Vaticano e conferências episcopais pedem para considerar a possibilidade de padres casados após sinal do Papa Francisco

Revista ihu on-line

SUS por um fio. De sistema público e universal de saúde a simples negócio

Edição: 491

Leia mais

A volta do fascismo e a intolerância como fundamento político

Edição: 490

Leia mais

Maria de Magdala. Apóstola dos Apóstolos

Edição: 489

Leia mais

Mais Lidos

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

22 Abril 2014

A permissão para ordenação de homens casados deveria ser alargada, segundo três bispos da Inglaterra e País de Gales que se manifestaram após reportagens segundo as quais o Papa Francisco gostaria de que as conferências episcopais apresentassem sugestões para uma reforma.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada pela revista inglesa The Tablet, 17-04-2014. A tradução de Isaque Gomes Correa.

Na semana passada, a revista The Tablet informou que o papa teria comunicado a um bispo austríaco atuante no Brasil que as hierarquias “regionais e nacionais” deveriam buscar um consenso sobre o assunto e então vir a Roma.

A notícia foi bem recebida pelo bispo de Brentwood, Dom Thomas McMahon, cuja diocese possui 20 ex-padres anglicanos, grande parte dos quais formada por homens casados. De forma semelhante, o bispo de Hexham e Newcastle, Dom Seamus Cunningham, disse que ordenar “viri probati” – homens casados de caráter provado – poderia mitigar os problemas causados por uma escassez de clero enquanto o bispo de Menevia, Dom Tom Burns, sustentou que o sacerdócio casado seria um testemunho para a vida familiar.
“Eu diria pessoalmente que minha experiência com padres casados tem sido, de fato, boa”, disse McMahon ao The Tablet.

“Eu, aliás, acho que as pessoas nestas paróquias onde eles [os padres casados] foram colocados os aceitaram muito bem. As pessoas olham para os seus sacerdotes como homens de Deus, como alguém para orientá-los em direção a Deus. Se eles forem pastores de verdade em seus ministérios, então é bastante secundário saber se são casados ou não”.

Um porta-voz em nome de Dom Seamus Cunningham explicou que este estaria fazendo suas opiniões conhecidas à conferência episcopal, cujos membros em breve se reunirão.

E acrescentou: “Ele [o bispo] espera que o Santo Padre irá estender as possibilidades atuais de ordenação de viri probati ao sacerdócio (...) O bispo percebe que tal medida permitirá à Igreja fazer um uso maior dos muitos dons que os homens casados trariam ao ministério ordenado e que isso certamente aliviaria algumas das dificuldades que resultam da presente escassez de padres”.

Dom Tom Burn sustentou que padres casados já estavam presentes no Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham – o grupo de ex-anglicanos – e disse que “esta faculdade deveria ser estendida a outros viri probati na Igreja”.

Disse também que o “exemplo provado de tais homens sendo ordenado padres (já visto no Diaconato Permanente) apoiaria ainda mais o valor do casamento e da vida familiar. Enquanto uns parecem pretender desmantelar estes blocos de construção da sociedade, estes homens casados iriam trazer uma experiência e uma compreensão mais ampla ao ministério sacerdotal. As vantagens superam em muito as desvantagens, quaisquer que sejam elas”.

Dom Thomas McMahon falou, porém, que padres casados não constituiriam uma “resposta completa” à escassez de padres e que a disciplina do celibato não deveria ser diminuída.

Um porta-voz da Conferência dos Bispos da Inglaterra e País de Gales disse que não seria apropriado comentar sobre um diálogo privado entre o papa e um bispo em particular.

Não houve comentários por parte das hierarquias escocesa e irlandesa.

Veja também: