Repressão em SP faz “rolezinhos” se multiplicarem

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Por: Cesar Sanson | 16 Janeiro 2014

"Assim como o governo federal, eu também não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas concordo com a avaliação da presidente Dilma de que 'esses jovens estão nitidamente tentando ocupar espaços e há um certo grau de contestação na ação nos shoppings'". O comentário é do jornalista Ricardo Kostcho em artigo no seu blog, 15-01-2015.

Eis o artigo.

Não deu outra. Assim como aconteceu com os protestos de junho contra o aumento das passagens de ônibus, a repressão policial do último fim de semana provocou a multiplicação dos "rolezinhos" por vários shoppings em bairros de São Paulo e outros Estados. Até agora, havia o registro de apenas seis em São Paulo, desde o dia 7 de dezembro, mas agora já foram marcados outros 10 "rolezinhos" para as próximas semanas. E já estão sendo programados pelas redes sociais manifestações do gênero em Brasília, no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, em Pernambuco e Santa Catarina.

Resultado: o governo federal, o governo de São Paulo e a Abrasce, a entidade que reúne os 264 shoppings do país, fizeram reuniões de emergência nesta terça-feira para discutir o que fazer diante do movimento que começou com a zoeira de jovens da periferia de São Paulo e agora ameaça se alastrar por todo o país.

A presidente Dilma Rousseff reuniu ministros, entre eles José Eduardo Cardozo (Justiça) e Marta Suplicy (Cultura),  para entender o que está acontecendo e discutir possíveis providências, pois está preocupada com a invasão dos "rolezinhos" por grupos radicais, como os "black blocs", que infernizaram a vida das principais capitais brasileiras com atos de vandalismo que duraram várias semanas no meio do ano.

Em São Paulo, fiel ao estilo do governo Alckmin, que diante de uma liminar da Justiça mandou logo suas tropas para os shoppings, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, já avisou que "a PM vai usar a força, se for necessário", como já aconteceu no último sábado quando policiais munidos de cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, tentaram impedir o "rolezinho" que reuniu 3 mil jovens no shopping Metrô Itaquera.

Organizados pelas redes sociais, estes encontros reunindo centenas de jovens que promovem correrias nos shoppings começaram na zona leste de São Paulo para aproximar os campeões de audiência do Facebook, que chegam a ter mais de 50 mil seguidores, das suas fãs,  que querem conhecê-los pessoalmente e muitas vezes levam presentes para seus ídolos anônimos, como mostra alentada reportagem de Ana Krepp, na Folha desta terça-feira, em que ela mostra como surgiu o fenômeno que agora preocupa as nossas autoridades.

Estes jovens são facilmente identificáveis pela polícia pois usam todos as mesmas roupas e adereços e o mesmo corte de cabelo, e são em sua maioria negros e pobres, apesar das grifes de marca que utilizam. Assim como o governo federal, eu também não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas concordo com a avaliação da presidente Dilma de que "esses jovens estão nitidamente tentando ocupar espaços e há um certo grau de contestação na ação nos shoppings".

Também como aconteceu em junho, parece tudo algo espontâneo, que brota do nada, sem lideranças, mas é certo que o clima de insegurança gerado pelos "rolezinhos" e a revolta dos jovens da periferia, que se sentem discriminados e perseguidos pela polícia, certamente interessam a quem pretende conturbar o ambiente político nestes meses que antecedem a eleição presidencial.

Como informei outro dia aqui no Balaio, protestos de rua já estão marcadas para o dia 25 de janeiro em várias capitais que terão jogos da Copa do Mundo, sem uma bandeira específica e também sem que se conheçam seus líderes.  Sob o lema "Não vai ter Copa", estas manifestações tentarão repetir os protestos de junho, que causaram grandes desgastes aos governantes em todos os níveis. Com a repressão animada de um lado e os "black blocs" à espreita de outro, este verão promete ser mais quente do que já estão marcando os termômetros.

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