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Por: André | 31 Janeiro 2014

No dia 30 de janeiro, mas de 2008, morreu o padre mexicano Marcial Maciel Degollado, fundador e líder da poderosa ordem católica Legionários de Cristo.

 
Fonte: http://bit.ly/1fAuDCu  

A reportagem está publicada no sítio Religión Digital, 30-01-2014. A tradução é de André Langer.

O clérigo faleceu aos 87 anos, em meio ao escândalo pelas acusações de pederastia clerical. Ex-legionários de Cristo documentaram os abusos perpetrados por seu líder religioso e acusaram ao Vaticano o encobrimento.

Maciel teve um vínculo sanguíneo com figuras que atualmente encontram-se nos altares católicos. Foi sobrinho de San Rafael Guízar y Valencia, arcebispo de Jalapa, e de Antonio Guízar Valencia, arcebispo de Chihuahua.

Apoiado pela Igreja católica, em 1941, Marcial Maciel fundou os Legionários de Cristo, que tem ao seu encargo centros educativos privados, como a Universidade Anáhuac e o Colégio Oxford. O sacerdote, além disso, criou o Instituto Cumbres, presente em 18 países.

Além disso, acompanhou o hoje beato e próximo santo João Paulo II durante as viagens apostólicas que realizou como pontífice ao país em 1979, 1990 e 1993.

Em 1996 foi acusado por oito ex-membros da Legião de Cristo de ter abusado sexualmente deles quando eram adolescentes na Itália e na Espanha.

Maciel e os membros da sua organização religiosa negaram contundentemente as acusações de pederastia nos meios de comunicação e Tribunais de Justiça.

No dia 30 de novembro de 2004, o então Papa João Paulo II deu sua bênção ao fundador dos Legionários de Cristo na Sala de Audiências Paulo VI, no Vaticano, por ocasião do sexagésimo aniversário de ordenação sacerdotal de Maciel.

Mas em janeiro de 2005, em meio ao escândalo pelos múltiplos testemunhos de vítimas de pederastia, o sacerdote Álvaro Corcuera passou a ser o sucessor de Marcial Maciel nos Legionários de Cristo.

Em 19 de maio de 2006, o Vaticano convidou o influente clérigo para retirar-se a uma “vida de oração e penitência”, pois, devido à sua idade avançada, descartou abrir um processo canônico contra ele.

Em 2006, a Santa Sé negou ao poderoso sacerdote a faculdade de celebrar missas públicas ou conceder conferências, apresentações ou entrevistas aos meios de comunicação.

O religioso nasceu em 10 de março de 1920 em Cotija de la Paz, Michoacán, e morreu há seis anos sem ter sentado no banco dos réus pelos crimes que cometeu.

Em 2011, foi publicado um importante documento, cujo conteúdo revela que o Vaticano sabia desde a década de 1950 da conduta criminosa de Maciel. Em 31 de agosto de 1956, o então arcebispo primaz do México, Miguel Darío Miranda, enviou uma carta ao Vaticano na qual chamava a atenção para as condutas inadequadas do clérigo.

“Em todo este assunto não me move outra coisa senão o desejo sincero de zelar pelo bem espiritual dessa congregação religiosa nascente; mas julgo que é necessária a intervenção imediata da S.C. dos Religiosos, para evitar posteriores males maiores”, advertia Miranda na carta.

A versão do documento está em sintonia com as declarações que recentemente fez Juan Sandoval Íñiguez, arcebispo emérito de Guadalajara, Jalisco, que, durante a apresentação do seu livro Credo, expôs: “Eu creio que o padre Maciel era um psicopata, porque as notícias que eu soube de suas andanças datam desde que eu era estudante em Roma, o que foi lá por 1956, 57 ou 58. Uma pessoa aguentar uma vida dupla ou tripla por 50 anos, por meio século? Não. Aguentas alguns anos, mas por muito tempo, não”.

Em 2009, tornou-se público que Maciel teve uma filha: Norma Hilda Rivas Baños, que estudou na Universidade Anáhuac e, em 2001, casou-se com o espanhol Juan María Piñero de Miguel, ex-noviço dos Legionários de Cristo.

Em março de 2010, a senhora Blanca Estela Lara Gutiérrez revelou que teve uma relação com Maciel. Ambos tiveram três filhos: José Raúl, Omar e Christian, que, supostamente, foi violentado pelo sacerdote católico.

Em entrevista à jornalista Carmen Aristegui, a senhora Lara disse que só ficou sabendo da dupla vida do fundador dos Legionários de Cristo em 1999, quando a revista Contenido publicou informações sobre a atividade criminosa do sacerdote.

Em outubro de 2012, Raúl González Lara, um dos filhos de Maciel e que reclamava uma indenização por parte dos Legionários de Cristo, foi preso por tentativa de extorsão contra a congregação religiosa.

O Poder Judiciário do Estado do México informou que González Lara enfrentaria seu processo em liberdade. Os Legionários indicaram que González exigiu 26 milhões de dólares à congregação em troca de não revelar a existência da família e dos supostos abusos aos menores, enquanto que a defesa assegurou que seu cliente solicitava apenas o pagamento de um suposto fideicomisso que Marcial Maciel, em vida, deixou a ele e à outra suposta filha.

Em 9 de julho de 2010, o cardeal italiano Velasio de Paolis foi nomeado pelo Papa Bento XVI Delegado Pontifício para a Congregação dos Legionários de Cristo, com a finalidade de resolver a crise do movimento iniciado por Maciel.

“O choque provocado pelas ações do fundador foi de um impacto muito grande, capaz de destruir a própria congregação, como, aliás, tantos vaticinavam. Ao contrário, ela não apenas sobrevive, como está quase intacta em sua vitalidade. A grande maioria dos legionários soube ler a história da própria vocação, não tanto em relação ao Fundador, mas em relação ao mistério de Cristo e da Igreja, e renovar sua própria fidelidade a Cristo na Igreja, na Legião”, expressou De Paolis em uma carta com data de 19 de outubro de 2010.

Em 2014, após três anos e meio como diretor dos Legionários de Cristo e já sob o Pontificado de FranciscoVelasio de Paolis anunciou que os membros desta congregação católica reconhecerão publicamente as responsabilidades pelos abusos cometidos no passado.

Em uma entrevista à Rádio Vaticano, o cardeal disse que pedirão perdão publicamente; no entanto, não deu detalhes sobre a forma ou se isto incluirá os abusos sexuais do padre Maciel Degollado e outros legionários.

O delegado papal reconheceu que desde o princípio do seu processo de reforma, os legionários estão divididos em dois grupos: um, que insistia muito na contaminação interna e via tudo de forma negativa, ao passo que o outro grupo negava a realidade, porque via quase tudo de maneira positiva.

“(Estes últimos) caíram na armadilha muito mais perigosa, a do próprio fundador! Percorremos este caminho encontrando os problemas relativos às consequências do comportamento do fundador em relação às vítimas”, disse.

De Paolis também falou de dificuldades financeiras. “Encontramos problemas de ordem econômica, porque os legionários não são tão ricos como se pensa: a situação econômica piorou em nível mundial seja por conta da crise financeira, seja, em nível interno, porque a fama perdida fez diminuir os estudantes em seus colégios e, portanto, os ingressos financeiros”.

E reconheceu o apoio do Papa Francisco, que “esteve muito atento, muito próximo e quer justamente acompanhar o caminho que estamos percorrendo, porque – estas são as suas palavras – sente a responsabilidade, como sucessor de Pedro, de acompanhar a vida religiosa e consagrada”.

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