Rolês têm a ver com junho?

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17 Janeiro 2014

Tudo indica que a composição social aqui é de jovens pobres da periferia. Em junho, havia uma nítida maioria de garotos e garotas de classe média indo às ruas.

Os rolezinhos de janeiro talvez sejam manifestações sociais diferentes das de junho.

O comentário é de Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP), publicado por Carta Maior, 16-01-2014.

Isso, por dois motivos:

1. Pobres em ação  – O que digo aqui são apenas conjecturas e não estou municiado de nenhuma pesquisa empírica. Mas tudo indica que a composição social aqui é de jovens pobres da periferia. Em junho, havia uma nítida maioria de garotos e garotas de classe média indo às ruas, em especial estudantes. Se isso se confirmar, temos algo bem mais profundo entrando em ebulição.

2. Integração pelo consumo – Em junho, as demandas difusas apontavam para a melhoria dos serviços públicos, em especial transportes, saúde e educação. Agora não há demanda objetiva. E nem contestação clara. Há um desejo de se mostrar, de beijar “umas minas” e de zoar por aí. Há uma demanda por aceitação. Isso quer dizer muita coisa.

Tento explicar.

Os jovens estão indo ao lugar onde pode se realizar a propalada “inclusão social” da Era lulista.

O que se alardeou na última década não foi o fato de a chamada “classe C” estar comprando seu laptop, seu tablet, sua TV de tela plana, seus eletrodomésticos e seu Corsa em prestações a perder de vista? O substrato do pleno emprego e do aumento real dos salários não é, ao fim e ao cabo, poder comprar mais e mais?

A garotada quer isso. Quer mais tênis, quer mais grifes e quer poder mostrar isso. Algo como o funk ostentação. Pode não estar comprando, mas está indo aos templos do consumo para dizer que existem, que estão aí e que querem se divertir.

Se consumo é alardeado como direito de cidadania, onde exercê-lo plenamente?

Em que lugar exercitar meu hedonismo a pleno vapor?

Como Lula falou

A garotada está se comportando como Lula falou, como a marquetagem propagou, como a mídia repetiu e como a publicidade os pautou. Vamos comprar! Vamos consumir.

Que mal há nisso, na sociedade em que tudo é mercadoria?

Não pode. A sociedade da mercadoria não é para todos.

Por isso, o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers, Luís Fernando Veiga, chama a polícia. Lembra que shopping-center não é espaço público coisa nenhuma. Que vai pedir documentos aos suspeitos de sempre e restringir entrada e circulação.

E, num rasgo ditatorial, pressiona e obtém do Facebook a censura das páginas que convocam as zoadas da garotada. Coisa de fazer inveja ao nefando Dr. Armando Falcão, ministro da Censura da ditadura.
Pode ser o tiro pela culatra.

Ao tratar uma questão social profunda como caso de porta de cadeia, o dr. Veiga periga estar atuando como agente provocador. Afinal, em junho passado, o aumento da repressão propagou as movimentações de forma inesperada.

Tudo bem que não seja fácil entender o que está acontecendo.

Mas o pior caminho é achar que não é nada, nada mesmo…

E começar a conversa pela língua do cassetete.

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