Devemos temer a teoria de gênero?

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Por: André | 27 Março 2014

Ela entra na escola e suscita a inquietação de muitos cristãos: o que devemos pensar da teoria de gênero? La Vie dá a palavra ao historiador Anthony Favier e ao filósofo Michel Boyancé, cujas opiniões são divergentes.

 
Fonte: http://bit.ly/1g2dH65  

A reportagem é de Joséphine Bataille e publicada no sítio da revista francesa La Vie, 23-03-2014. A tradução é de André Langer.

Anthony Favier: “Ter um corpo tem um significado”

É possível repensar o gênero numa perspectiva cristã? Esta é a convicção do historiador Anthony Favier, que é historiador e estuda as noções de gênero no blog penser-le-genre-catholique.over-blog.com Ele também colaborou no n. 29 da revista Réseaux des Parvis intitulada 'O gênero em todos os seus estados – cristãs e cristãos se interrogam' (coletiva).

Eis a entrevista.

A perspectiva de gênero vai contra a antropologia cristã?

Os católicos tendem a defender o caráter natural das relações sociais, porque, para eles, a ideia de natureza ainda é um princípio estruturante. Portanto, entre os cristãos, estamos longe de ter a relação com o gênero mais naturalista que seja. Os homens que se tornam padres não cumprem sua vocação biológica de serem pais; e a castidade e a continência sempre foram valorizadas, às vezes mais do que o casamento. Os católicos acreditam na superioridade da graça, poderosa transformadora de Deus, sobre a natureza e que tudo está dado de início (o homem tem uma história com Deus). Como as ideias de democracia ou de evolucionismo foram aculturadas à tradição cristã, o catolicismo aguarda hoje pelas teologias que lhe permitirão aculturar os conceitos de gênero a partir da sua própria tradição. Como está acontecendo nos países anglo-saxões com Elizabeth Stuart ou Gerard Loughlin...

Por que a Igreja católica deveria se interessar pela questão de gênero?

O corpo de Cristo ressuscitado carrega em si mesmo o masculino e o feminino. Parece-me que uma religião que convida para caminhar para o horizonte da ressurreição, onde seremos de alguma maneira além do homem e da mulher, deve se interrogar sobre o gênero. Ora, avançou-se nesse terreno e a Igreja católica encontra-se diante de linhas de fratura quando continua a ser um dos raros grupos em que o sexo entranha fortes consequências sociais: o catolicismo aborda a questão dos ministérios em linha com o sexo biológico e recusa a homossexualidade. Não se deve ter medo das ciências humanas, nem de reler sua própria tradição à luz dos sinais dos tempos aos quais remetem, sem dúvida, hoje, as pessoas homossexuais ou transgêneros. Sem tomar partido, à luz do Evangelho.

Michel Boyancé: “Ter um corpo tem um significado”

Segundo o filósofo Michel Boyancé, não pode haver igualdade sem diferença sexual. Michel Boyancé é o decano das Faculdades Livres de Filosofia e de Psicologia, de Paris. É um dos autores da obra coletiva Éducation à l’âge du ‘gender’, Salvator.

“Nós estamos nos albores de algo novo. Não se trata de ter medo, mas de colocar os desafios, porque, a partir desta distinção entre sexo e identidade sexual (o gênero), há uma escolha de sociedade a fazer. O pensamento queer, interpretação radical da desconstrução da identidade sexual, promete uma indiferenciação sexual radical. Certamente, há nesses jogos de papéis uma parte de teatralidade. Mas por trás disso, há uma questão de fundo: o sentido dado à igualdade. No século XIX, fundou-se o código jurídico sobre a biologia; hoje, por um retorno do pêndulo, procura-se suprimir qualquer referência ao corpo, a fim de satisfazer as demandas em matéria de igualdade. Não passamos de um cientismo a outro! A identidade nunca é desencarnada. As relações de dominação desaparecerão quando formos educados para a diferença ou quando tivermos suprimido a diferença? Não há igualdade sem diferença sexual, feminismo sem mulheres.

Eu me situo na tradição filosófica do personalismo cristão, que busca um caminho de equilíbrio entre espiritualidade e corporalidade, pensando sua unidade profunda. Nossa época não reduz mais o homem ao seu corpo; o que não quer dizer que os processos biológicos sejam indiferentes na construção da identidade simbólica. Esta se baseia sobre um dado que tem sentido – o corpo –, deixa aquilo que em seguida se afasta de seu significado para viver de outra forma. Os corpos do homem e da mulher são significativos em sua capacidade de gerar uma criança; o fato de que a mulher carrega em si esta capacidade tem sentido para ela, para a criança e para o homem. Se muitos papéis sociais são intercambiáveis, na procriação são diferentes. É esta questão que permanece central, e, com ela, a questão da filiação. A filiação a partir de um homem e uma mulher não tem o mesmo sentido que uma filiação indiferenciada. Os desafios do debate são muito importantes em matéria de educação. O que diremos às crianças sobre o corpo? Não as ensinaremos em primeiro lugar a entender o que lhes é dado, antes de procurar seu próprio caminho de liberdade?”

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