A revolução de Francisco contra os mandarins do Vaticano. Artigo de Eugenio Scalfari

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20 Fevereiro 2014

Passou quase um ano desde que Jorge Bergoglio foi eleito papa. É já são evidentes os efeitos das suas reformas.

A opinião é de Eugenio Scalfari, jornalista e fundador do jornal italiano La Repubblica, 19-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Passou quase um ano desde a eleição de Jorge Bergoglio ao sólio de Pedro, e agora toda a Igreja tem confiança nele, os fiéis sobretudo, pela sua grande capacidade de comunicador, pela sua abertura ao diálogo, pelas suas imagens de uma Igreja pobre e missionária, pela sua fé no Deus misericordioso para com todos.

Mas não só os fiéis lotam as igrejas e as praças para ouvi-lo; também as estruturas institucionais, na Itália e em todo o mundo, o apoiam sem mais as reservas iniciais que não eram nem poucas nem marginais. Apoiam-no e apontam para o sucesso da sua ação reformadora os bispos de todas as nações cristãs da América Latina, da América do Norte, da Europa, da África, da Ásia, da Oceania; apoiam-no os cardeais, a Cúria, as Conferências Episcopais, os presbíteros, as comunidades, as Ordens religiosas, as universidades católicas, os oratórios, os protestantes. Estimam-no e querem dialogar com ele os rabinos e as comunidades judaicas, os imãs que pregam o Alcorão e até – até – os não crentes.

Roma tornou-se novamente a capital do mundo. Não a Itália, mas Roma, a cidade do Papa Francisco, é o centro do mundo; não Washington, não Brasília, não Pequim, não Nova Deli, não Moscou, não Tóquio, mas Roma. Isso não ocorria há 2.000 anos, mas agora é assim.

Portanto, um triunfo em apenas um ano ainda não completo. Aparentemente é assim. Substancialmente também, mas apenas em parte, e, devo acrescentar, em pequena parte, ao menos no que se refere à estrutura vaticana e que Francisco chama de a Instituição: a Igreja que tem como principal objetivo a sua conservação e o poder, o temporalismo que deles derivam. A que Francisco degradou em notável medida à categoria de "intendência", a que deve fornecer os serviços necessários para a Igreja combatente e missionária. Em suma, os mandarins, como os chamariam na China.

Sempre houve os mandarins da Igreja Católica depois dos três primeiros séculos da Igreja patrística. Eles certamente tiveram uma função histórica nada desprezível; evangelizaram a Europa e as Américas, continuamente atualizaram e reformaram, modernizaram a Instituição e a sua linguagem, o seu modo de se propor ao povo dos fiéis e às potências políticas europeias. Combateram guerras não só teológicas, mas também com lanças e espadas e espingardas e canhões e navios e cavaleiros e inquisições e perseguições. Derrotas e vitórias e cismas, heresias e vinganças e intrigas e diplomacias e dogmas e excomunhões.

Essa foi a história do Papado e da Igreja; não em intervalos, mas continuamente. Uma Igreja vertical muito pouco apostólica. Vinte e um Concílios em 2.000 anos; muitos sínodos, mas com poucos poderes. Entrelaçada à história dos reinos e dos poderes políticos, França, Espanha, Inglaterra, príncipes eleitores da Alemanha, Bizantinos, Sarracenos, imperadores e califas. Muitas vezes, a Igreja perdeu, muitas vezes venceu, sozinha com as excomunhões, ou com as armas, aliando-se ao vencedor.

Mas não foi somente isso. Foi também a Igreja missionária, a Igreja pobre, a Igreja mártir, a Igreja do amor e da misericórdia. Mas o núcleo desse amplo leque sempre foi segurado nas mãos pela Instituição.

Agora – e pela primeira vez – a Instituição está sob o risco de perder o seu status de guia. Em parte, já o perdeu, mas não totalmente. Os mandarins ainda existem. Fizeram ato de submissão, se alinharam, mas ainda combatem. Como? Eles acreditam que podem convencer Francisco a implementar boas reformas, mas não uma revolução, jogando com a dupla natureza do Papa Bergoglio, que, como todos os homens que têm cabeça e coração e, portanto, contradições dentro de si, podem obter a partir dessas contradições riqueza, plenitude e harmonia entre intelecto e alma, ou confusão e incoerência.

Os mandarins sempre estiveram no passo dos tempos, mas com cautela, prudência, comprometidos com o fortalecimento do seu papel. Francisco, não esqueçamos, nasceu e cresceu na Companhia de Jesus. Ele ainda se sente jesuíta? Mas ele escolheu se chamar Francisco, como até agora nunca tinha acontecido. O que significa essa mistura? Como se pode colocar o pobrezinho de Assis ao lado de Inácio de Loyola? Basta a fé em Cristo? Mas quem é Cristo para o Papa Francisco e quem é para os mandarins que ainda proliferam, e não só no Vaticano?

* * *

A uma das perguntas aqui formuladas eu me dei uma resposta; naturalmente, é a minha, e deriva apenas do que eu acredito ter entendido do Papa Francisco, que, a meu ver, ainda está identificado com a cultura e o testemunho que a Companhia de Jesus deu da Igreja durante cinco séculos.

Hoje, a Companhia é muito menos poderosa do que antigamente; outras forças nasceram no tecido da Instituição; o clero regular perdeu parte do seu papel, e os jesuítas não têm mais o primado da cultura e da educação da juventude católica. O chamado Papa Negro, isto é, o geral da Companhia, definitivamente declinou, e o "perinde ac cadaver", que ainda é o lema da Companhia, não tem mais nenhum significado real.

Além disso, nunca teve, porque os contrastes entre o Papado e a Companhia foram frequentes e, por nada menos do que duas vezes, levaram ao isolamento dos jesuítas e à sua expulsão de alguns países europeus, começando pela França, com o beneplácito do Vaticano.

No entanto, a cultura jesuítica e, principalmente, a práxis comportamental que é ensinada aos seus noviços e aos católicos que frequentam as suas escolas, as suas universidades e os seus exercícios espirituais ainda é de alto nível e de notável sugestão. Consiste sobretudo em três pontos: a vocação missionária fundada não no proselitismo, mas na escuta e no diálogo com os diferentes; a capacidade de guiar, de entender e de algum modo de influenciar nos processos da sociedade onde a Companhia está presente; dividir-se entre si, identificando-se com processos tão diferentes uns dos outros, mas permanecendo profundamente ligados à Companhia e aos seus órgãos centrais. Em suma, uma espécie de jogo de papéis no quadro de uma representação da qual eles são os atores principais.

Antigamente, já o disse, o seu poder na Igreja e nos países católicos da Europa foi de altíssimo nível; além disso, a Companhia foi fundada por Inácio para combater o cisma luterano e limitar as suas consequências. De que modo? Não lhe opondo o conservadorismo, mas sim uma forte reforma. Os leigos e os protestantes a chamaram de contrarreforma, dando um significado conservador a essa palavra, mas não foi assim, e basta lembrar a ação pastoral dos Borromeo, Carlos e Frederico, e sobre este último há um amplo relato em Os noivos, de Manzoni.

O Papa Bergoglio é intrínseco à cultura e à práxis da Companhia, e certamente não é por acaso que ele é o primeiro Pontífice que dela provém em uma fase de extrema laicização do mundo e de extremo isolamento da Igreja. Ele quer uma Igreja missionária, assim como a Companhia a desejou e praticou; ele exorta os padres regulares e os seculares a compreender o ambiente em que operam e adequar a ele o seu cuidado das almas, mas também os exorta a se confrontar com culturas religiosamente diferentes, com particular atenção a aberturas de diálogo com não crentes e ateus. E o Papa Bergoglio quer transformar a Igreja nesse sentido, o papel dos Bispos e das Conferências Episcopais, o papel da Cúria, sem nunca abandonar a doutrina nem desmontar a arquitetura dogmática, no máximo interpretar o seu significado.

Os jesuítas são mestres na casuística ou, melhor, são até os seus inventores, e Bergoglio, como papa, é o mestre dos mestres. Nas suas mãos, a casuística deu um salto de qualidade e se tornou uma visão plúrima do mundo, um leque muito amplo de posições diversas e contraditórias para serem geridas direcionando-as a uma convivência profícua e de recíproca compreensão e respeito.

Eis uma fidelidade à Companhia de 24 quilates. Mas o jesuíta Bergoglio, eleito ao sólio de Pedro, não se chama, como também poderia, Inácio, mas sim Francisco, com referência explícita ao santo de Assis. Ninguém nunca tinha assumido esse nome na história do papado. Um jesuíta se chama Papa Francisco. Qual é o significado e o sentido dessa aparente contradição?

* * *

Muitos pensam que Francisco de Assis – depois de uma "jeunesse dorée" que terminou bastante mal, que foi seguida por uma radical conversão, ao menos no início vivida pelo seu valor expiatório – foi uma espécie de fundamentalista da Igreja dos pobres: pés descalços ou com sandálias mesmo nos mais rígidos invernos, nenhum recurso individual, escassíssimos recursos da comunidade dos freis e fruto de esmolas mais espontâneas do que procuradas e pedidas, fidelidade total a Cristo, fraternidade e amor entre os seguidores de Francisco, ausência de conventos acolhedores antepondo uma itinerância quase contínua, amor pelo próximo a socorrer, poucos contatos com a Igreja oficial e institucional, identificação com a virtude, a natureza, a oração, a poesia que brota da alma, nenhum temor pela "nossa irmã, a morte corporal", porque a alma é imortal, e a vida, apenas uma passagem.

Esse relato da iniciação de Francisco e dos seus companheiros capta, sem dúvida, alguns aspectos comuns da Igreja pobre por eles praticada e pregada, mas ignora outros não menos importantes.

Por exemplo, os contatos que, a partir de um certo momento, Francisco teve e cultivou com os dignitários da Igreja e com o papa, quando decidiu consolidar em uma Ordem e nas suas regras as comunidades dos seus seguidores, dar-lhes uma sede, permanecendo firme a prática itinerante intercalada, porém, com paradas não de repouso, mas de contemplação do Espírito e de si mesmos.

Os contatos com a Igreja oficial foram longos e bastante complexos. A Cúria não era muito propensa a reconhecer uma Ordem daquela natureza, no mesmo momento em que a Igreja já estava no meio das suas lutas temporais e ainda estava lidando com a secular questão das investiduras, depois da vitória plena do Papa Gregório VII em Canossa. Uma luta pelo poder da qual Francisco e os seus seguidores eram totalmente alheios ou, melhor, totalmente avessos.

No fim, foi o próprio papa que recebeu Francisco, enchendo-o de louvores e compartilhando a ideia de que houvesse uma Ordem como ele propunha, mas condicionando a sua aprovação a modificações não marginais das regras propostas por Francisco. As negociações duraram muito tempo.

No fim, grande parte das modificações foram aceitas pela comunidade franciscana, e a Ordem nasceu. Seria longo e fora de lugar, aqui, dar conta dessa complexa história que, além disso, foi amplamente examinada pelos historiadores da Igreja. Lembro, porém, que Francisco teve contatos com o papa e com seus dignitários, mas a sua itinerância o levou a várias regiões da Itália e até à Terra Santa, onde as Cruzadas tinham posto aquelas terras há muito tempo sob ferro e fogo, criando principados cristãos, exércitos fixos e Ordens militares e religiosas ao mesmo tempo.

Francisco conheceu os seus chefes e muitos cavaleiros, mas também conheceu alguns dos chefes sarracenos e com alguns deles rezou ao Deus que é universal e de cujo nome ninguém deveria se apropriar e fazer bandeira de guerra. Alguns dos cristãos da Terra Santa se convenceram do que Francisco pregava, e se convenceram até mesmo alguns dos chefes sarracenos por ele encontrados que o frequentaram e até o hospedaram por alguns dias, demonstrando amizade à pessoa e respeito pela fé por ele manifestada com relação ao "Deus de todos".

* * *

Essas são as características salientes, mesmo que mencionadas de modo extremamente sintético, da Companhia fundada por Inácio e da Igreja pobre guiada pelo santo de Assis. Há, entre as duas Ordens e principalmente entre os seus fundadores, alguns traços comuns; especialmente a fé em Jesus Cristo e na Igreja, sua mística esposa; mas as diferenças são muito prevalentes. O Papa Francisco traz consigo e dentro de si essas duas poderosas manifestações de religiosidade, de papel e de comportamentos.

Eu me perguntei se se tratava de uma contradição aparente ou substancial, e a resposta que eu me dou é: substancial.

Inácio também teve alguns momentos de misticismo, mas não foi sobre que ele apoiou a sua ação; ele amava os místicos, considerava-os indispensáveis para a Igreja, mas a sua fé estava enraizada na sua cabeça e não apenas no seu coração. Desse ponto de vista, o Papa Francisco se assemelha muito a ele.

O santo de Assis, ao invés, viveu em um estado de misticismo e de identificação com Cristo quase permanentes. Bastaria a sua relação de doçura e de diálogo contínuo com a natureza "sive Deus", os estigmas nas suas mãos, o amor espiritual com Clara, que esteve ao lado dele no momento saliente da sua vida.

Que eu saiba, por aquilo que eu captei no Papa Francisco, esse aspecto saliente de misticismo e transfiguração não existe nele. Há a admiração, e eu gostaria de dizer adoração pelo santo do qual tomou o nome.

A identificação entre essas duas figuras, no entanto, se realiza em um plano igualmente importante, que é o do amor ao próximo, da misericórdia difundida a todas as almas, da Igreja pobre e missionária que dialoga com todos, que está perto de todos os fracos, de todos os pobres, de todos os excluídos, da identificação dessa Igreja com o povo de Deus e dos seus presbíteros com o cuidado das almas, dos Bispos sucessores dos apóstolos, das Comunidades dedicadas ao voluntariado, das ovelhas perdidas e dos "filhos pródigos" que voltam porque sentiram no seu profundo que estavam sendo buscadas.

A Igreja-instituição não foi a pregada por Jesus, senão em parte. Por séculos e até por milênios, a prioridade de papel foi da Instituição consciente do valor da Igreja pobre, mas dedicada principalmente ao exercício do poder e, portanto, da temporalidade, embora atualizada aos tempos, mas dedicada ao fortalecimento e à ampliação da temporalidade.

O Papa Francisco sempre esteve em guerra contra a primazia da temporalidade. Ele é flexível e consciente e conhecedor da força dos seus adversários, é astuto na gradualidade e na necessidade de compromissos, mas também é sagaz para captar o momento do ataque radical dos obstáculos que os mandarins lhe opõem. Em suma, é uma guerra e vai durar por um longo tempo.

Ratzinger não tinha se dado conta dessa realidade. Ele viveu os breves anos do seu pontificado como uma espécie de Show de Truman, uma cidade totalmente fictícia construída por uma poderosa empresa televisiva e habitada por funcionários dessa empresa, da qual o protagonista era o único que não sabia que tudo era falso, falsas as famílias, falso o trabalho dos artesãos, falsa a amizade e o respeito que todos lhe demonstravam naquele pedaço da terra que parecia o mais feliz, honesto e rico do mundo. Falso e inexistente até que...

Até que Bento XVI se viu envolvido no escândalo do "Corvo", dos crimes do seu mordomo, nos roubos do IOR e na cumplicidade da Cúria. E descobriu que o mundo em que ele acreditava ter vivido escondia um pântano moral. Captou a sua vastidão e o seu enraizamento; mediu a vastidão desse mundo e as suas forças e decidiu que a única coisa que ele devia fazer era denunciar a sua existência e renunciar.

A energia para enfrentar uma guerra tão longa e complexa, o seu corpo não tinha. Esperou e rezou para que o conclave após a sua renúncia escolhesse a pessoa adequada, e assim aconteceu há um ano.

O papa, que hoje conduz a obra de purificação e de transformação que Ratzinger não pôde fazer, tem dentro de si o objetivo do santo de Assis e a metódica de Inácio. A contradição é esta: a purificação do pântano é um propósito que Inácio também tinha bem presente no seu tempo, mas a sua metódica se desenvolvia no pântano, utilizava o pântano para tornar ainda mais necessária a presença da Companhia. Depois de Inácio, a Companhia transformou a metódica de instrumento em objetivo, de modo que uma parte dessa Ordem alimentou o pântano para mergulhar dentro dele.

Agora, ocorre que o jesuíta Bergoglio fez com que a metódica jesuíta passasse novamente de metódica a instrumento. Por isso, ele assumiu o nome de Francisco. Mas essa não é uma posição reformista que os mandarins tolerariam e até mesmo apoiariam. Essa é uma revolução. Um jesuíta que escolhe esse nome é, talvez contra as suas intenções, talvez mesmo sem que esteja plenamente consciente, uma bomba. Isso nunca tinha acontecido na história da Igreja. Ao invés, acontecera que a Igreja, depois dos primeiros séculos, se contaminou, se corrompeu, foi penetrada por aquilo que Dostoiévski chama de "Espírito da terra", isto é, o demônio, a corrupção, a luta pelo poder.

O Papa Francisco sabe disso, e essa é a sua batalha. O Papa Francisco tem muitos dotes: caridade espiritual, curiosidade pelos diversos, extrema sociabilidade e alegria de espírito, simpatia e empatia. É a pessoa adequada para o escopo que se propôs. Mais de 90% dos fiéis estão com ele, mas os obstáculos são inúmeros, e o Espírito da terra, como se queira identificá-lo, é uma muralha de borracha dificilíssima de erradicar.

Os não crentes, do seu lado, também têm um muro de borracha que protege os maus governos, os interesses ilícitos, a vaidade dos poderosos, a demagogia, o simplismo, a inconsciência, a irresponsabilidade, o despotismo e o privilégio.

Francisco é amigo dos não crentes que travam essa batalha, e eles, por sua vez, são seus amigos. Quanto a mim, sinto-me ligada por profunda amizade com o Papa Francisco e estou há muito tempo admirado com a pregação e com a vida de Jesus que eu considero um homem, e não um Deus, mas, certamente, um personagem excepcional como nos relatam os Evangelhos, que são a única fonte da sua existência histórica.

Admitindo-se que tenha existido um personagem desse feitio, a Instituição por ele inspirada dura há dois milênios, e, dentro dela, já se viu de tudo, mas também aqueles princípios de caridade, fraternidade, responsabilidade, sofrimento e alegrias, desejos, amor, fraqueza e força que, juntamente com os seus contrários, convivem dentro dos animais pensantes que somos nós.

Caro Papa Francisco, em lados diferentes, nós combatemos a mesma batalha. Infelizmente, durará enquanto a nossa espécie existir. Os leões e as formigas, os ratos e as gazelas não têm os nossos problemas e as nossas contradições. Eles também suportam o esforço de viver, o medo e a satisfação quando satisfazem as suas necessidades básicas. O nosso esforço é diferente e, talvez, maior do que o deles, e essa é a nobreza das nossas vicissitudes humanas.

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