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O vídeo que o Papa Francisco gravou com um iPhone. Um comentário de Antonio Spadaro

O Papa Francisco gravou um vídeo com um iPhone convidando os cristãos à unidade.

A análise é do jesuíta Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica, publicada no blog CyberTeologia, 21-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

1. O Papa Francisco abraça plenamente a lógica relacional da comunicação. O vídeo é gravado por um bispos não católico amigo do papa há anos. A gravação ocorre para que ela seja compartilhada com outros dentro de uma assembleia de oração. Nesse sentido, o papa reconhece o fato de que comunicar não significa simplesmente transmitir, mas sim compartilhar em um contexto de relações. Portanto, é sempre um testemunho. O vídeo tem um forte corte testemunhal.

2. O Papa Francisco não tem nenhum problema em mostrar a sua dificuldade em falar inglês. É sempre ele mesmo. Ele diz algumas palavras e depois passa para o italiano (não ao espanhol), mas dizendo que, na realidade, ele fala a língua do coração, que tem uma gramática simples. O papa, assim, parece autêntico, simples, sem filtros, sem necessidade de sets ou de luzes ajustadas. É ele mesmo, natural, à vontade. Resolvido.

3. O papa envia uma mensagem elevada, mas o faz de maneira simples e apelando a dois sentimentos: a nostalgia e a alegria. A sua mensagem é a do compromisso ecumênico. Ele se reconhece irmão entre irmãos. Diz que sente alegria e nostalgia. Alegria porque fala a irmãos que rezam, e isso leva a entender como o Senhor está agindo sempre e em todo o lugar. Mas também com nostalgia, nostalgia do abraço entre os cristãos. Porque os cristãos estão divididos. Falta-lhe esse abraço. As divisões entre os cristãos existem e são culpa dos nossos pecados, diz. Só o Senhor é justo. Ele sente a necessidade de convidar àquele pranto que reconcilia. Portanto, a sua mensagem se modula em dois níveis: o compromisso ecumênico a superar as divisões e os sentimentos de nostalgia e alegria. O sentimento de alegria é o primeiro, porque diz a unidade, o abraço agora possível e necessário.

4. O papa comunica essa mensagem elevada e comprometedora usando um meio pop como o iPhone e com uma mensagem que vai, acima de tudo, a pessoas reunidas e depois vai também a uma plataforma pop como o YouTube. Não só isso: nessa mensagem simples e direta, ele cita Alessandro Manzoni. Não há mais distinção entre alto e baixo, entre cultura que se transmite em formas altas e cultura pop que se transmite em formas populares.

5. O papa se volta a cristãos pentecostais, que representam uma grande solicitação para as Igrejas, especialmente as mais jovens. Nesse sentido, o papa abraça essa realidade, pede para rezar. Aceita a solicitação e a coloca em um plano de fé e de comunhão fraterna. A resposta do bispo protestante no seu discurso de apresentação desse vídeo é eloquente. A propósito dos protestantes, ele afirma: "The protest is over!" (O protesto acabou) [assista aqui].

Esse vídeo é tão natural e simples que revela um grande desafio para a missão da Igreja no nosso tempo.

* * *

Assista ao vídeo abaixo:

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"pouca densidade atribuída "às ruas" ... e o stf??? prá mim não está definido ... ainda ..." Em resposta a: O xadrez do novo normal jurídico
"Gostei dessa mulher. É com gente deste tipo que se faz uma Nação." Em resposta a: Hebe de Bonafini reconheceu ter se equivocado com o Papa Francisco e se diz orgulhosa: “Ele é peronista”

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