A revanche dos ''padres dos pobres'' tomados pela mão por Francisco

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24 Março 2014

A efígie da reviravolta é o abraço na vigília pelas vítimas da máfia entre Francisco e o padre Luigi Ciotti. No sábado, o sucessor de Pedro e o sacerdote-símbolo do catolicismo de fronteira entraram na igreja de mãos dadas.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 23-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Subvertidas a forma e a substância à sombra da grande cúpula, nas dioceses e nos movimentos é reservado um lugar de honra aos "apóstolos dos último". Uma "reabilitação" profunda para os "padrecos" que no passado tinham quase odor de heterodoxia pela intolerância diante do conformismo do poder e pela proximidade aos tormentos da sociedade contemporânea.

É a revanche da Igreja "decadente", em suma. Eram os últimos e, agora, evangelicamente, tornaram-se os primeiros. Na Igreja transformada por Bergoglio em um "hospital de campanha depois da batalha", a revolução copernicana em andamento subverte a hierarquia eclesiástica e coloca no centro do pontificado "as periferias existenciais e geográficas", tradicionais terras de missão dos sacerdotes de fronteira.

Entre Francisco e o padre Maurizio Patriciello, pároco em Caiano, o sentimento eclodiu em setembro, no centro para refugiados Astalli. "Sente-se logo que ele é um de nós, que vem das favelas", conta o padre Maurizio, na vanguarda da luta contra a Camorra na Terra dei Fuochi.  "Bergoglio fala de modo límpido, inclina-se ao lado dos pobres que o Estado abandonou. Precisávamos de um papa assim, que diz as coisas de um modo menos teológico e mais existencial. Não estamos mais sozinhos."

O padre Gino Rigoldi, presidente da Comunità Nuova e capelão da prisão juvenil Beccaria de Milão, confessa: "Nos jovens que antes estavam distantes e eram hostis, muitos se interessaram pela figura e pela pregação de Francisco, e alguns já me pediram para ser batizados".

Na mesma linha, em Marche, fala o fundador das comunidades antidroga Oikos, padre Giuliano Fiorentini: "Os nossos jovens sentem que são amados e não julgados, sentem que têm Francisco do seu lado no caminho de reconstrução das suas vidas provadas pela dor e pela dependência". De fato, "por muito tempo nos sentimos às margens até da Igreja, mas agora Bergoglio colocou no centro do seu magistério o nosso ser periférico".

O padre Mimmo Battaglia, presidente da Federação Italiana de Comunidades Terapêuticas, atribui à "profecia" de Francisco a "reaproximação da Igreja ao povo". Uma "revolução nos passos de Jesus", explica padre Battaglia, que "aqui em Catanzaro experimentamos cotidianamente na maior atenção dos distantes ao magistério pontifício".

E para aqueles que sempre atuam "na trincheira da pastoral social", a ajuda de Bergoglio garante "uma providencial lufada de confiança" e se traduz em "uma proximidade que supera qualquer marginalização". De fato, "saber que se tem o papa do seu lado torna menos difícil a navegação nos mares do desconforto".

Para a Comunidade Papa João XXIII, é um retorno às origens. "O ensinamento de Bergoglio nos remete ao carisma da partilha direta com os excluídos que nos foi transmitido pelo padre Oreste Benzi", observa o padre Aldo Buonaiuto. "A carga espiritual de Francisco não é uma moda passageira, é um poderoso sustento na caridade. Encontramos nele o porta-voz de quem não tem voz e o modelo a ser seguido todos os dias contra a ditadura de indiferença."

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