Bachelet: “Mulher Presidente e imitação latino-americana de Merkel”

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Por: Jonas | 11 Abril 2014

María Galindo costuma dizer o que outras não se atrevem a dizer. Fora do politicamente correto, coloca Michelle Bachelet em seu lugar: “mulher disciplinada que recebe prêmios, que recebe aplausos por não incomodar a ninguém. Representa aquelas que não possuem aflição e nem paixão pela mudança de nada”. Seu artigo é publicado por Rebelión, 10-04-2014. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A mulher de colar de pérolas, o estilo, a saia e a bolsa sempre da mesma cor. A imitação latino-americana de Merkel. A mulher Presidenta, a que foi ministra da Saúde e ministra da Defesa; a que foi exilada, a que estudou medicina e conheceu o mundo. Caminha impregnada de seguranças e experiências, segue impregnada supostamente de um saber fazer.

A menina promessa, a melhor aluna, a que fez tudo bem rápido, a que percorreu o caminho com um bom comportamento. A que fez a passagem de ser a filha promessa de sua mãe para ser a mulher promessa para o país. Ela não descriminalizou o aborto no Chile, mas, sim, contentou-se em dar a pílula do dia seguinte. Não nacionalizou a educação privada, nem freou a usura bancária contra os e as estudantes. Ela não dialogou com os e as mapuches, nem lhes perguntou os seus nomes. Ela não devolveu o mar para Bolívia. Não tomou nem uma só medida histórica. Não assumiu nem um só risco, não representou nem uma só ameaça para o Chile das elites e as transnacionais. Não representou nem sequer a memória de Allende.

Michelle Bachelet é presidenta, foi eleita presidenta, é a primeira mulher presidenta do Chile. Contudo, esse dado não passa de um acontecimento biológico, que não conta com nenhum conteúdo político e nem ideológico. Seu colar de pérolas parece representar melhor a sua ideologia do que o nome de seu partido: é a esquerda que parece direita. É a mulher que representa os interesses masculinos. É a democracia entediante e gasta que muda em tom cordial um pelo outro e a outro pela outra. É a que carrega o conto de que as coisas mudam pouco a pouco. É a que carrega o conto de que a situação das mulheres segue melhorando pouco a pouco e que mudou.

Michelle Bachelet é a passagem cinzenta das mulheres no gerenciamento do poder estatal, sem alterar um só dos hábitos patriarcais. Sua presença como mulher no poder é a promessa cumprida, que após o árido deserto de passar pelo Parlamento e pela cota partidária não há mais que outro deserto que é o de governar para comprazer aos de sempre.

Michelle Bachelet representa as boas alunas, as mulheres disciplinadas que recebem prêmios, as que recebem aplausos por não incomodar ninguém. Representa aquelas que não possuem aflição e nem paixão pela mudança de nada. Representa as mulheres que desculpam e ocultam a dupla jornada de trabalho das mulheres. Representa as mulheres que não consideram nem grave, nem intolerável o fato de que morram centenas e milhares de mulheres por abortos clandestinos e criminalizados. Ela representa as mulheres que não se importam que uma mulher ganhe menos que um homem pelo mesmo trabalho. Representa as mulheres que não se importam que toda a estrutura social e cultural seja construída pela servidão das mulheres no trabalho doméstico não remunerado, não contabilizado e nem pensado como gerador de riqueza.

Michelle Bachelet é a menina premiada, seu último prêmio foi a fundação da ONU Mulheres, todo um departamento nas Nações Unidas, onde ela nada mais fez a não ser colocar saia no patriarcado.

Michelle Bachelet representa uma verdade política fundamental: na hora de governar, o hábito não faz o monge; não importa se negro, indígena ou mulher, a armadilha pode ser a mesma. Representa de forma nítida e inequívoca que não se trata de ter mulheres no Parlamento, nem nos ministérios, nem sequer na Presidência. Representa o fato de que nós, mulheres, não temos porque aplaudir outra mulher apenas pelo fato de ser uma mulher.

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