Crime ambiental: Belo Monte some com madeira retirada de obras

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21 Março 2014

O crime ambiental que ocorre em Belo Monte foi planejado pela Norte Energia, dona da usina, e pelo CCBM, responsável pela construção. Antes do início das obras, entidades ligada ao setor florestal da região realizaram diversas reuniões com a Norte Energia para solicitar uma destinação adequada desta madeira. A Associação das Indústrias Madereiras de Altamira e Região (AIMAT), chegou a produzir um documento técnico apresentando soluções para a destinação da madeira, que poderia servir para reativar as indústrias madeireiras da região, paralisadas por falta de matéria-prima legalizada.

A reportagem foi publicada no sítio VioNorte, 20-03-2014.

Um crime ambiental de proporções épicas está acontecendo na maior obra de construção em andamento atualmente no País: a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, Pará. Uma fiscalização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) constatou que milhões de metros cúbicos de madeira em tora simplesmente sumiram dos canteiros de obras da usina. Esta madeira, segundo o órgão fiscalizador, apodreceu ou foi enterrada, sem qualquer destinação adequada.

O Ministério Público Federal de Altamira abriu investigação para apurar as responsabilidades. A estimativa inicial é que mais de cinco milhões de metros cúbicos de madeira retirada dos desmatamentos feitos para a construção da usina tenham simplesmente desaparecido.

A forma como a madeira, proveniente do desmatamento, foi retirada para a construção da usina recebeu críticas sistemáticas do órgão fiscalizador. O Ibama declarou, em um relatório de vistoria técnica de agosto de 2013, que o canteiro de obras é um “sumidouro de madeira”.

O Ibama afirma no parecer que mais de 80% das toras de boa qualidade não foram destinadas a qualquer fim útil. Apesar disso, o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) vem comprando madeira do mercado local para as obras civis, tendo declarado, apenas até o final de 2012, a compra de quase 20 mil m³ de toras, o equivalente a várias centenas de caminhões de madeira cheios.

Desde o parecer técnico de dezembro de 2012, os analistas responsáveis vêm constatando problemas quanto à forma de estocagem e monitoramento das toras geradas e apodrecimento de madeira nos pátios.

Crime planejado

O crime ambiental que ocorre em Belo Monte foi planejado pela Norte Energia, dona da usina, e pelo CCBM, responsável pela construção. Antes do início das obras, entidades ligada ao setor florestal da região realizaram diversas reuniões com a Norte Energia para solicitar uma destinação adequada desta madeira. A Associação das Indústrias Madereiras de Altamira e Região (AIMAT), chegou a produzir um documento técnico apresentando soluções para a destinação da madeira, que poderia servir para reativar as indústrias madeireiras da região, paralisadas por falta de matéria-prima legalizada.

A Norte Energia prometeu analisar a questão, mas nunca deu importância. Quando as obras começaram, a orientação para as empresas que realizaram a supressão da vegetação foi a de enterrar o máximo de madeira possível. Trabalhadores que atuavam nesta empresas, ouvidos pela reportagem, confirmaram que a orientação era enterrar a madeira.

Pelos levantamentos feitos pela própria Norte Energia antes da obra, pelo menos 100 quilômetros quadrados de florestas teriam que ser desmatados para a construção da usina. São 62,5 mil hectares. Considerando que cada hectare pode ter no mínimo 35 metros cúbicos de madeira com viabilidade comercial, calcula-se que o montante de madeira comercial em Belo Monte ultrapasse os 2 milhões de metros cúbicos.

Além do prejuízo ambiental, há também o econômico. A madeira em tora é vendida atualmente no mercado por R$ 100,00 o metro cúbico, em média. Ou seja, são mais de R$ 200 milhões enterrados pela Norte Energia e CCBM.

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