Revolução de gênero: três mitos a desmascarar. Artigo de Marguerite Peeters

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07 Março 2014

Embora o seu conteúdo seja de uma violência sem precedentes, aberrante, a revolução do gênero utiliza estratégias e técnicas de transformação social doces, que a tornam muitas vezes imperceptível.

A opinião é da teóloga Marguerite Peeters, professora da Universidade Urbaniana de Roma e diretora do Institute for Intercultural Dialogue Dynamics. O artigo foi publicado no jornal L'Osservatore Romano, 04-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Comecemos desmascarando três mitos que nos paralisam na resposta que somos chamados a dar à revolução do gênero. Porque, indubitavelmente, trata-se de uma revolução. Muitos acreditam que o gênero é um projeto exclusivamente homossexual e, portanto, minoritário. Pois bem, historicamente, o gênero tem uma dupla origem. E hoje tem uma dupla aplicação: feminista radical e homossexual.

Essas duas interpretações são inseparáveis. O seu elemento comum é considerar a identidade masculina e a feminina, a complementaridade entre homem e mulher, a vocação nupcial da pessoa humana, o matrimônio entre um homem e uma mulher, a família fundada no matrimônio, a paternidade e a maternidade, a vocação educativa do pai e da mãe, a filialidade, assim como outras tantas construções sociais como contrárias à igualdade e à liberdade civil e discriminatórias, em particular para as mulheres e os homossexuais.

Portanto, é preciso desconstruir sistematicamente esses supostos estereótipos, que, na realidade, são dados constitutivos fundamentais de toda pessoa humana. É preciso desconstruí-los com todos os meios, educativos acima de tudo, mas também políticos, legislativos, culturais (modas, música, filmes, linguagem).

É essa a essência da subversão realizada pela revolução do gênero. Ele vai muito além, é evidente, das agendas feministas radicais e homossexuais. Trata-se de refundar a sociedade em uma "humanidade nova", "libertada" dos termos homem e mulher, pai e mãe, marido e esposa, filho e filha, matrimônio e família, que não teriam mais direito de cidadania.

Na sociedade atual, sexualmente indiferenciada, não restariam senão cidadãos-indivíduos, "libertados" do que são, isto é, pessoas predispostas ao amor e à felicidade. Com efeito, o amor não pode ser individualista; é sempre pessoal. O objetivo da revolução do gênero é permitir que todos os cidadãos- indivíduos do mundo tenham acesso ao prazer sexual "sem obstáculos" e ao poder de se autodeterminarem fora da própria identidade sexual.

Segundo mito: o gênero não é uma "teoria" estranha, capaz de seduzir apenas certas populações ou maiorias parlamentares, por exemplo na França com a lei do casamento para todos. Ela se torna norma política universal na Quarta Conferência Mundial da ONU sobre as Mulheres de 1995, e, desde então uma das prioridades transversais do governo mundial, a perspectiva do gênero é aplicada em quase todo o mundo e diz respeito a todos.

Embora o seu conteúdo seja de uma violência sem precedentes, aberrante, a revolução do gênero utiliza estratégias e técnicas de transformação social doces, que a tornam muitas vezes imperceptível, da qual as maiorias ainda não tomaram consciência. Não queremos ser carneiros de Panúrgio, não é verdade? Por seguir passiva e estupidamente o carneiro, recusando-se a se autodeterminar livremente, todo o rebanho se jogou no oceano e se afogou.

Por fim, o gênero não foi puxado para fora do chapéu há alguns anos: ele se insere em um longo processo de revolução cultural ocidental do qual ele é o prolongamento lógico. As suas origens, na nossa história, remontam ao século XVIII. Não esqueçamos que o Manifesto do Partido Comunista de Karl Marx foi publicado em 1848: 69 anos antes da revolução bolchevique.

Passaram-se 58 anos desde que a interpretação ideológica do termo gênero apareceu pela primeira vez nos Estados Unidos. Mas mais de dois séculos e meio nos separam da época em que os valores universais de igualdade e de liberdade se afirmaram – felizmente, além do mais, tendo favorecido o desenvolvimento do sentido da dignidade de toda pessoa humana –, sendo já então mal interpretados pelos filósofos e por outros atores influentes, de um modo que marcou a nossa história até hoje, e do qual o gênero é o último fruto.

A onda assassina de um tsunami é percebida apenas quando se aproxima da costa.

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