A reforma das leis de imigração tornou-se uma causa “pró-vida” nos EUA

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09 Abril 2014

Bispos e o outros líderes da Igreja neste país (EUA) vêm defendendo a reforma de imigração há anos, mas nunca tinham sido mais categóricos ou criativos do que o foram nesse dia, quando uma delegação composta de nove prelados americanos, liderados pelo cardeal Sean P. O’Malley, de Boston, viajou para Nogales, no Arizona, para celebrar uma missa na fronteira dos EUA com o México, para colocar uma coroa de flores no local lembrando as cerca de 6 mil pessoas que morreram tentando fazer a travessia e realizar uma conferência de imprensa buscando pressionar pela reforma do que chamaram de um 'sistema falido'.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada pelo The Boston Globe, 05-04-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Na linguagem católica, certos termos carregam um peso muito além de seu significado primário.

Por exemplo, chamar uma situação de “pró-vida” [ou em favor da vida] significa não só que ela envolve o ensino da Igreja sobre a santidade da vida humana, mas também que merece um investimento de sangue, suor e lágrimas equivalentes às lutas da Igreja contra o aborto e o controle de natalidade.

Nesse sentido do termo, a data de 1º de abril de 2014 pode entrar para a história como o dia que a reforma [das leis de] imigração se tornou oficialmente uma causa “pró-vida” para a Igreja Católica nos Estados Unidos.

Bispos e o outros líderes da Igreja neste país vêm defendendo a reforma de imigração há anos, mas nunca tinham sido mais categóricos ou criativos do que o foram nesse dia, quando uma delegação composta de nove prelados americanos, liderados pelo cardeal Sean P. O’Malley, de Boston, viajou para Nogales, no Arizona, para celebrar uma missa na fronteira dos EUA com o México, para colocar uma coroa de flores no local lembrando as cerca de 6 mil pessoas que morreram tentando fazer a travessia e realizar uma conferência de imprensa buscando pressionar pela reforma do que chamaram de um “sistema falido”.

A liturgia contou com um visual icônico instantâneo de O’Malley e Dom Gerald Kicanas, de Tucson (Arizona), distribuindo a comunhão para mãos estendidas do lado mexicano da fronteira através de uma cerca de segurança com aproximadamente 6 metros de altura.

Usando frases que imediatamente animaram muitos dos católicos ali presentes, O’Malley contou ao jornal The Globe que defender os direitos dos imigrantes é um “outro assunto pró-vida”. Ele também disse que alguém que leve a sério os ensinos da Igreja não pode apoiar o status quo, porque a “lei é inadequada e injusta”.

Dado que O’Malley é o assessor mais próximo do Papa Francisco nos EUA, ter seu apoio nestas afirmações dá a elas bastante peso.

(Em termos de política eclesial, poder-se-ia tachar os demais prelados que compuseram a delegação como sendo bem-intencionados para com a justiça social, mas que, na prática, não fazem muito esforço para mudar algo. É por isso que a presença de O’Malley foi de vital importância, porque ninguém irá dizer isso sobre ele.)

Os bispos não foram ao local só pela oportunidade de aparecerem na foto. Eles passaram três dias nos dois lados da fronteira, ouvindo as pessoas que enfrentam dificuldades surpreendentes.

Eles se encontraram com uma mulher de Honduras que tinha fugido da violência doméstica em sua casa e que acabou sendo sequestrada por uma gangue criminosa, dizendo que passou várias semanas nas ruas da Cidade do México sobrevivendo com restos de tortilhas e caixas de suco descartadas.

Eles se encontraram com uma mexicana cujo filho adolescente foi morto por agentes da Patrulha da Fronteira dos EUA, e que tinha viajado para Washington, DC, a fim de ver se conseguia obter alguma explicação do acontecido. (Para constar, ninguém apareceu.) Os religiosos ouviram uma menina mexicana, de 13 anos, falar, aos prantos, da irmã que está detida há seis meses sem saber quando será posta em liberdade.

Tais histórias, vários bispos disseram, estavam sem seus corações quando celebraram a missa na terça-feira (1º de abril).

O surgimento da reforma de imigração como uma das grandes preocupações católicas ilustra o que muitos historiadores dizem ser a fórmula clássica para a mudança: forças estruturais potentes associadas a indivíduos criativos que dão direção a elas.

No nível estrutural, os imigrantes hispânicos formam uma parcela cada vez maior da população católica do país. Hoje, cerca de um terço dos 70 milhões de católicos nos EUA são hispânicos, e esta parcela deve aumentar. Luis Lugo, diretor do Fórum Pew, chama este fenômeno de “o escurecimento do catolicismo americano”.

O que está acontecendo nos Estados Unidos reflete as realidades globais. Dois terços do 1.2 bilhão de católicos no mundo vivem, hoje, em outros lugares que não a Europa e EUA, e o crescimento mais rápido da Igreja vem de lugares que também geram uma parcela desproporcional dos migrantes do mundo e de refugiados, tais como a África subsaariana e partes da Ásia.

Para o catolicismo, a imigração não é apenas uma questão de preocupação humanitária. Cada vez mais, tem a ver também com o cuidado da própria Igreja.

Os direitos dos imigrantes já tem o seu embaixador na pessoa do Papa Francisco, e agora está fundamentado na pessoa de O’Malley.

Francisco pediu à Igreja para abraçar as periferias do mundo, e fez da solidariedade para com os migrantes uma prioridade. De fato, nesta semana os bispos americanos estavam mesmo imitando o papa de julho passado, este quando viajou pela primeira vez para fora de Roma à ilha italiana de Lampedusa, uma importante região de chegada de migrantes empobrecidos vindos da África e do Oriente Médio que procuram entrar na Europa.

Entre os observadores da Igreja, O’Malley já representava como sendo o “Francisco americano”, no sentido de ser o prelado em maior sintonia tanto no estilo quanto na substância do novo pontífice.

Ele cimentou esta reputação no dia 1º de abril, fazendo uma homilia fervorosa durante a missa na fronteira, em inglês e espanhol, além de caminhar ao longo do deserto do Arizona para vivenciar “trilha das lágrimas” deixadas para trás por migrantes em seu trajeto para o norte.

“Não podemos mais tolerar o sofrimento causado por um sistema falido”, disse O’Malley. “Este sofrimento e estas mortes têm que acabar”.

Sobre como seria uma reforma neste campo, os bispos disseram que o objetivo final é um caminho para a cidadania às pessoas que entram no país em busca de trabalho. Enquanto isso não acontece, dizem ter esperanças de dar fim ao que O’Malley chamou de “mania de deportação”, em particular quando esta prática envolve a separação de membros familiares, e de coibir os abusos praticados nas políticas de detenção.

Falta saber ainda se a posição dos bispos sobre a reforma de imigração vai ter algum impacto no clima político em Washington. Depois de terça-feira, no entanto, ninguém poderá acusá-los de não tentar.

Um bate-papo com O’Malley

Após a missa na fronteira com o México na terça-feira pela manhã, O’Malley concedeu entrevista ao jornal The Globe. O que se segue são trechos tirados da conversa.

Por que vir para esta região de fronteira foi importante para o senhor?

Passei todo o tempo de meu sacerdócio trabalhando junto de estrangeiros que não possuíam documentos. Então, esta é uma questão muito importante para mim. Não se trata de estatísticas, mas sim de pessoas.

Em termos concretos, quando o senhor pede por reforma de imigração, o que mesmo está querendo?

Precisamos reverter a mania de deportação que vem ocorrendo nos últimos anos. Precisamos repensar estes centros de detenção, onerosos, desnecessários e que, muitas vezes, penalizam pessoas que não são criminosas. Precisamos fazer alguma coisa relativa a cotas, tornando as coisas mais fáceis para as pessoas virem ao país. Há segmentos de nossa economia que dependem do trabalho dos imigrantes, e isso deveria ser reconhecido na lei em vez de forçar as pessoas a entrarem ilegalmente.

Há uma enorme desvantagem ao se permitir que a situação atual continue. Com as fronteiras estando do jeito que estão, trabalhadores sazonais ficam quase sempre presos aqui. Eles não podem ir de volta a seus países, de forma que ficam separados de suas famílias. Há também um número crescente de menores desacompanhados vindo para cá, e isso é um problema.

Pode um católico que leve a sério o ensino da Igreja apoiar o status quo da política imigratória?

Não. Antes de qualquer coisa, nós não só somos um país de imigrantes como também uma Igreja imigrante. Muitos de nossos familiares tiveram desafios muito difíceis quando vieram para os EUA. Então, devemos nos identificar com o sofrimento delas. O termo usado pelo Papa Francisco [sobre as atitudes relativas aos migrantes], qual seja, “globalização da indiferença”, é uma forma muito adequada de descrever como as pessoas se tornaram insensíveis para com o sofrimento humano e as tragédias que estão acontecendo.

Então um católico de boa fé tem que apoiar a reforma [das leis] de imigração?

Acho que sim.

Às vezes os bispos americanos são acusados de não dar a mesma importância na questão da imigração como o senhor faz. Este assunto é tão importante quanto a luta contra o aborto?

Esta é outra questão em favor da vida. Atividades como estas da conferência dos bispos são mais conhecidas; mas o que ela faz em relação à imigração é enorme também, embora não sejam tão faladas. Há a Rede Católica de Imigração Legal (CLINIC, na sigla em inglês), assentamentos de refugiados, o trabalho da comissão para imigração, e assim por diante. Infelizmente, estas iniciativas não têm tanta visibilidade.

E quanto ao argumento de que as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes sem documentos podem ser trágicas, mas são o resultado do não cumprimento da lei americana. O que o senhor diz sobre isso?

A lei é inadequada e injusta. Como país, dependemos da força do trabalho imigrante. Então não podemos penalizá-los quando tentam responder às nossas necessidades.

O exemplo do Papa Francisco nesta questão ajuda?

Sim, é claro que ajuda. As pessoas são capazes de estabelecer as relações. O Santo Padre sempre fala sobre ir para a periferia, sobre cuidar uns dos outros e sermos responsáveis por aqueles que sofrem, pelos pobres, e esta mensagem está ressoando nas pessoas. A nossa cultura se tornou tão individualista que as pessoas estão percebendo que esta não é a melhor forma de ser.

O senhor acredita que a opinião católica sobre a imigração esteja mudando?

Sim, realmente acredito que esteja mudando. É como a pena de morte. A autoridade doutrinal da Igreja moveu uma agulha entre os católicos, e está agora acontecendo com a imigração.

O Papa Francisco e o presidente Obama falaram sobre a reforma de imigração quando se encontram no último dia 27. O senhor sabe alguma coisa mais sobre o que eles conversaram entre si?

Não sei. Naturalmente, o presidente não é a pessoa que precisamos convencer. Tenho certeza de que ele ficou bastante animado após a conversa com o Santo Padre sobre a reforma de imigração, mas as pessoas que precisamos convencer estão no Congresso.

Um novo capítulo no mistério envolvendo o Banco do Vaticano

Num nível mais amplo, o enredo sobre o Instituto para as Obras de Religião, o assim-chamado Banco do Vaticano, parece claro o suficiente. Ele está num momento de glasnost que se iniciou sob o papado de Bento XVI e que acelerou sob o Papa Francisco, mas hoje é provavelmente o departamento financeiro do Vaticano que esteja mais distante do caminho da reforma.

Num nível mais particular, no entanto, ainda continua a existir um pouco daquilo que os italianos chamam de “gialli”, ou seja, mistérios não resolvidos, e nada é mais sombrio do que a situação envolvendo o ex-presidente do banco, Ettore Gotti Tedeschi.

Gotti Tedeschi é um famoso economista italiano e banqueiro que foi contratado para promover uma reforma em 2009 e que foi, sem cerimônias, demitido em 2012 após perder o voto de confiança do conselho de diretores do banco. O grupo era liderado pelo americano Carl Anderson, Cavaleiro Supremo dos poderosos Cavaleiros de Colombo. O fato de que Gotti Tedeschi é um membro da Opus Dei, entidade católica que serviu como ímã para teorias conspiratórias ao longo dos anos, só aumenta o apelo dramático.

Para os admiradores, Gotti Tedeschi sai como um mártir, um reformador que se tornou vítima de uma forma de política perversa e de forças das trevas. Eles acreditam que Gotti Tedeschi possa ter estado muito próximo da verdade sobre as contas do Banco do Vaticano em nome de personagens nada confiantes. (Políticos, mafiosos, outros em busca de burlar leis fiscais italianas...)

Para os críticos, Gotti Tedeschi é uma personalidade frágil que falava bem sobre reformas mas cujo trabalho de verdade deixou muito a desejar. Entre outras coisas, dizem que ele nem sempre aparecia para trabalhar, tinha problemas com os colegas e possuía uma tendência disfuncional de ver inimigos em todo o lugar. Na opinião destes, livrar-se de Tedeschi não teve nada a ver com um “sim” ou “não” à reforma, mas com afastar alguém que não estava fazendo o seu trabalho direito.

A última parte do enredo veio no fim de março, quando uma juíza de Roma aceitou uma investigação civil de Gotti Tedeschi relacionada a algumas supostas transações que levaram ao congelamento temporário de 31.5 milhões de dólares do banco. A juíza Flavia Costantini decidiu que Gotti Tedeschi não teve participação na transação em questão.

A equipe de advogados de Gotti Tedeschi saiu do caso afirmando que a nova decisão prova que o conselho do banco cometeu “graves erros e, portanto, um sério dano à Santa Sé” quando dispensaram o seu cliente. O comunicado afirmava que se Gotti Tedeschi teve algum problema com outros trabalhadores, era porque eles eram contra seus esforços por transparência e reforma.

(Na verdade, a decisão pode ser vista como uma faca de dois gumes, já que ela basicamente descobriu que Gotti Tedeschi não estava suficientemente envolvido nas operações diárias a ponto de ser o responsável por elas, potencialmente reforçando a opinião dos que o viam como excessivamente isolado.)

No último mês de outubro Gotti Tedeschi ganhou forças a partir de uma entrevista a um jornal italiano dada por Dom Georg Gänswein, o principal assessor do Papa Bento XVI, que disse que o ex-pontífice ficou “bastante surpreso” com a demissão em 2012, que Bento XVI “gostava e respeitava” Gotti Tedeschi e que os dois mantinham contato de maneira discreta.

A nova decisão possivelmente sirva para encorajar uma companha de reabilitação entre os amigos de Gotti Tedeschi.

Mais sobre abuso infantil

Não que a nova “Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores”, criada pelo Papa Francisco para liderar a luta da Igreja contra o abuso sexual infantil, estivesse tendo falta do que fazer. Nada disso. Mesmo assim, os bispos italianos foram presenteados com um grande dilema: a espinhosa questão de se os bispos devem ser obrigados a informar sobre as acusações de abuso à polícia.

A poderosa conferência episcopal italiana, conhecida por sua sigla CEI, adotou recentemente um conjunto de orientações antiabuso em conformidade com a diretriz vaticana de 2012. A política afirma que o padres têm um “dever moral” de proteger o bem comum quando um caso de abuso acontece, mas não os obriga a informar as acusações de abuso às autoridades civis.

(O Vaticano instruiu as conferências episcopais de todo mundo dizendo que elas estão obrigadas a seguir a lei local quando se trata de informar acusações de abuso. Na Itália, a legislação civil não impõe ao clero o requisito de ter um “relator compulsório”.)

O cardeal Angelo Bagnasco, presidente da CEI, disse que a política foi elaborada tendo-se em mente os interesses das vítimas.

“O que é importante é respeitar a vontade das vítimas e de seus familiares, que podem não querer informar sobre o abuso, por questões pessoais”, disse Bagnasco. “Precisamos ter cuidado para que não prejudiquemos o direito à privacidade, discrição e confidencialidade, bem como o direito das vítimas de não serem ‘expostas’ em praça pública”.

A decisão levantou intensos protestos a partir de grupos de defesa das vítimas, que veem esta postura como uma licença dada aos bispos para varrerem as coisas para debaixo do tapete. Um destes grupos considerou a decisão de não exigir dos bispos que informem sobre as acusações de abuso como “deslumbrante, deprimente e irresponsável”.

Dada a controvérsia, as pessoas estarão de olho na nova comissão papal para que ela responda: ou adota uma política de informar obrigatoriamente os casos, ou explique por que isso não acontece.

O Papa Francisco nomeou oito pessoas como os primeiros membros da comissão, um conjunto que inclui O’Malley, de Boston; uma sobrevivente irlandesa de abuso por parte do clero; e um total de quatro mulheres. Um indício de qual o caminho o grupo poderá tender quanto a informar obrigatoriamente os casos à polícia veio nos comentários de um dos membros, o padre jesuíta alemão Hans Zollner, da Universidade Gregoriana de Roma, ao jornal The Globe logo depois que as nomeações foram anunciadas.

Em essência, Zollner se opôs a um requisito obrigatório de relatar os casos.

“O fato é que este requisito não existe na maioria dos países do mundo, e pode haver boas razões para isso”, disse Zollner. “Na Alemanha, o ex-ministro da Justiça sugeriu algo deste tipo e sofreu oposição tanto das vítimas de abusos quanto de organizações de psicoterapeutas, que se mostraram preocupados não só com a proteção da confidencialidade, mas também com o risco de voltar a causar traumas”.

“Precisamos ouvir o que as vítimas pensam, em vez de impormos nossas soluções”, declarou Zollner.

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