Francisco nomeia cardeal O'Malley para painel antiabusos do Vaticano

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24 Março 2014

O Papa Francisco nomeou nesse sábado o cardeal Sean P. O'Malley, de Boston, nos Estados Unidos, e outras sete pessoas com reputação como reformadores para liderar uma nova comissão antiabusos do Vaticano, uma medida destinada a demonstrar resolução em termos de combate aos escândalos de abuso sexual de crianças que abalaram o catolicismo.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no jornal The Boston Globe, 22-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O'Malley, que já é o único norte-americano do conselho do "G8", os cardeais conselheiros do papa, também é o único norte-americano entre os membros da comissão anunciada nesse sábado. A nova responsabilidade de O'Malley não é um cargo de tempo integral, o que significa que ele não terá que se mudar para Roma e continuará atuando como arcebispo de Boston.

A formação da nova Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores inclui a leiga irlandesa Marie Collins, que afirma ter sido estuprada aos 13 anos por um capelão de hospital. Quando ela tentou denunciar o abuso anos mais tarde, afirmou, ela foi informada pelas autoridades da Igreja que "proteger o bom nome" do padre era mais importante do que remediar um erro "histórico".

Collins adquiriu uma reputação internacional como militante pelos direitos das vítimas de abuso.

O papa indicou três clérigos e cinco leigos, incluindo quatro mulheres. Os membros são de oito países diferentes, sendo que sete são da Europa ou dos Estados Unidos.

Ao anunciar as nomeações, um porta-voz do Vaticano disse que elas refletem a declaração do falecido Papa João Paulo II de que "não há lugar no sacerdócio ou na vida religiosa para aqueles que ferem os jovens".

Em um sinal de interesse pessoal, o Papa Francisco também nomeou um companheiro argentino e padre jesuíta, Humberto Miguel Yáñez, que foi recebido pelo futuro papa na ordem jesuíta em 1975 e que estudou com ele em uma faculdade jesuíta argentina.

Yáñez hoje dirige o departamento de teologia moral da universidade jesuíta Gregoriana de Roma e é visto como alguém que tem acesso direto ao pontífice.

Os outros membros anunciados nesse sábado são:

- O padre Hans Zollner, jesuíta alemão, vice-reitor acadêmico da Universidade Gregoriana e diretor do seu Instituto de Psicologia. Zollner coordenou um importante congresso antiabusos em Roma em 2012, intitulado "Rumo à cura e à renovação".

- Hanna Suchocka, ex-primeira-ministra da Polônia e, atualmente, embaixadora da Polônia junto ao Vaticano.

- Claudio Papale, leigo italiano especialista na lei da Igreja, que leciona na Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma.

- Catherine Bonnet, psicóloga infantil francesa que escreveu extensamente sobre os efeitos do abuso e da exploração sexual sobre as crianças.

- Baronesa Sheila Hollins, ex-presidente do Royal College of Psychiatrists e atual presidente da Associação Médica Britânica, que frequentemente é consultada sobre questões de desenvolvimento infantil no Reino Unido.

Nos bastidores, fontes disseram ao Boston Globe que Francisco preferiu não emitir um documento legal fornecendo uma estrutura e um mandato para a nova comissão, preferindo permitir que as pessoas que ele colocou no cargo trabalhem sobre esses detalhes. O grupo inicial anunciou nesse sábado que também fará recomendações de membros adicionais ao papa, provenientes "de várias regiões geográficas do mundo".

Em parte, disseram as fontes ao Boston Globe, as escolhas iniciais são mais europeias, a fim de facilitar para que o grupo se encontre e ganhe velocidade rapidamente.

O Papa Francisco não nomeou um líder formal para a nova comissão, e as fontes disseram ao Boston Globe que ele prefere permitir que os membros da comissão tomem suas próprias decisões sobre quem irá coordenar o seu trabalho.

Embora os planos originalmente estabeleciam que o órgão antiabusos fosse hospedado dentro da poderosa Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, o anúncio desse sábado sugere que ele terá um perfil mais independente, reportando-se diretamente ao papa.

O anúncio ocorre em um momento em que Francisco vinha enfrentando críticas crescentes devido a um perceptível ponto cego em relação aos escândalos dos abusos.

No início de março, o pontífice deu uma entrevista a um jornal italiano, na qual parecia defensivo sobre as críticas ao histórico da Igreja, dizendo que "talvez seja a única instituição pública que se moveu com transparência e responsabilidade. (…) No entanto, a Igreja é a única a ser atacada".

Poucos dias depois, o grupo de defesa norte-americano BishopAccountability.org divulgou registros que pretendiam mostrar que o papa havia falhado em agir agressivamente em cinco casos envolvendo supostos padres abusadores na Argentina, embora apenas um desses sacerdotes estava, na realidade, sempre sob a sua autoridade direta.

Fontes disseram ao Boston Globe que Francisco teve um envolvimento direto na composição da comissão antiabusos, telefonando pessoalmente para subordinados no Vaticano para trabalhar sobre o momento do anúncio.

O'Malley recusou um pedido do Boston Globe para falar sobre o seu papel na comissão para além do que estava no anúncio do Vaticano. Em uma entrevista no início de fevereiro ao Globe, no entanto, O'Malley discutiu a comissão e a abordagem mais ampla de Francisco à crise dos abusos.

"Ele certamente está ciente de quão sério é esse problema", disse O'Malley sobre o novo papa na época. "Eu não acho que ele já tenha um plano para saber como lidar com isso."

O'Malley sugeriu que uma função importante da nova comissão poderia ser a de trabalhar com as Conferências nacionais de bispos de todo o mundo para garantir que todas elas implementem diretrizes antiabusos.

O objetivo desse esforço, segundo ele, é de "ter alguma clareza sobre quais são as expectativas em todo o mundo".

O'Malley também sugeriu que a comissão poderia ser capaz de fazer avanços naquilo que muitos críticos acusam como sendo a parte mais grave dos assuntos inacabados a partir da crise, que é o fato de responsabilizar os bispos quando eles não aplicam a política oficial da Igreja de "tolerância zero".

Esse críticos apontam, por exemplo, para o bispo Robert Finn, de Kansas City, Missouri, que foi declarado culpado em setembro de 2012 por uma acusação de omissão em denunciar um padre acusado de abuso e que ainda permanece no cargo.

"Espero que essa comissão ajude a Igreja a desenvolver protocolos, de modo que haja um caminho muito claro a seguir" nesses casos, disse O'Malley. Ele acrescentou que não seria provável que o trabalho da comissão fosse investigar casos individuais, mas sim ajudar a desenvolver os procedimentos que o papa pode aplicar quando surgem acusações de que um bispo fracassou ao responder de forma apropriada.

A nova comissão deve se reunir duas ou três vezes por ano. Nesse meio tempo, os membros devem permanecer em contato por telefone ou e-mail.

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