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20 Março 2014

Na Roma que se prepara para proclamar João Paulo II solenemente santo no próximo dia 27 de abril, depois da beatificação em tempo recorde ocorrida em 2011, graças à dispensa pontifícia assinada por Bento XVI, o seu magistério em termos de visão antropológica e moral é posto publicamente em discussão dentro da Igreja pela primeira vez. Um magistério, depositado pelo longo pontificado wojtyliano, que é cada vez mais "desatendido, como se não existisse", dizia ao jornal Il Foglio o cardeal Carlo Caffarra há alguns dias.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 19-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em discussão não está (mais) há tempo a dimensão política do pontificado, a ecclesia militans fortemente empenhada na batalha para derrubar o Muro de Berlim, arrancar até o chão a Cortina de Ferro e realizar uma única Europa cristã "do Atlântico aos Urais", mas sim aquela doutrina que regula família e matrimônio, vínculo da indissolubilidade, sacramento ao qual João Paulo II, teólogo moral, dedicou muito do seu trabalho no trono de Pedro.

É sobre isso que a Igreja Católica é chamada a debater daqui até o Sínodo ordinário de 2015, ao qual seguirá a decisiva exortação de Francisco, que vai fazer a síntese do debate aberto no ano passado.

Em questão – e a conferência "de corte teológico" apresentada aos coirmãos cardeais por Walter Kasper deixo isso claro – não está apenas o tema da comunhão aos divorciados em segunda união, mas sim o muito mais amplo ensinamento joão-paulino acerca da doutrina e da pastoral familiar.

Não por acaso, o primeiro objeto do confronto é a Familiaris consortio, a exortação apostólica escrita ao término do Sínodo sobre a Família de 1980, precedido e seguido nos anos posteriores por nada menos do que 134 catequeses sobre o amor humano.

O cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, ouvidíssimo coordenador da consulta instituída pelo pontífice argentino para reorganizar a Cúria romana, havia definido aquele texto como "belíssimo", mas dando a entender que, sobre muitas questões – do gênero às uniões civis, por exemplo –, ele está superado. O purpurado hondurenho defendia a necessidade de adequar o ensinamento católico aos contextos atuais, de modo a ir ao encontro do sofrimento daqueles que se encontram diante do fracasso do próprio projeto de vida.

Sobre o magistério de Karol Wojtyla no campo da teologia moral também interveio recentemente o papa emérito Bento XVI. Ele o fez no livro Accanto a Giovanni Paolo II. Gli amici e i collaboratori raccontano, organizado pelo vaticanista Wlodzimierz Redzioch e publicado pela editora Ares. São muitas as contribuições presentes no grosso volume, de Camillo Ruini ao de Stanislaw Dziwisz, de Tarcisio Bertone ao professor Stanislaw Grygiel.

Bento XVI – que quis pessoalmente cuidar da tradução do seu texto do alemão ao italiano – gasta palavras importantes justamente sobre a encíclica Veritatis splendor, de 1993, que é uma espécie de suma do pensamento moral da Igreja e que "precisou de longos anos de maturação e continua sendo de imutável atualidade".

Joseph Ratzinger vai além ao assinalar a centralidade e lembra que "a Constituição do Vaticano II sobre a Igreja no mundo contemporâneo, contra a orientação da época predominantemente jurisnaturalista da teologia moral, queria que a doutrina moral católica sobre a figura de Jesus e a sua mensagem tivesse um fundamento bíblico".

Porém, "isso foi tentado através de menções somente por um breve período, depois foi se afirmando a opinião de que a Bíblia não tinha nenhuma moral própria para anunciar, mas que remetia a modelos morais válidos de vez em quando. A moral é uma questão de razão, dizia-se, não de fé", escreve ainda o pontífice emérito.

A consequência disso é que "desapareceu, de um lado, a moral entendida em sentido jusnaturalista, mas, em seu lugar, não foi afirmada nenhuma concepção cristã. E, como não se podia reconhecer nem um fundamento metafísico, nem cristológico da moral, recorreu-se a soluções pragmáticas: a uma moral fundada no princípio do balanceamento de bens, na qual não existe mais o que é verdadeiramente mal e o que é verdadeiramente bom, mas somente aquilo que, do ponto de vista da eficácia, é melhor ou pior".

A "grande tarefa" que João Paulo II se deu nesse texto – ainda são palavras daquele que foi o prefeito guardião da fé do pontífice polonês por mais de 20 anos – "foi de rastrear novamente um fundamento metafísico na antropologia, assim como uma concretização cristã na nova imagem de homem da Sagrada Escritura". Daí deriva o convite quase peremptório de Bento XVI: "Estudar e assimilar essa encíclica continua sendo um grande e importante dever".

E se o conteúdo desse documento podia gerar algumas incompreensões, paciência: "João Paulo II nunca se preocupou sobre como as suas decisões seriam acolhidas. Ele agiu a partir da sua fé e das suas convicções, e estava pronto também para sofrer alguns golpes", destacou o papa emérito.

Um exemplo disso está relacionado ao "turbilhão que se desenvolveu em torno da declaração Dominus Jesus", do ano 2000, sobre o ecumenismo. Depois de ter especificado, a uma distância de 14 anos, que esse documento "resume os elementos irrenunciáveis da fé católica", Ratzinger revela que o pontífice polonês lhe disse "que, no Ângelus, pretendia defender inequivocamente o documento. Ele me convidou – são palavras de Bento XVI – a escrever um texto para o Ângelus que fosse hermeticamente fechado e não permitisse nenhuma interpretação diferente. Era preciso vir à tona de modo totalmente inequívoco que ele aprovava o documento incondicionalmente".

Então, conta Ratzinger, "eu preparei um breve discurso; não pretendia, porém, ser brusco demais e, assim, tentei me expressar com clareza, mas sem dureza. Depois de lê-lo, o papa me perguntou mais uma vez: 'Está realmente claro o suficiente?'. Eu respondi que sim".

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