Quem serão os novos cardeais?

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10 Janeiro 2014

Sempre que um bispo morre ou se aproxima dos 75 anos, a idade da aposentadoria, eu acabo recebendo alguns telefonemas de jornalistas locais perguntando quem eu acho que vai ser o sucessor. Imediatamente lhes digo: “meu companheiro, não faço a mínima ideia”. Aqueles que sabem não falam; aqueles que não sabem especulam.

A reportagem é de Thomas Reese, jornalista e jesuíta, e publicada por National Catholic Reporter, 09-01-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O mesmo vale para a previsão de quem será nomeado cardeal, exceto que aqui ficar adivinhando é um pouco mais fácil, já que existem certos cargos no Vaticano que são, geralmente, ocupados por cardeais e existem arquidioceses que, normalmente, são chefiadas por cardeais.

Quem poderá ser criado cardeal no próximo consistório a ser realizado no dia 22 de fevereiro próximo?

Para responder a esta questão, consultei Salvador Miranda, o maior especialista nos EUA a respeito de cardeais e criador de uma valiosa mina digital sobre o Colégio dos Cardeais. Ele não é bobo o suficiente para fazer previsões, mas tem uma lista com o nome daqueles que possuem chances melhores de ser nomeados, lista que está baseada na experiência histórica: os principais postos do Vaticano ou arquidioceses que vêm sendo lideradas por cardeais no passado.

O problema é que a lista contém 23 nomes quando somente há 14 vagas no Colégio cardinalício, que é limitado, pelo direito canônico, a 120 cardeais abaixo dos 80 anos. Mais dois cardeais poderão ser facilmente criados, já que dois cardeais farão 80 anos em março. O Papa Francisco também poderá seguir o exemplo do beato João Paulo II, que elevou o tamanho do Colégio dos Cardeais a 135 em 2001. Quando um cardeal completa 80 anos, ele não mais pode votar para a escolha de um novo papa.

A lista a seguir apresenta as dificuldades encontradas pelo Papa Francisco, caso ele se mantiver com sua seleção de apenas 14 nomes.

Primeiramente, há aqueles com funções no Vaticano.

1. Pietro Parolin, arcebispo titular de Acquapendente, secretário de Estado.
2. Gerhard Ludwig Müller, arcebispo emérito de Ratisbona, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
3. Lorenzo Baldisseri, arcebispo titular de Diocleziana, secretário geral do Sínodo dos Bispos.
4. Beniamino Stella, arcebispo titular de Midila, prefeito da Congregação para o Clero.
5. Jean-Louis Bruguès, arcebispo emérito de Angers, na França, arquivista e bibliotecário da Sagrada Igreja Romana.

Considerando as críticas do Papa Francisco relativas ao carreirismo e à corte papal, nomear um terço dos cardeais da Cúria será uma surpresa. Minha preferência seria a de que nenhum deles fosse feito cardeal, como expliquei em outro artigo publicado anteriormente.

É quase certo que solideus vermelhos irão para o secretário de Estado e para dois prefeitos. Baldisseri era secretário do conclave, e tradicionalmente tal pessoa é promovida a cardeal. Na verdade, Francisco deu o barrete de cardeal a Baldisseri já no conclave após sua eleição. Por outro lado, Sandro Magister relata que Bruguès teve um desentendimento com Bergoglio sobre a nomeação do reitor da Universidade Católica de Buenos Aires, quando Bruguès estava na Congregação para a Educação Católica.

A seguir, temos os arcebispos das sedes onde o cardeal predecessor está ou morto ou com mais de 80 anos.

6. Louis Raphaël I Sako, patriarca caldeu da Babilônia, Iraque.
7. Manuel José Macário do Nascimento Clemente, patriarca de Lisboa, Portugal.
8. Orani João Tempesta, O. Cist., arcebispo de São Sebastião de Rio de Janeiro.
9. Murilo Sebastião Ramos Krieger, S.C.I., arcebispo de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil.
10. Mario Augusto Poli, arcebispo de Buenos Aires, primaz da Argentina.
11. Sviatoslav Schevchuk, principal arcebispo de Kyiv-Halyc, Ucrânia.
12. Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., arcebispo de Santiago do Chile.
13. Cesare Nosiglia, arcebispo de Turin, Itália.
14. Francesco Moraglia, patriarca de Veneza, Itália.
15. Peter Takeo Okada, arcebispo de Tóquio.
16. Braulio Rodríguez Plaza, arcebispo de Toledo, primaz da Espanha.
17 Andrew Yeom Soo Jung, arcebispo de Seoul, Coreia do Sul.
18. Diarmuid Martin, arcebispo de Dublin e primaz da Irlanda.
19. Philippe Ouédraogo, arcebispo de Ouagadougou, Burquina Fasso.
20. Samuel Kleda, arcebispo de Douala, Camarões.
21. Gabriel Mbilingi, C.S.S., arcebispo de Lubango, Angola.
22. Berhane-Yesus Demerew Souraphiel, C.M., arcebispo de Addis Abeba, Etiópia.
23. Óscar Julio Vian Morales, S.D.B., arcebispo de Guatemala.

Observemos que cinco deles são da América Latina. Eu apostaria que o novo arcebispo de Buenos Aires venha a se tornar cardeal. Como mencionei num outro artigo, não ficaria surpreso se mais de cinco solideis vermelhos fossem para a América Latina; afinal, esta é a região que o Papa Francisco mais conhece.

A dificuldade de prever quem se tornará cardeal é demonstrada pelo fato de que Miranda expandiu sua lista para incluir “possíveis porém improváveis” candidatos.

Da América Latina, estão incluídos aqui:

24. Rogelio Cabrera López, arcebispo de Monterrey, México.
25. Nicolás Cotugno Fanizzi, S.D.B., arcebispo de Montevideo, Uruguai.
26. Eustaquio Pastor Cuquejo Verga, C.SS.R., arcebispo de Asunción, Paraguai.
27. Roberto Octavio González Nieves, O.F.M., arcebispo de San Juan de Puerto Rico, Puerto Rico.
28. Leopol José Brenes Solórzano, arcebispo de Managua, Nicarágua.
29. Fausto Justo Trávez Trávez, O.F.M., arcebispo de Quito, Equador.

Outras possibilidades da África incluem:

30. Ibrahim Isaac Sidrak, patriarca Copta de Alexandria, Egito.
31. Dieudonné Nzapalainga, C.S.Sp., arcebispo de Bangui, República Central Africana.

Ásia:

32. Pierre (Phêrô) Nguyễn Van Nhơn, arcebispo de Hanoi, Vietnã.
33. Joseph Coutts, arcebispo de Karachi, Paquistão.
34. Ignace Youssif III Younan, patriarca dos Sírios de Antioquia, Síria.
35. Odon Marie Arsène Razanakolona, arcebispo de Antananarivo, Madagascar.

Europa:

36. Vincent Nichols, arcebispo de Westminster, Inglaterra.
37. Juan José Asenjo Pelegrina, arcebispo de Sevilla, Espanha.
38. André-Mutien Léonard, arcebispo de Mechlen-Brussels, Bélgica
39. Hans-Joseph Becker, arcebispo de Paderborn, Alemanha.
40. Georges Pontier, arcebispo de Marselha, França.
41. Leo W. Cushley, arcebispo de Saint Andrews e Edimburgo, Escócia.
42. Tadeusz Kondrusievicz, arcebispo de Minsk-Mohilev, Bielorrússia.
43. Józef Kowalczyk, arcebispo de Gniezno e primaz da Polônia.
44. Zbigņevs Stankevičs, arcebispo de Riga, Latvia.
45. Sigistas Tamkevičius, S.J., arcebispo de Kaunas, Lituânia.
46. Philip Tartaglia, arcebispo de Glasgow, Escócia.
47. Gintaras Linas Grušas, arcebispo de Vilnius, Lituânia.

Oceania:

48. John Atcherly Dew, arcebispo de Wellington, Nova Zelândia.

E, finalmente, América do Norte:

49. Christian Lépine, arcebispo de Montreal, Canadá.
50. Gérald Cyprien Lacroix, I.S.P.X., arcebispo de Quebec, Canadá.
51. Allan Henry Vigneron, arcebispo de Detroit, EUA.
52. William Edward Lori, arcebispo de Baltimore, EUA.

Observemos que ele sequer lista os arcebispos Charles Chaput, da Filadélfia, e Horacio José Gómez Velasco, de Los Angeles, os quais considera sem chances, já que seus predecessores estão abaixo da idade de 80 anos.
Uma lista muito parecida com esta apresentada foi ponderada pelo papa quando ele fez sua seleção dos novos cardeais. Ele se deparou com muitas escolhas difíceis. Porém, como Miranda reconhece, “com o Papa Francisco, surpresas estão se tornando a norma”, então tudo pode acontecer.

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