Müller e a Teologia da Libertação “normalizada”

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Por: Jonas | 28 Fevereiro 2014

Pobre e para os pobres”. As palavras do Papa são também o título do mais recente livro de Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Um texto que parece ser o passo definitivo para uma Teologia da Libertação “normalizada”. O volume, que conta com o prólogo de Francisco, foi apresentado em um auditório do Vaticano, a alguns passos da Praça de São Pedro, e com um relator surpresa: Gustavo Gutiérrez.

Müller é o principal artífice dessa “normalização” de uma corrente de pensamento que ainda provoca ardentes debates na América Latina. Ele é, há décadas, amigo pessoal de Gutiérrez, “pai” dessa teologia. Após a apresentação do livro, o recente cardeal alemão explicou aos jornalistas a razão pela qual a apoia sem hesitar.

A entrevista é publicada por Vatican Insider, 27-02-2014 . A tradução é do Cepat.

Foto: Vatican Insider

Eis a entrevista.

Em seu momento, por que a Teologia da Libertação gerou polêmica?

Quando se está desenvolvendo uma teologia, existem circunstâncias do contexto e são apresentadas questões que precisam ser esclarecidas. A Teologia da Libertação começou com a “Gaudium et Spes”, que contém uma nova definição das relações entre a Igreja e o mundo. A Teologia da Libertação era uma grande aplicação deste documento da Igreja à situação da América Latina.

Então, qual era o problema? Por que não funcionava?

Sim, funcionava. As duas instruções (da Congregação para a Doutrina da Fé, publicadas nos anos 1990) não rejeitaram a Teologia da Libertação. Nessa etapa da história era muito presente o comunismo soviético e existiam muitas pressões dessa ideologia. Quando nós falamos dos pobres, fazemos isso de uma maneira muito diferente dos comunistas. Não sonhamos com um paraíso terreno. Eles sempre reclamaram à Igreja que o cristianismo fala apenas do céu, mas nós não podemos dizer que falaremos apenas da terra. O homem é um ser que vive nesse mundo, mas possui ao mesmo tempo uma vocação universal, eterna, divina. Devemos integrar a responsabilidade, aqui, pela sociedade, justiça social, paz, sustentando sempre a dignidade humana, com a visão transcendente.

Essa é a tarefa da Igreja de hoje, a de entrar na agenda da sociedade moderna e, ao mesmo tempo, dizer que o fim último é Deus. É ruim quando se esquece desse último fim do homem. Não podemos argumentar contra a dignidade humana, porque não apenas os ricos e os poderosos não devem suprimir os pobres, explorar aos doentes menos poderosos. Apenas tendo como referência Deus, podemos falar da igualdade, da equidade dos homens.

Então, a Teologia da Libertação já está purificada de qualquer influência negativa?

Purificada não, foi esclarecida. Também em outras etapas da história da Igreja existiam discussões sobre os novos desafios. Nós somos homens, devemos discutir, encaramos o diálogo e, às vezes, até brigamos de uma maneira fraterna. Porém, não pode haver guerras de um contra o outro. Sempre deve ocorrer uma discussão séria, porque existem diversas perspectivas sobre um assunto, mas todos bebemos da fonte da doutrina da Igreja. A teologia é necessária para o desenvolvimento, para a atualização da doutrina da Igreja, que como tal é sempre a mesma.

Seu livro pretende ser um exercício definitivo de explicação, de “normalização”?

Sim. Os livros também possuem a tarefa de superar alguns preconceitos ou a falta de informação. Muitos preconceitos vêm de uma falta de comunicação, quando a gente fala muito superficialmente ou com palavras muito ligeiras, preconceituosas. Isso também é necessário para o estudo, o conhecimento e para buscar uma boa avaliação.

Como foi sua relação com Gustavo Gutiérrez?

Quando eu comecei como teólogo, ele já havia finalizado. Foi uma relação mútua, eu aprendi muito dele, discutimos muito os pontos problemáticos da Teologia da Libertação.

Os tempos amadureceram para a beatificação de dom Romero?

A Congregação para as Causas dos Santos tem a responsabilidade, mas cabe a nós dar o “nihil obstat” (sinal verde), porque nada nesse bispo é contra a ortodoxia. Lemos, estudamos todos os seus escritos, seus livros e homilias, estamos convencidos de maneira unânime que não existe objeção alguma na doutrina. Essa é a avaliação de nossa congregação, o resto deve prosseguir na dos Santos.

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