Papa Francisco convoca tesoureiros das congregações religiosas para cúpula sobre uso do dinheiro

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05 Março 2014

O Papa Francisco convidou os tesoureiros das milhares de ordens religiosas católicas de todo o mundo para um encontro em Roma esta semana a fim de discutir as possibilidades de usar os recursos financeiros no “serviço à humanidade”.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 03-03-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A conferência de cúpula, a primeira deste tipo, focaliza a riqueza das ordens. No ano passado, o papa incisivamente pediu aos líderes das ordens religiosas que avaliassem a gestão de seus recursos, em especial a dos mosteiros e conventos não ocupados que, nos últimos anos, vêm sendo usados para fins não religiosos, tais como hotéis e restaurantes.

O evento, que será realizado no Vaticano nos dias 8 e 9 de março deste ano, não foi anunciado publicamente, mas espera-se que deva atrair centenas de representantes dos cerca de 900 mil religiosos e religiosas de todo o mundo. Estão programadas 15 palestras/debates sobre questões que vão desde o uso das propriedades da Igreja a dívidas financeiras e solidariedade econômica.

“Muitas vezes a economia desempenha um papel definidor na história humana e na história religiosa, e de modo particular na cultura contemporânea”, afirma uma carta enviada aos superiores gerais das ordens religiosas que, ao mesmo tempo, anunciava o encontro.

“Por um lado, dentro desta cultura os religiosos (e as religiosas) são praticamente induzidos, forçados, a se envolverem nos mecanismos das leis da economia moderna”, lê-se na carta. “Por outro lado, eles e elas estão cientes de que podem correr o risco de perder suas verdadeiras identidades”.

Datada de 1º de janeiro, a carta é assinada por Dom José Rodriguez Carballo, secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. A correspondência – enviada em italiano, inglês e espanhol, dependendo do idioma que cada ordem adota – afirma que o encontro foi um “pedido do Santo Padre”.

Embora o evento não tenha sido divulgado publicamente, o National Catholic Reporter obteve acesso a cópias da carta e da programação inicial. O encontro intitula-se: “A gestão dos bens eclesiásticos dos Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica no serviço à humanidade e à missão da Igreja”.

Ainda que seja desconhecido quantos tesoureiros virão a Roma para participar no evento, um membro de uma ordem religiosa que estará presente disse que a congregação precisou finalizar as inscrições para o encontro devido a questões de espaço.

Um membro de outra ordem religiosa disse que o convite para o evento foi enviado aos tesoureiros das ordens religiosas em todo o mundo, iniciativa que ele considerou incomum já que normalmente convites para um evento assim estariam limitados para as ordens que têm sede em Roma.

Entre os 19 palestrantes no evento estão três dos Estados Unidos: a irmã dominicana Peggy Ann Martin; o diretor executivo Kerry Robinson (do National Leadership Roundtable on Church Management, organização católica norte-americana de leigos, religiosos e sacerdotes voltada a gestão financeira e de recursos humanos da Igreja nos EUA); e Dom Joseph Tobin, arcebispo de Indianápolis (Indiana), membro da Ordem dos Redentoristas.

O Papa Francisco criticou o sistema econômico global inúmeras vezes durante seu papado, e mesmo questionou o sistema capitalista como um todo em sua exortação apostólica “Evangelii Gaudium” [A Alegria do Evangelho].

Ao mencionar especificamente as “teorias de gotejamento”, na exortação o papa escreveu que elas expressam uma “confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante”.

Em setembro, quando falava num centro de assistência para refugiados estrangeiros na Itália, Francisco apelou especificamente às ordens religiosas para que reavaliassem a gestão que faziam de seus recursos financeiros.

“Conventos não ocupados não servem à Igreja de forma que eles podem ser transformados em hotéis para gerarem dinheiro”, disse na ocasião Francisco, membro da ordem dos jesuítas. “Conventos vazios não são nossos, são para a carne de Cristo, que são os refugiados”.

Entre outras apresentações programadas para o evento no Vaticano estão as seguintes:

– “Imóveis da Igreja e suas finalidades, segundo o Direito Canônico”: padre jesuíta Yuji Sugawara, decano da faculdade de Direito Canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana;

– “Caridade, justiça e legalidade. Os recursos dos institutos e das ordens”: padre dominicano Miroslav Konštanc Adam, reitor da Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, conhecida como Angelicum;

– “A relação entre o serviço à autoridade e o serviço para a economia, na boa gestão do instituto”: irmão Álvaro Rodríguez Echeverría, superior dos Irmãos Lassalistas;

– “O projeto missionário e as escolhas econômicas”: irmã Yvonne Reungoat, superiora geral das Filhas de Maria Auxiliadora;

– “Em direção a uma economia profética, comunitária com solidariedade”: irmã Evelyne Franc, superiora geral das Filhas da Divina Caridade.

Entre outros que participarão no evento, estão o cardeal João Braz de Aviz, presidente da Congregação; o padre jesuíta Adolfo Nicolás, superior geral da Companhia de Jesus; o monsenhor Alberto Perlasca, funcionário da Secretaria de Estado do Vaticano; e Marco Impagliazzo, presidente da Comunidade de Santo Egídio, em Roma.

No sábado a Irmã Peggy Ann Martin falará sobre as vantagens e desvantagens de os institutos terem ministérios reconhecidos como “pessoa jurídica pública”, um arranjo formal que permite aos ministérios das ordens religiosas, tais como o da saúde, serem ulteriormente supervisionados pelo Vaticano, e não pelas ordens religiosas de forma individual.

O evento deve contar com interpretação simultânea em italiano, inglês e espanhol.

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