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Por: André | 24 Março 2014

Neste sábado acontecerão os funerais do jesuíta José Fan Zhongliang, o bispo de Xangai que faleceu no domingo passado com a idade de 96 anos no apartamento em que vivia há décadas em prisão domiciliar. O governo nunca reconheceu sua eleição episcopal, que aconteceu em 1985 de maneira clandestina, mas com a aprovação da Santa Sé. Por este motivo, os funcionários do aparelho chinês, após sua morte, sequestraram o barrete violeta do bispo, sinal exterior da sua dignidade episcopal, mas tiveram que restituí-lo devido aos insistentes pedidos dos amigos de Fan. Cerca de 2.000 fiéis deverão participar dos funerais do bispo.

 
Fonte: http://bit.ly/1fZqydZ  

A reportagem é de Gianni Valente e está publicada no sítio Vatican Insider, 19-03-2014. A tradução é de André Langer.

Há pelo menos 15 anos Fan travava uma batalha contra o Mal de Alzheimer e passava seus dias sem recordações no apartamento em que estava recluso. Mas, segundo a Santa Sé, era justamente ele o bispo ordinário titular da diocese de Xangai. O também jesuíta Aloysius Jin Luxian, ordenado bispo da mesma cidade em 1985 com a aprovação do governo, mas sem o mandato apostólico, recebeu a aprovação da Santa Sé em 2004, mas, para ajustar a situação do ponto de vista canônico, reconheceu-se a ele o título de bispo auxiliar.

Jin faleceu há quase um ano. Agora, com a morte de Fan, torna-se quase inevitável tanto para a China Popular como para a Santa Sé enfrentar e tratar de desenredar a complicadíssima situação canônica e pastoral que vive a diocese católica chinesa mais importante nos últimos dois anos. Ou seja, desde que o bispo auxiliar Thaddeus Ma Daqin, que deveria ter sucedido tanto a Fan como a Jin (sanando em nível canônico as divisões entre a comunidade católica “oficial” e a comunidade “clandestina”), foi castigado pelo Colégio dos Bispos chineses (órgão controlado pelo poder civil e não reconhecido pela Santa Sé) com a cassação da autorização para desempenhar o ministério episcopal e uma suspensão de dois anos do exercício do sacerdócio em público. Por quê? Porque no dia da sua ordenação o bispo Ma Daqin teria usado expressões que soaram como um claro afastamento da Associação Patriótica dos Católicos Chineses (o instrumento com que os aparelhos chineses pretendem dirigir a Igreja a partir de dentro).

Nas vidas paralelas dos jesuítas Jin e Fan (que terminaram com um diferença de poucos meses entre uma e outra) e no “impasse” em que se encontra atualmente a diocese de Xangai resumem-se todas as penas e chagas que ferem a vida da Igreja no ex-“Império Celeste”. E há as de outrora, relacionadas com a política religiosa imposta pelo poder civil. Mas também há outras mais recentes, vinculadas, em parte, com certos clericalismos “sui generis” que desfiguram o rosto da Igreja no outro lado da Grande Muralha.

Em Xangai, durante os anos 1950, a estratégia maoísta para separar a Igreja chinesa da comunhão visível com o sucessor de Pedro usou uma das operações mais tangíveis. Em uma perseguição que começou na noite de 8 de setembro de 1955, foram presos mais de 400 pessoas, incluindo o bispo Ignatius Gong Pinmei, todos os sacerdotes que eram seus colaboradores e quase todos os leigos que participavam da Legião de Maria, acusada de ser um grupo paramilitar sob o comando das potências capitalistas. Entre os presos estavam dois jovens amigos: Aloysius Jin e José Fan, da Companhia de Jesus, assim como o Papa Francisco. Seu bispo confiava muitíssimo em ambos: nomeou o primeiro reitor do Seminário Maior e encomendou ao segundo o Seminário Menor. Depois dos terríveis anos da Revolução Cultural, depois de quase 15 anos presos e de conflitos, Jin e Fan foram libertados, assim como milhares de sacerdotes, religiosos e fiéis. Durante a década de 1980, a China de Deng Xiaoping voltava a abrir as portas das Igrejas, convidava sacerdotes, freiras e bispos a voltarem aos seus trabalhos e tarefas, embora tudo sob um estrito regime de vigilância política.

Então seus caminhos se dividiram. Jin aceitou ser o reitor do seminário e em 1985 foi nomeado bispo auxiliar de Xangai, com a permissão de Pequim, mas sem a do Papa; em 1988 teria inclusive assumido a responsabilidade da diocese, enquanto o velho Gong Pinmei, legítimo titular da sé episcopal, transcorria seus dias na prisão domiciliar (em maio desse ano começaria seu exílio em Connecticut).

Fan, ao contrário, negou-se a colaborar com os organismos “patrióticos”, que o regime impunha como instrumento de controle da vida da Igreja. Em 1985, também foi ordenado bispo, mas clandestinamente, e o Vaticano o reconheceu como único legítimo sucessor de Gong Pinmei, que faleceu em 2000.

As comunidades dos fiéis “clandestinos” que continuavam a recitar terços e celebrando missas reclusos em casas privadas, mantendo-se a boa distância das Igrejas que iam abrindo uma após outra sob o controle do governo, se estreitaram em torno de Fan. Enquanto Jin se encarregava de colocar novamente em marcha todas as estruturas eclesiais autorizadas pelo governo: novas Igrejas construídas em toda a cidade, um seminário de vanguarda, uma oficina tipográfica para imprimir o Evangelho para toda a China, escolas profissionais... e manter os contatos com universidades e instituições católicas de todo o mundo.

Em 2004, depois de um longo discernimento, a Santa Sé reconheceu que também Jin, assim como grande parte dos bispos ordenados ilegalmente nesses anos na China, não pretendia construir a Igreja nacional “autárquica” submetida à propaganda do regime. Com uma “exceção” canônica aceitou ser ordenado bispo sem o beneplácito do Papa, mas com a intenção de favorecer a continuidade das instituições eclesiais e da administração dos sacramentos necessários para a vida dos fiéis. Por isso, sua ordenação episcopal foi legitimada por Roma. Com uma “estratégia” canônica, concedeu-se a ele o título de bispo auxiliar de Xangai, enquanto Fan continuava sendo o titular da diocese. Encorajou-se, sobretudo, suas tentativas de identificar um sucessor que pudesse ser reconhecido como bispo tanto pela ala “oficial” como pela ala “clandestina” da diocese de Xangai. Já em 2005 Jin havia orquestrado a ordenação, como bispo auxiliar, de José Xing Wenzhi, que em 2011 renunciou. Então recomeçou a busca de um novo candidato: a aprovação generalizada indicava Thaddeus Ma Daqin, que se tornou bispo com o beneplácito de ambas as comunidades católicas. A medida punitiva que pesa sobre ele desde a sua ordenação impediu-o de exercer o ministério episcopal que lhe foi encomendado.

Agora mortos os dois “patriarcas” que a partir de lados diferentes dirigiram a Igreja de Xangai, o cenário mostra-se muito complicado devido a diferentes fatores. O caso da diocese de Xangai está se convertendo em uma espécie de prova para avaliar as possibilidades para que se restabeleçam os contatos entre a Santa Sé e a China Popular (agora que no Vaticano há um novo Papa e em Pequim um novo presidente). Os aparelhos que controlam a política religiosa do governo buscam saídas para esse beco sem saída criado, em boa medida, por seus próprios rigores. Há alguns dias circulou a notícia de uma iminente reabertura do seminário nacional de Xangai, onde as atividades foram suspensas desde que o bispo Ma Daqin foi ordenado e depois punido. A solução mais razoável seria a de uma reabilitação em conjunto do mesmo bispo, aproveitando que em junho vence o prazo da suspensão do exercício público de seu ministério sacerdotal.

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