16 de janeiro de 1774. Secretário da Companhia de Jesus é o primeiro jesuíta que morre na prisão e é sepultado em segredo

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17 Janeiro 2014

Há 240 anos em Roma, o secretário da Companhia de Jesus, padre Comolli, foi o primeiro jesuíta a morrer em cativeiro no Castelo de Santo Ângelo. Ele foi sepultado em segredo nesta noite (16-01-1774).

Em um capítulo muito triste da História Jesuíta, o Pe. Comolli foi o primeiro de três jesuítas a morrer no Castelo de Santo Ângelo logo no início da Supressão da Companhia de Jesus. O terceiro a morrer também nas masmorras da mesma prisão foi  Pe. Ricci, o então Superior Geral.

Temos hoje uma importante fonte histórica para o período: vice-governador do Castelo de Santo Ângelo, Fillipo Pescatore manteve um diário detalhado durante o período de outubro de 1773 a junho de 1775. O propósito do diário era manter informado um conselho de cardeais e monsenhores sobre as condições dos jesuítas presos e registrar qualquer informação que pudesse ajudar nas investigações sobre os negócios da Companhia que se sucederam à Supressão.

A informação é publicada no sítio Jesuit Restoration 1814, 16-01-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

De acordo com o diário, o corpo do Pe. Comolli foi levado “na quarta hora da noite” para a Chiesa del Gesù onde foi feito um enterro secreto. Há controvérsias sobre qual horário do dia a que este dizer faz referência, podendo ser 9h (quatro horas após o pôr-do-sol em Roma nesta época do ano), ou mesmo 4h da madrugada.

A ele não foi sequer permitido uma missa de réquiem; seu corpo foi levado a céu aberto por 2 km à igreja de Gesù.

O outro jesuíta a morrer no Castelo de Santo Ângelo foi o padre Stefanucci. A este foi dado a dignidade de uma missa fúnebre e de um enterro, embora a história conta que os carmelitas que conduziram os últimos ritos apareceram, posteriormente, na prisão para pedir pelo pagamento.

Triste e bastante conhecida foi a morte do Superior Geral, o Pe. Ricci, a quem foi permitido uma missa de réquiem em San Giovanni dei Fiorentini, a então “Igreja nacional” de Florença. Isso foi visto como honrarias para o florentino Lorenzo Ricci. É interessante notarmos um abrandamento no clima político com os jesuítas na forma como foram conduzidos estes três enterros.

O que é particularmente trágico na morte do Pe. Ricci é que sua libertação já havia sido decidida e negociações avançadas estavam em andamento para permiti-lo voltar para Florença como “convidado” do duque de Florença, o qual manteria um olhar vigilante sobre ele. Antes de seu encarceramento, Ricci estava hospedado no Colégio Inglês onde se dizia que ele tinha muito conforto ouvindo os seminaristas cantar as vésperas.

Aparentemente era muito conforto mesmo, já que ele foi logo transferido para as condições muito mais severas do Castelo de Santo Ângelo. Negociações para permitir-lhe se mudar para o monasteiro dos cartuxos em Roma não foram exitosas e ele morreu prisioneiro nas masmorras da prisão romana. Foi um cativeiro em que ele supostamente falou: “Digo e protesto que a Companhia de Jesus não deu nenhum fundamento que justificasse a sua supressão, nem há qualquer reta razão pela qual eu deveria ser preso”.

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