“Os Legionários de Cristo tinham um sistema muito autoritário”, admite o diretor-geral

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Por: André | 03 Março 2014

O sacerdote Eduardo Robles Gil (Cidade do México, 1952) acaba de ser eleito diretor-geral dos Legionários de Cristo. Depois de três anos e meio em que a congregação religiosa estava mergulhada em um processo de profunda renovação, o padre Robles Gil olha o futuro com esperança. O próprio Papa Francisco o animava ontem, quinta-feira, “a seguir em frente”, após um breve encontro depois da audiência-geral e alguns minutos antes de receber o ABC.

A entrevista é de Laura Daniele e publicada no jornal espanhol ABC, 27-02-2014. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como os Legionários de Cristo encaram o seu futuro?

Com muita alegria, esperança e confiança no novo governo. Também agradecidos porque em todo este tempo a Igreja esteve muito próxima de nós. Acabo de saudar o Papa na audiência geral e ele me disse: “Eu te apoio. É preciso confiar no futuro, é preciso olhar para frente”.

Quais são os principais desafios que a congregação precisa enfrentar?

Do ponto de vista interno temos um grande desafio de unidade, porque embora estejamos bastante unidos, há membros que sinceramente têm desconfiança em relação ao futuro e que devem ser acompanhados com especial cuidado. Também há outro desafio que é o de tomar um ritmo de apostolado e de missão mais forte. Agora que já terminamos de analisar as constituições e estamos à espera de que o Papa aprove as novas, temos que fazer o esforço de viver bem, e com nossos matizes, nossa vida religiosa. Para fora, temos que sair com um novo ímpeto.

Uma das palavras que mais saiu do Capítulo foi “renovação”. Em que consistirá esta mudança?

Para nós, como religiosos que passamos por uma época trágica, obscura e triste – de fato alguns legionários abandonaram a congregação –, a renovação implica uma renovação no espírito. Isto é muito importante. Também temos que nos renovar em algumas formas de fazer as coisas, o que a Igreja nos pediu. Nós tínhamos um sistema muito centralizado, autoritário e agora temos um sistema muito mais participativo, onde se delegaram muitas funções às diferentes comunidades. Também há uma parte da renovação que tem a ver com a vida comunitária. Vemos que podemos ter uma vida comunitária melhor, mais dialogada, mais paterna.

O Capítulo reconhece e reprova em uma nota o mal causado por Maciel. Que consequências tem esta postura pública em relação ao fundador?

Por um lado, é um reconhecimento formal da máxima autoridade da congregação, que é o Capítulo Geral que se reuniu de 08 a 25 de fevereiro. Confirma algo já feito pelo diretor-geral que é o reconhecimento das faltas do padre Maciel, que não pode ser tomado como modelo de vida religiosa e sacerdotal. É uma tomada de postura frente ao passado, na qual reconhecemos nossa responsabilidade e também agradecemos a intervenção da Igreja, que nos ajudou muito a viver este tempo de uma maneira mais serena e tranquila. Por outro lado, significa uma renovação, um ponto de referência novo para os legionários no futuro.

Ainda há membros dentro dos Legionários de Cristo que pensam que os abusos e a dupla vida de Maciel eram calúnias?

Nós dissemos durante muito tempo que eram calúnias, porque sinceramente assim o pensávamos. O que nós sabíamos era que se tratava de um homem que nos impulsionava a amar o Papa, a Igreja, a viver entregues aos outros, a buscar a santidade na identificação com Cristo. Esta era a faceta que conhecíamos. Quando saem as graves acusações, nós as desmentimos, porque o que era óbvio para nós era a outra imagem que dele tínhamos. Foi a intervenção de Bento XVI que nos disse que chegaram a uma conclusão real dos fatos  e que nos abriu os olhos. Então, reconhecemos publicamente a dupla vida do fundador. Manifestamos a dor pelas vítimas e pedimos perdão por não ter administrado bem a informação.

De alguma maneira também foram vítimas do padre Maciel...

O cardeal Velasio de Paolis dizia na missa de encerramento do Capítulo que os Legionários de Cristo também foram vítimas de Maciel. Para alguns de nós, foi uma pena tão grande que nos fez repensar a vocação legionária. Outros deixaram a congregação. Podemos dizer que há vítimas internas.

Por que o Papa escolheu dois conselheiros para o Governo dos Legionários de Cristo?

O Papa e a Igreja em geral estavam preocupados com o nosso futuro, por isso se reservou em primeiro lugar a confirmação do diretor que nós havíamos eleito. Nós falamos de um certo clima de intranquilidade dentro dos Legionários. Eles sabiam disso. Era uma maneira de dar maior tranquilidade à eleição elegendo dois conselheiros que são estimados por alguns legionários e que, possivelmente, não se sentiam identificados com o governo eleito. Eu represento antes os sacerdotes mais idosos. Além disse, estive nas casas de formação enquanto que o padre Arrieta e o padre Sabadell estavam em Roma e são religiosos mais jovens. É assim que eu o interpreto. Não nos explicaram o porquê. Eu o vejo como uma busca do Papa de que no governo geral estejam representados todos os legionários.

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