Menos ortodoxia. Estudantes de economia pedem mais espaço para ideias tidas como heterodoxas

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10 Março 2014

Lorde Robert Skidelsky, professor emérito da Universidade de Warwick, encerra a entrevista com uma crítica certeira ao ensino da Economia nas universidades do Reino Unido. “A principal tendência da Economia ensinada no Reino Unido é apenas justificar o status quo.” Na grade curricular, diz, sobram modelos matemáticos e faltam história e política, para que os estudantes entendam como o mundo econômico se relaciona com outras áreas da sociedade.

A entrevista é de Gabriel Boni, publicado pelo Carta Capital, 07-03-2014.

Skidelsky não está sozinho nas críticas. É essa a queixa de um grupo de estudantes da Universidade de Manchester, defensores de uma virada curricular, visto que os modelos ensinados não os ajudaram a prever ou a entender a crise iniciada em 2008. Reunidos no grupo The Post-crash Economics Society (algo como A Sociedade Econômica Pós-crise), os alunos pedem um menor peso para os conceitos “neoclássicos” e mais espaço para as ideias tidas como heterodoxas ou dissidentes.

Profundo conhecedor da obra de John Maynard Keynes, Skidelsky escreveu três premiados volumes sobre a obra e a vida do economista britânico, um abrangente panorama contrário à liberdade irrestrita para a “mão invisível” do mercado. “Hoje Keynes defenderia que muitos dos nossos problemas aconteceram pelo fato de os formuladores de políticas terem adotado medidas errôneas. E o fazem devido ao que lhes foi ensinado.”

Eis a entrevista.

Como Keynes veria o movimento dos estudantes de Manchester? 

Ele estaria bem interessado, ficaria muito desapontado com o que tem acontecido no ensino da Economia e teria uma visão de como isso poderia ser mudado. Keynes defenderia que muitos dos nossos problemas atuais aconteceram porque os formuladores de políticas têm adotado medidas errôneas. E o fazem devido ao que lhes foi ensinado.

A iniciativa pode ter efeitos práticos?

Os estudantes precisam se organizar bem e rapidamente, pois a vida estudantil não dura muito. Precisam de um plano com o que desejam aprender, além de se unir a estudantes de Economia de todo o país. Os interessados possivelmente estão no segundo ano ou na pós-graduação. Há uma janela de oportunidade, espero que possam agarrá-la.

A oportunidade surgiu por causa da crise de 2008?

Sim, ela revelou outras coisas bem podres do sistema. A desigualdade de renda e a distribuição de riquezas estão ainda pior. Há uma distribuição desigual de recompensas, as massas de cidadãos são lançadas para empregos de baixos salários em serviços, nos quais trabalham muito sem a esperança de sair dali. Os cortes de gastos públicos atingiram fortemente muitos cidadãos, que querem saber o que a economia tem a dizer sobre tudo isso. Eles descobriam que muitos problemas reais e clementes nem de perto figuram na Economia ensinada nas faculdades.

Por exemplo?

Especialmente em relação a como os bancos faliram. Os estudantes não aprendem muito sobre como o sistema financeiro funciona. Mas as reformas necessárias e as mudanças na forma como a disciplina é ensinada não virão dos profissionais. É preciso haver pressão de fora, a partir das duas fontes de pressão existentes: dos consumidores do produto, os alunos, e a de professores dissidentes ou heterodoxos, não necessariamente de faculdades de Economia. Eles devem se unir para um plano de reforma real.

Há um movimento nesse sentido?

Quando fui ao Brasil, há três anos, eu trabalhava em uma reforma radical. Agora vamos republicar o projeto, desenvolvido no The Institute for New Economic Thinking, que o abandonou por achá-lo muito radical. Mas é uma plataforma que pode ser desenvolvida. Ali está a maioria das coisas que os estudantes deveriam pedir: mais história da Economia, mais informações sobre os grandes choques de ideias e menos modelos matemáticos. Mais sobre as finanças comportamentais, psicologia, antropologia, política e economia política, para mostrar as complicações práticas da economia, sem tratá-las como escolhas isentas de consequências políticas.

Quais pontos foram considerados muito radicais?

Queríamos, por exemplo, fazer da História da Economia uma disciplina compulsória. E trazer o trabalho de grandes economistas para odebate, como Keynes, Hayek, Schumpeter e Christopher Freeman, nada que os estudantes ouviram falar, ao menos não na Inglaterra. E fazer o curso mais focado em tópicos de interesse e ver como a teoria se desenvolveria a partir dos exemplos. A principal tendência do que é ensinado no Reino Unido é apenas justificar o status quo.

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