Refugiados palestinos vivem calvário em meio a entraves na distribuição de alimentos na Síria

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22 Janeiro 2014

Há seis meses o campo de refugiados palestinos de Yarmouk, na periferia sul de Damasco, vem sendo sitiado pelas forças pró-governamentais. Com uma população que vai morrendo de fome aos poucos por falta de abastecimento, o local se tornou um dos símbolos da obsessão erradicadora do regime sírio.

A reportagem é de Laure Stephan, publicada no jornal Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 21-01-2014.

 No sábado (18), pela primeira vez em meses de bloqueio, entrou auxílio alimentar em Yarmouk. No domingo (19), dezenas de residentes em estado crítico foram evacuados. Segundo um político palestino, mais alimentos poderiam ser enviados até o campo, que tem grande parte sendo controlada por grupos insurgentes. Teria o regime decidido relaxar o cerco? Engano.

O calvário de Yarmouk continua. Os palestinos ali são submetidos à fome e a condições de higiene insuportáveis, em meio a montanhas de entulho que mostram a brutalidade dos combates entre rebeldes e o regime, e bombardeios incessantes do exército. A comida distribuída só cobrirá uma parte ínfima das necessidades. E a morte continua rondando: no sábado, dois moradores morreram de esgotamento, segundo Farouq Rifai, militante palestino do conselho revolucionário local, entrevistado por Skype.

De alguns meses para cá se tornou impossível para os 18 mil palestinos cercados em Yarmuk (150 mil viviam ali antes de 2011), bem como os sírios presentes, deixarem o acampamento, que acabou virando uma armadilha. Militantes acusam as forças pró-regime de terem violentado e assassinado moradores do acampamento que tentavam sair de lá.

Como consequência do cerco, "mais de cinquenta pessoas morreram de fome, de desidratação ou de falta de cuidados médicos em Yarmouk" desde agosto de 2013, afirma Farouq Rifai. Para sobreviver, residentes foram condenados a comer grama. "Faz seis meses que não tem mais pão nem grãos. Só encontramos lentilha ou rabanetes, vendidos a preços absurdos", diz Faroqu Rifai.

Imagens terríveis mostrando crianças de corpo esquelético têm circulado pelas redes sociais, sem que seja possível certificar sua autenticidade. "As crianças sofrem de doenças ligadas a uma severa desnutrição, como a anemia, o raquitismo e kwashiorkor", afirma Chris Gunness, porta-voz da UNRWA, a agência da ONU encarregada dos refugiados palestinos no Oriente Médio. A ajuda médica vai escasseando aos poucos. A água é insalubre. E o acampamento, sem energia elétrica há meses, é abastecido somente por geradores.

Considerado uma porta de entrada para Damasco, próximo de bairros como Tadamon, onde os rebeldes têm uma forte presença, Yarmouk é um bloqueio estratégico. A maior parte dos rebeldes buscou permanecer fora de conflito. Mas certas facções dissidentes da OLP (Organização de Libertação da Palestina), abrigadas e financiadas por Damasco, como a FPLP-CG (Frente Popular de Libertação da Palestina-Comando Geral) de Ahmed Jibril, e o Fatah-Intifada, combatem ao lado do exército. E desde o verão de 2012, outros palestinos se juntaram aos insurgentes afiliados ao Exército Sírio Livre (ESL) ou a brigadas mais radicais que assumiram o controle de Yarmouk em dezembro de 2012.

Designado por Mahmoud Abbas (presidente da Autoridade Palestina), Ahmed Majdalani, um membro da direção da OLP, recentemente foi até Damasco. Ali ele acusou os rebeldes de tomarem civis como reféns e de entravar a distribuição de auxílio. Essa declaração revelou mais suas inclinações políticas, pró-regime, do que a situação real no local. Isso porque a estratégia que visa deixar zonas inteiras morrendo de fome para derrotar os insurgentes que ali se encontram é uma arma característica do regime, empregada contra vários subúrbios da capital.

Alguns dias atrás, a UNRWA, que não teve mais acesso ao acampamento desde setembro de 2013, por fim recebeu o aval para encaminhar ajuda alimentar e médica. Mas, no caminho, o comboio foi parar no meio de um tiroteio que o obrigou a dar meia volta. A autorização do regime era muito detalhada: os veículos da UNRWA não podiam atravessar a entrada norte do campo, considerada mais segura, tendo de passar pela entrada situada ao sul. Essa zona, controlada por milicianos xiitas, provenientes do Iraque ou do Líbano, é considerada uma das mais perigosas de Yarmouk. Os civis a abandonaram por causa da violência dos combates.

Com o fracasso dessa missão no dia 13 de janeiro, a ONU passou a aumentar sua pressão sobre Damasco. Para a alta comissária de direitos humanos, a sul-africana Navi Pillay, "impedir que a ajuda humanitária chegue até os civis que precisam desesperadamente dela poderia constituir crime de guerra."

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