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20 Dezembro 2013

Jean-François Kessler nos comunica o seu modo de ver a exortação apostólica do Papa Francisco. Um texto que levantou muitas interrogações sobre o posicionamento político do Santo Padre.

O artigo foi publicado no sítio Chrétiens de Gauche, 18-12-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"Devemos dizer 'não a uma economia da exclusão e da desigualdade social'. Essa economia mata. Não é possível que a morte de um idoso em situação de rua não seja notícia, enquanto o é a queda de dois pontos na Bolsa. Isso é exclusão. Não se pode tolerar mais que se jogue comida fora, quando há pessoas que passam fome. Isso é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. (…) Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum. Instaura-se uma nova tirania invisível (…). (Os) interesses do mercado divinizados (são) transformados em regra absoluta. (…) (Os) mecanismos do sistema econômico reinante (são) sacralizados".

Quem escreveu essas linhas? Jean-Luc Mélenchon [atual líder da Frente de Esquerda da França]? Não! Foi o Papa Francisco, na exortação apostólica Evangelii Gaudium, recém-publicada, na qual ele denuncia o primado do dinheiro sobre o ser humano.

O atual titular da Sé de São Pedro, portanto, seria de extrema esquerda? Absolutamente não, pela boa razão de que ele não é nem de direita nem de esquerda. Ele prega o Evangelho e vive o Evangelho.

O Papa Francisco não fala a língua dos iniciados, ele não é um falastrão, ele não se contenta, como muitos católicos muito frequentemente, com deplorar a situação, mas põe em questão as estruturas da sociedade.

Ele faria política, portanto? Não, no sentido comum do termo. Mas Péguy distinguia a mística política e a política politiqueira. É evidente que o Santo Padre é alheio à política politiqueira, mas ele não pode sê-lo à mística política.

No início do século XX, o presidente do Conselho [Francês], Émile Combes, anticlerical obsessivo, queria que os católicos, eu o cito, "se fechassem nos seus templos". Há um quarto de século, Charles Pasqua [membro do ex-partido de direita Reagrupamento para a República e da atual União por um Movimento Popular] considerou que a Igreja Católica, condenando as armas nucleares, ia além do seu papel. Mais recentemente, o Partido Radical de Esquerda, entregue em uma cantilena para se demarcar do Partido Socialista, repreendeu a Igreja Católica por "fazer política", porque ela lutava contra o projeto de lei sobre o casamento para todos.

Sabemos que um cristão não tem somente uma relação vertical com Deus, mas também uma relação horizontal com os outros. Portanto, ele não pode se desinteressar pela vida da Cidade.

A cada leigo, a tarefa de escolher os seus lugares e formas de engajamento. Além disso, é aos leigos em geral que incumbe a preocupação de encontrar e colocar em ação as soluções práticas para a realização das orientações pontifícias, entendendo-se que "há muitas moradas na casa do Pai".

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