Vaticano nega “envolvimento pessoal” de João Paulo II nos casos de Maciel

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23 Abril 2014

Nesta terça-feira, o padre que tem liderado o processo de santidade do Papa João Paulo II falou, sem muito aprofundamento, sobre a resposta do falecido papa ao casos de abusos sexuais envolvendo o clero e sua forma de lidar com o Pe. Marcial Maciel Degollado, fundador da Legião de Cristo e um abusador sexual em série.

A repotagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 22-04-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Quando perguntaram ao monsenhor Sławomir Oder se os que investigaram a santidade de João Paulo II levaram em conta a forma como este tratou a questão do Pe. Maciel, religioso que, ao final da década de 1990, foi objeto de relatórios substanciais, Oder disse que as verificações foram feitas “com o desejo real de clarear as coisas e de confrontar todos os problemas”.

“Ainda em relação a esta questão especificamente, realizou-se uma investigação, analisaram-se documentos que estavam disponíveis, e a resposta foi bastante clara”,disse Oder. “Não há sinal de um envolvimento pessoal do Santo Padre neste assunto”.

Oder, polonês que atua na diocese de Roma, é o postulador da causa de santidade de João Paulo II e foi responsável por organizar as investigações oficiais relativas à santidade e às virtudes do falecido pontífice de forma que o processo oficial do Vaticano pudesse declarar João Paulo II um santo.

O Papa Francisco deve declarar João Paulo II, que liderou a Igreja de 1978 a 2005, santo no domingo durante uma cerimônia que poderá atrair centenas de milhares de fiéis em Roma. Quem também estará sendo santificado neste dia será o Papa João XXIII, que guiou a Igreja entre os anos de 1958 a 1963 e que é conhecido por ter aberto o Concílio Vaticano II (1962-1965), o encontro mundial dos bispos católicos que levou a reformas significativas na Igreja.

Os comentários de Oder feitos nesta terça-feira vieram durante um encontro com jornalistas no Vaticano relativo à santidade dos dois papas. As palavras de Oder indicam que os funcionários do Vaticano não têm uma resposta clara para as perguntas sobre a relação de João Paulo II com o Pe. Maciel, a quem João Paulo II publicamente apoiou durante anos, chamando-o em 1994 de “um guia eficaz para a juventude”.

Embora relatórios sobre os abusos do Pe. Maciel foram feitos por jornalistas Jason Berry e Gerald Renner já em 1997, o religioso só foi publicamente punido em 2006, depois da morte de João Paulo II, quando o Papa Bento XVI ordenou-lhe seguir uma vida de penitência. O Vaticano estima que os abusos envolveram “mais de 20 porém menos de 100” jovens em seminários da ordem dos legionários.

O Vaticano está organizando uma série de encontros semelhantes nesta semana antecedendo as cerimônias oficiais formais a acontecer no domingo na Praça de São Pedro. Organizados por Walter Insero, que preside o escritório de comunicação da Diocese de Roma, os próximos encontros com a imprensa devem focar tópicos como os milagres atribuídos aos falecidos papas, como eles separadamente ministraram enquanto papa e como o Concílio Vaticano II impactou em cada um.

Califano e Oder falaram, ao lado de Insero e do porta-voz do Vaticano Federico Lombardi, num encontro na terça-feira, em italiano. O Pe. Manuel Dorantes, nascido no México e que atua na Diocese de Chicago, traduzia os comentários para espanhol e inglês.

Durante a tradução que fez das observações de Oder a respeito de Maciel, Dorantes esclareceu que, ao longo da investigação da santidade de João Paulo II, “não houve nenhum documento nos registros pessoais [de João Paulo II] que desse a entender que ele sabia de alguma coisa”.

Na terça-feira, ao falar sobre a vida de João XXIII, Califano disse que a santidade do falecido pontífice foi “imediatamente reconhecida” na sequência de sua morte e lembrou que o sucessor de João, o Papa Paulo VI, havia dito que o nome de João tinha “se tornado um sinônimo da palavra amor”.

No início de sua vida, João XXIII se dedicou à humildade, ao aceitar tudo o que Deus lhe desse bem como a agir, em primeiro lugar, como pastor, afirmou Califano. O ministério todo de João XXIII, declarou, poderia ser resumido em “ser um pastor e um pai”.

“Eis uma expressão que condensa a sua espiritualidade”, disse.

Oder falou que, ao longo de sua vida, João Paulo II teve um “profundo desejo” de estar em contato com as pessoas em suas lutas diárias.

“Sabemos que ele desejava estar profundamente conectado às pessoas e às suas vidas de fé porque isso nutria quem ele era”, acrescentou Oder.

Oder também lembrou da própria luta pessoal de João Paulo II, que perdeu sua mãe, um irmão e seu pai ainda jovem e que, também, viveu na Polônia durante a Segunda Guerra, país ocupado pelos nazistas.

Ao final, Oder disse, João Paulo desejava “ser capaz de sentir com o coração do povo, que é o coração da Igreja”.

O grupo igualmente considerou a questão do papel que tem a canonização dos papas na Igreja em geral e que tipo de modelo de vida João XXIII e João Paulo II dão aos leigos.

Oder disse que João Paulo II dá o exemplo de um homem que cresceu na santidade e na espiritualidade em longo de sua vida, de ator a seminarista, daí a padre, a bispo, a cardeal e, finalmente, papa.

Em seguida, Lombardi esclareceu que os santos não são “apenas um modelo para nós seguirmos, mas também intercessores que fazem a mediação do encontro entre o povo de Deus e Deus”.

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