Conflitos estão relacionados com demora de resposta aos tenharim, afirma antropólogo

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Por: Cesar Sanson | 14 Janeiro 2014

Para o antropólogo Edmundo Peggion em entrevista ao portal Amazônia Real, 10-01-2014, a cobrança do pedágio é uma forma de chamar atenção às dificuldades enfrentadas atualmente pelo tenharim. Na sua avaliação, os conflitos recentes têm relação com a demora em dar uma resposta às demandas encontradas no relatório elaborado em 2007 sobre o pedágio. Peggion coordenou o relatório de identificação e delimitação da terra indígena Jiahui.

Eis a entrevista.

Na sua avaliação, enquanto o Estado não apresentar uma proposta para os povos afetados pela Transamazônica, o pedágio pode ser considerado o meio ideal (ou justo) dos indígenas terem acesso a medidas de compensação e/ou mitigação?

Eu diria que sim. É uma forma de chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas atualmente pelos tenharim e que se ligam diretamente à abertura da rodovia. É preciso colocar as coisas no campo adequado. Se há descontentamento da população regional é preciso que acionem a justiça e não que partam para ações de violência. No campo jurídico poderá haver uma decisão que finalize com o pedágio e ao mesmo tempo façam a devida compensação. Por outro lado, se o Governo Federal tiver um mínimo de sensibilidade vai agir antes do retorno do pedágio, abrindo um campo de discussões com a população indígena avaliando suas reivindicações.

Um relatório de 2007 foi elaborado a pedido dos tenharim. No entanto, este relatório até hoje nunca recebeu uma resposta do Estado. O que o senhor acha da demora a esta demanda dos indígenas?

Podemos dizer que os conflitos recentes também se relacionam a essa demora. Se uma atitude tivesse sido tomada na época nada disso, talvez, teria acontecido. Desde 2007 os próprios tenharim tomaram a iniciativa de resolver a questão. A cobrança na estrada é um substituto a uma devida compensação e os tenharim têm clareza disso. Se o Governo Federal abrir uma negociação eles provavelmente fecharão o pedágio.

Os indígenas afirmam que os recursos da cobrança na estrada ajudam a melhorar sua vida, dando-lhes, por exemplo, oportunidade de bancar educação, acesso à saúde, alimentação etc. Como o senhor avalia essa justificativa e explicação dos indígenas?

Eu sou testemunha de tais afirmações. Os tenharim são um povo com uma grande autoestima. Eles têm projetos políticos de longo prazo que envolvem o bem estar e a valorização cultural de toda a população. É de longa data que eles apoiam seus jovens em estudos na cidade para depois retornarem para as aldeias. Com o surgimento da compensação isso aumentou consideravelmente.

O senhor acha que, depois de todos esses acontecimentos, o assunto do pedágio e da compensação ambiental entrará enfim na pauta nas instâncias do governo federal?

Acredito que sim. Ao menos é o que se espera.

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