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Mudanças climáticas. Janeiro é marcado por extremos de calor no Brasil

Capitais registraram novos recordes de temperaturas e sofreram também com a falta de água; preço da energia dispara por causa do acionamento de termoelétricas.

A reportagem é de Fabiano Ávila e publicada pelo Instituto CarbonoBrasil, 03-02-2014.

O janeiro de 2014 será lembrado por muitos brasileiros como um dos meses mais quentes de suas vidas. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre estão entre as cidades que estabeleceram novos recordes para o calor.

A capital paulista apresentou no mês passado a média de 31,9°C, a mais alta desde que as medições começaram, em 1943. Já o Rio de Janeiro teve média de 36,2°C, a maior dos últimos 30 anos. Por sua vez, os porto-alegrenses tiveram que enfrentar a média de 33,1°C, a mais quente desde 1916.

Para o Inmet, as causas para as temperaturas elevadas são: um sistema de alta pressão no oceano, que acaba trazendo o vento quente do Norte do país para o Sul, e o bloqueio atmosférico que atua no Uruguai e não deixa as frentes frias chegarem ao Brasil para baixar os termômetros.

De acordo com a agência de meteorologia Somar, o calor deve prosseguir durante a primeira metade de fevereiro em boa parte do país, justamente por causa do bloqueio atmosférico. “Esse sistema é composto por ventos no alto da atmosfera, chamados de Corrente de Jato, que ganharam força e impedem que as frentes frias cheguem ao Brasil”, afirmou Celso Oliveira, meteorologista do Somar.

Água e energia

O que já não é fato raro no verão brasileiro, a falta de água, ficou ainda mais comum diante do cenário climático de janeiro. Boa parte das cidades turísticas do país, como Florianópolis, Fortaleza, Natal e Rio de Janeiro, registraram, e ainda registram, momentos em que a população não tem acesso à água. Algumas partes da capital catarinense permaneceram quase dez dias sem água neste começo de 2014.

Mesmo cidades que não são procuradas por visitantes nesta época do ano, como São Paulo, também enfrentam problemas. Os principais sistemas de abastecimento de água da capital paulista fecharam janeiro com os níveis mais baixos dos últimos dez anos (veja imagem da Sabesp ao lado).

A escassez de chuvas e o excesso de evaporação, causada pelo calor, estão prejudicando ainda a geração de energia, já que a matriz brasileira é extremamente dependente das hidroelétricas.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a situação é mais crítica na região Nordeste, onde o nível dos reservatórios está em 34,88%.  No Sudeste e no Centro-Oeste, os reservatórios estão com 43,34% de sua capacidade. A situação é um pouco melhor no Sul, com 57,56%, e no Norte, 48,6%.

Diante disso, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) fixou na última sexta-feira (31) o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) para seu valor máximo, R$ 822,83/MWh, para todos os submercados, o maior da história.  O recorde anterior era de R$ 684 por MWh, em 2001, quando foi decretado racionamento de energia.

Essa alta no preço se justifica pelo maior acionamento de termoelétricas para evitar o risco de apagão.

Esse custo não deve aparecer na conta dos consumidores comuns, mas afetará quem compra energia no mercado livre, como grandes indústrias, e também o governo, que terá problemas para cumprir Orçamento Geral da União para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em 2014.

Estão destinados R$ 9 bilhões ao CDE, que tem como missão cobrir as despesas com a redução da conta de luz anunciada pela presidente Dilma Rousseff no começo de 2013. Mas com os preços da energia tão elevados, essa quantia pode não ser o suficiente, e o governo deverá ter que remanejar recursos de outras áreas para cobrir o buraco.

“O grande problema é que o novo modelo do setor elétrico deixou de ser sustentável. As tarifas deixaram de cobrir os custos, e as empresas atualmente só conseguem pagar as contas se o governo subsidiar”, afirmou Claudio Sales, do Instituto Acende Brasil, à Agência Brasil.

Mudanças Climáticas

Não se pode atribuir as causas do calor atual – o sistema de alta pressão e o bloqueio atmosférico – ao aquecimento global. Porém, esse cenário de recorde de temperaturas e suas consequências é justamente o que cientistas vêm tentando evitar, alertando para a necessidade de ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

De acordo com o primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), divulgado no final do ano passado, o Brasil poderá ficar até 6°C mais quente até 2100.

Na Amazônia, por exemplo, a temperatura deverá aumentar progressivamente de 1°C a 1,5°C até 2040 – com diminuição de 25% a 30% no volume de chuvas –, entre 3°C e 3,5°C no período de 2041 a 2070 – com redução de 40% a 45% na ocorrência de chuvas –, e entre 5°C a 6°C entre 2071 a 2100.   

Por isso, seria necessário repensar a construção de hidrelétricas na região, já que a vazão dos rios deve cair até 20%.

O Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) também nos alerta há décadas para os problemas que enfrentaremos se nada for feito para frear o aquecimento global, como a maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.

A entidade também salienta que é cada vez mais evidente de que o homem está por trás da elevação das temperaturas.

Na última semana, o IPCC divulgou a versão final de seu mais recente relatório sobre as bases científicas das mudanças climáticas. O documento destaca que é extremamente provável que mais da metade do aumento das temperaturas médias na superfície global entre 1951 a 2010 tenha sido causada pela maior concentração de gases do efeito estufa na atmosfera resultante das atividades humanas.

“A influência humana foi detectada no aquecimento da atmosfera e do oceano, em mudanças no ciclo da água, na redução de neve e gelo, no aumento do nível dos oceanos e em transformações nos extremos climáticos”, conclui o relatório.

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