''É possível viver com dois senhores.'' Entrevista com Georg Gänswein

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10 Fevereiro 2014

Para Dom Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI e prefeito da Casa Pontifícia, Espírito Santo envia o papa certo no tempo certo, e isso vale para João Paulo II, para Bento XVI e para Francisco.

“Dizem que eu tenho dois senhores. Em certo sentido, isso é verdade, e eu acrescento que também é possível viver com dois senhores. Eu desempenho o meu serviço em plena harmonia com os dois papas, tentando agir como ponte entre os dois papas. Até agora, funciona muito bem, e eu espero que os dois chefes estejam felizes.”

A reportagem é de Philip Pullella, publicada pela agência Reuters, 09-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

É um aniversário especial para a Igreja e também para Bento XVI. Como Bento XVI está vivendo esse momento e como ele está de saúde?

O Papa Bento XVI está em paz consigo mesmo, e eu acho que também está em paz com o Senhor. Ele está bem, mas certamente é uma pessoa que tem os seus anos. Então, é um homem fisicamente idoso, mas o espírito está muito vivo, muito claro.

Bento XVI nem sempre foi tratado com ternura pela mídia e por outros. Por exemplo, diz-se que ele não recebeu o devido crédito pela introdução das normas para enfrentar o escândalo dos abusos sexuais, seja como cardeal, seja como papa. Por essas e outras, ele tem algum ressentimento pelo crédito que não teve?

Não. É claro que, humanamente, várias vezes foi doloroso ver que o que escrevem sobre o trabalho não corresponde concretamente ao que foi feito. Mas a medida do trabalho, a medida da ação não é o que depois os meios de comunicação escrevem, mas sim o que é certo diante do Senhor e diante da consciência.

Mesmo diante da história?

Sim, mesmo diante da história. No entanto, o ponto de referência é a consciência e o Senhor. E, se é certo, aqui a história, no fim, dirá a sua palavra desse modo.

Como o pontificado de Bento XVI será julgado no longo prazo?

Eu tenho certeza ou, melhor, estou convencido de que a história fará um julgamento diferente daquele que muitas vezes líamos nos últimos anos durante o seu pontificado, porque as fontes são claras e dão água limpa.

Pouco antes de renunciar, Bento XVI disse que queria viver "escondido do mundo". Como ele passa os seus dias?

De fato, ele está longe do mundo, mas a seu modo está presente na Igreja. A sua missão agora, como ele disse uma vez, é ajudar a Igreja e o seu sucessor, isto é, o Papa Francisco, com a oração. Essa é a sua primeira e mais importante tarefa. Depois, é claro que o dia tem 24 horas, e ele estuda, lê, escreve cartas, e também há visitas. Fazemos passeios rezando o terço. Diversas vezes ele também toca piano, tudo na medida de um homem de 86 anos de idade.

Ele tem algum remorso?

Não, nunca percebi.

Qual é a relação de Bento XVI com Francisco? Eles se consultam?

Desde o princípio, houve um bom contato entre os dois, e esse bom início se desenvolveu e amadureceu. Eles se escrevem, se telefonam, se ouvem, se convidam. Você sabe que o Papa Francisco foi várias vezes ao Mosteiro Mater Ecclesiae, e o Papa Bento XVI também esteve em Santa Marta. Em diversos níveis, há um bom "feeling".

Qualquer um que fosse eleito no conclave de 2005 teria dificuldade para seguir um pontificado tão longo e cheio de novidades como o de João Paulo II. Você acredita que se pode dizer que Bento XVI não teve sorte a esse respeito?

A sua observação é naturalmente subjetiva. Eu estou convencido de que o Espírito Santo envia o papa certo no tempo certo, e isso vale para João Paulo II, para Bento XVI e para Francisco. Depois do longuíssimo pontificado de João Paulo II, vivido em plena força, ao menos nos primeiros 20 anos, e depois os anos de sofrimento, publicamente visível e perceptível, tornou-se papa uma pessoa que, por 23 anos, viveu ao lado de João Paulo II como nenhum outro cardeal e que, talvez, era o colaborador mais confiável e mais eficaz. Eu não diria que o Papa Bento XVI foi azarado. Depois de 27 anos de pontificado, seria difícil para qualquer um que fosse eleito.

Você é, talvez, o único alto prelado do Vaticano que teve dois chefes e, talvez, o primeiro da história a ter que servir a dois papas ao mesmo tempo. Como é essa experiência para você?

Dizem que eu tenho dois senhores. Em certo sentido, isso é verdade, e eu acrescento que também é possível viver com dois senhores. Eu desempenho o meu serviço em plena harmonia com os dois papas, tentando agir como ponte entre os dois papas. Até agora, funciona muito bem, e eu espero que os dois chefes estejam felizes.

Então, já que a palavra papa deriva de ponte, pode-se dizer que você é uma ponte entre duas pontes?

O que você diz é um jogo de palavras, mas, sim, é exatamente isso.

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