Gänswein: a máscara caiu

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21 Março 2014

"O Papa Francisco manteve-se distante de Gänswein ao escolher morar na Casa Santa Marta, e não no Palácio Apostólico – onde o Prefeito da Casa Pontifícia tem o controle. Visto hoje, esta foi uma decisão sábia.
Seria ainda melhor se Gänswein se dedicasse exclusivamente a servir o Papa Emérito, ou mesmo deixar Roma definitivamente", escreve, Elena Curti, redatora adjunta da revista inglesa The Tablet,  19-03-2014. A opinião é expressa no seu blog, publicado no portal da revista. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o comentário.

Há poucas semanas, Dom George Gänswein insistia que era perfeitamente possível viver entre os dois mestres.

Mas a última entrevista dada pelo Prefeito da Casa Pontifícia, que também é secretário do Papa Emérito, sugere o contrário.

Em um documentário exibido na televisão alemã, Gänswein disse que preferiria outros candidatos a suceder Bento XVI:

“Eu tive preferência por outros candidatos, aqui eu errei. Mas o mesmo aconteceu com outros pessoas”.

Ao afirmar que teria preferido outra pessoa que não o Papa Francisco para ocupar a Cátedra de São Pedro, acabou deixando sua própria opinião insustentável.

E com mais um toque de amargura, ele então disse que, no momento, o Papa é o queridinho da mídia, “mas isso não será sempre assim”. O papa não é o “queridinho de todos”, acrescentou, usando a expressão em inglês “everybody’s darling”.

De modo quase tão controverso quanto, ele usa seu cargo como um canal entre os dois papas para dizer que Francisco buscou o ponto de vista de seu predecessor na entrevista dada a Antonio Spadaro, jesuíta italiano e editor da revista “La Civiltà Cattolica”.

“Levei o artigo ao Santo Padre [sic], expliquei o que o Papa dissera. Três dias depois Bento me passou quatro páginas de reflexões, notas e suplementos concernentes a certas questões – coisas que se poderia detalhar num outro momento – de grande interesse”.

Gänswein regozija-se com fato de que viu os comentários de Bento XVI e os levou ao Papa Francisco, embora diga que, é claro, não pensa em divulgá-los. Revelar a existência deles não seria, em si, uma violação da confiança de ambos os mestres?

Gänswein parece estar encorajado a falar mais francamente a cada entrevista. Um grande número delas coincidiu com o aniversário da renúncia do Papa Bento e a conclusão do primeiro ano do pontificado de Francisco. Em cada uma ele enfatiza que as relações entre os dois papas são cordiais. Se assim for, esta última entrevista não acrescentará em nada para promover este estado de coisas.

Quando se anunciou que o Papa Emérito iria fixar residência num convento dentro dos muros do Vaticano, muitos expressaram a preocupação de que ter dois papas nas proximidades seria problemático. Na prática, a maioria dos católicos consideram que o arranjo tem funcionado razoavelmente bem. Os resultados da última enquete online do jornal The Tablet confirmam isso.

O que soa sem muito sentido é a afirmação de Gänswein em ser uma “ponte” efetiva entre os dois mestres. As lágrimas que ele derramou quando Bento deixou o posto dão o testemunho de sua proximidade ao Papa Emérito e suas palavras recentes mostram onde sua lealdade se encontra.

O Papa Francisco manteve-se distante de Gänswein ao escolher morar na Casa Santa Marta, e não no Palácio Apostólico – onde o Prefeito da Casa Pontifícia tem o controle. Visto hoje, esta foi uma decisão sábia.
Seria ainda melhor se Gänswein se dedicasse exclusivamente a servir o Papa Emérito, ou mesmo deixar Roma definitivamente.

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