Não à guerra entre nós

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14 Fevereiro 2014

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo
Mateus 5, 17-37 que corresponde ao Sexto Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

 

 www.periodistadigital.com/religion

Os judeus falavam com orgulho da Lei de Moisés. Segundo a tradição, foi mesmo Deus quem a ofereceu ao Seu povo. Era o melhor que tinham recebido Dele. Nessa Lei apresenta-se a vontade do único Deus verdadeiro. Aí podem encontrar tudo o que necessitam para ser fiéis a Deus.

Também para Jesus a Lei é importante, mas já não ocupa o lugar central. Ele vive e comunica outra experiência: está a chegar o reino de Deus; o Pai procura abrir o caminho entre nós para fazer um mundo mais humano. Não basta ficarmos com cumprir a Lei de Moisés. É necessário abrir-nos ao Pai e colaborar com Ele para fazer uma vida mais justa e fraterna.

Por isso, segundo Jesus, não basta cumprir a lei que ordena “Não matarás”. É necessário, também, arrancar da nossa vida a agressividade, o desprezo pelo outro, os insultos ou as vinganças. Aquele que não mata, cumpre a lei, mas se não se liberta da violência, no seu coração não reina todavia esse Deus que procura construir connosco uma vida mais humana.

Segundo alguns observadores, está-se a estender na sociedade atual uma linguagem que reflete o crescimento da agressividade. Cada vez são mais frequentes os insultos ofensivos proferidos só para humilhar, desprezar e ferir. Palavras nascidas da rejeição, do ressentimento, do ódio ou da vingança.

Por outra lado, as conversações estão frequentemente tecidas de palavras injustas que distribuem condenações e semeiam suspeitas. Palavras ditas sem amor e sem respeito, que envenenam a convivência e fazem mal. Palavras nascidas quase sempre da irritação, da mesquinhez ou da baixeza.

Não é este um facto que se dê só na convivência social. É também um grave problema na Igreja atual. O Papa Francisco sofre ao ver divisões, conflitos e confrontos de “cristãos em guerra contra outros cristãos”. É um estado de coisas tão contrário ao Evangelho que sentiu a necessidade de dirigir-nos uma chamada urgente: “Não à guerra entre nós”.

Assim fala o Papa: “Doí-me comprovar como em algumas comunidades cristãs, e mesmo entre pessoas consagradas, consentimos diversas formas de ódios, calunias, difamações, vinganças, ciúmes, desejos de impor as próprias ideias à custa de qualquer coisa, e até de perseguições que parecem uma implacável caça às bruxas. A quem vamos evangelizar com estes comportamentos?”. O Papa quer trabalhar por uma Igreja em que “todos podem admirar como vos cuidais uns aos outros, como vos dais alento mutuamente e como vos acompanhais”.