamente necessário", observa, sorrindo, um prelado que trabalha em um Pontifício Conselho. Um zelo para melhor resistir à diminuição das estruturas romanas desejada pelo Papa Francisco.

Outros se voltam diretamente para as pessoas próximas ao novo papa para defender a sua administração. Por exemplo, o cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que falou com o cardeal Oscar Maradiaga, coordenador do "C8", durante a última sessão, para tentar manter prerrogativas financeiras no seu dicastério.

A reunificação destas últimas dentro de um novo "Secretariado para a Economia" provocou intervenções na direção contrária por parte da Secretaria de Estado, onipotente com o Papa Bento XVI. De acordo com diversas fontes, o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin, tem sido pressionado pela sua equipe para tentar, em vão, não perder o controle das finanças em benefício do novo secretário para a economia, o cardeal australiano George Pell.

Mas a resistência na Cúria não se concentra só na reforma da qual ela é objeto. Visa também ao próprio Papa Francisco, cujo estilo e cujos modos não encontram unanimidade. "Criticar o papa não é algo que se costuma fazer quando se trabalha na Santa Sé", observa uma fonte entre os colaboradores.

Por exemplo, toda a semana de retiro em silêncio no início da Quaresma, imposta fora de Roma pelo papa, não convenceu todos os presentes. Até então, eles estavam bastante acostumados a se contentar com um breve período espiritual dentro da sua agenda de trabalho.

Para além dessas iniciativas, as críticas internas ao novo papa também dizem respeito a assuntos de fundo. E não só dentro da Cúria. O consistório extraordinário sobre a família convocado para o fim de fevereiro passado pelo papa mostrou isso claramente. A divisão dos cardeais, que lá discutiram principalmente sobre o problema do acesso aos sacramentos dos divorciados em segunda união, mostra a sua hesitação antes de seguir o papa no caminho de uma evolução nessa matéria.

"Os bispos se irritam ao ver a sua autoridade posta em discussão, contestada, porque se opõe a eles o que o papa diz", é o que Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, ouve dos seus contatos: "Para eles, Francisco tira a verticalidade da Igreja".

"Muitos dos altos prelados da Cúria eram intocáveis", acrescenta o padre Jean-Paul Muller, tesoureiro-geral dos salesianos: "Vendo esse papa tão próximo e acessível das pessoas, eles se assustam, porque entendem que já não são mais intocáveis, que ele vai questioná-los, que vai lhes pedir contas".

"Se o conclave fosse refeito, ele não seria mais reeleito", afirma um cardeal eleitor da Cúria, que participou do último conclave. Mas não é apenas nos mais altos escalões da Igreja que há pessoas que aceitam a mudança de má vontade. Os empregados do Vaticano também se preocupam. Chegou a hora do rigor, agora que o verdadeiro estado das finanças foi exposto claramente depois das auditorias externas dos grandes escritórios internacionais.

Desde fevereiro, as novas contratações estão bloqueadas, as horas extras não são mais pagas, e foi introduzida a obrigação de "bater o cartão". A progressão na carreira não parece estar mais garantida como antes. Daí se percebe um clima social que une o descontentamento com a tradição de lealdade em relação ao pontífice.

Nesse ambiente, o Papa Francisco, ao invés, continua, lenta mas seguramente. "Ele não se precipita em nada. Prorrogou os cargos de muitas pessoas. De longe, a impressão que se tem é de que tudo continua sendo um pouco vago, mas isso é estratégico para o seu sucesso. Ele está convencido do fundamento das reformas e sente desde a sua eleição uma expectativa por parte do restante da Igreja a esse respeito", garante Michel Roy, secretário-geral da Cáritas.

"Tornou-se muito difícil resistir a esse papa", afirma o padre Muller, porque, se Bento XVI estava sozinho, Francisco tem o povo do seu lado, e essa é a sua força".

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