Padres de periferia: a revolução Bergoglio na cúpula da Conferência Epicopal Italiana

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31 Março 2014

O resgate dos padres outsiders. Pouco carreiristas, imunes à mundanidade, aos salões romanos e às luzes da ribalta, decididamente orientados mais às periferias do que aos centros de poder. Exatamente como Francisco gosta. Esse é o lago do qual o papa está intencionado a pescar os próximos líderes da Igreja italiana.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 27-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Já houve alguns indícios no ano passado, em maio, quando, ao receber os bispos em assembleia plenária em quatro e quatro horas, foram postos de lado os habituais cerimoniais, porque Bergoglio buscava um contato direto com alguns deles, fora dos esquemas, exatamente como estava acostumado em Buenos Aires.

Desse modo, ele gostou de Dom Galantino, até poucos meses atrás um bispo de Cassano all'Ionio, uma pequena diocese da Calábria, mas designado, nesse meio tempo, à secretaria da Conferência Episcopal Italiana (CEI) (para o espanto geral) e justamente no último dia 26 confirmado nesse papel pelos próximos cinco anos. Acessível, simples nos modos, ainda se faz chamar por "padre Nunzio".

Ele detesta as insígnias do poder, mas tem ideias bem claras sobre onde ir. Ele está desenhando a futura estrutura da CEI seguindo as disposições recebidas. Chega de corjas, personalismos, mediocridades. E o papa, no dia 26, também martelou duro na audiência geral: "Um bispo que não está a serviço do rebanho e perde a proximidade a Jesus se torna de uma mediocridade que não faz bem para a Igreja".

Do mesmo modo em que entrou em sintonia com Galantino, o papa também fez amizade com Gualtiero Bassetti, arcebispo de Perugia. Ele o nomeou membro da Congregação dos Bispos, criou-o cardeal no último consistório na companhia de uma grande patrulha de purpuradores outsiders, principalmente estrangeiros. Em suma, uma estrela em ascensão, o favorito para a presidência da CEI para substituir Bagnasco.

A renovação está prevista para o fim de maio: pela primeira vez, serão feitas consultas, um pouco como as eleições primárias. Os bispos indicarão alguns nomes que serão entregues ao papa. Ele pensará a partir da contagem dos votos, mas necessariamente não levará em conta a orientação que daí emergir. A escolha final continua sendo sempre da sua competência.

A perspectiva é a de valorizar bispos de valor, mas até agora colocados em posições marginais, por serem considerados combativos demais, talvez um pouco de esquerda ou pouco diplomatas. Entre estes destaca-se o caso de Dom Bregantini, há anos bispo de Locri, agora titular da diocese de Campobasso. Religioso estigmatino que, por preparação e carisma, no passado poderia aspirar a uma sede cardinalícia, mas, exatamente como aconteceu com Bassetti, foi neutralizado em outro lugar, em favor de candidatos mais próximos dos grupos vencedores.

É a ele que o Papa Francisco confiou a elaboração das Meditações da Via Crucis no Coliseu. O evento pascal vai acrescentar brilho às reflexões de um pastor que, no passado, foi capaz de palavras na contracorrente no campo social. Ele denunciou abertamente a corrupção, a máfia, o trabalho precário. Bregantini também foi um dos poucos que se pronunciou sem medo contra os desvios morais de certos comportamentos de Berlusconi, do "bunga bunga" às festinhas com Ruby. Não é a primeira vez que o Papa Francisco aprecia pessoas livres e corajosas.

Inicia para o episcopado um longo caminho reformador, não só para simplificar estruturas burocráticas elefantíacas e caríssimas, mas para modificar o seu DNA.

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