Vincent Nichols, arcebispo de Westminster, critica a nova lei de imigração inglesa

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18 Dezembro 2013

O líder católico mais antigo da Inglaterra e País de Gales chamou a perseguição dos imigrantes, por parte do governo, como “desumana” e alertou que as regras que impedem casamentos conjugais dos cidadãos ingleses de se estabelecerem no país estão causando danos ao desenvolvimento de milhares de crianças.

A reportagem é de Robert Booth e publicada pelo jornal The Guardian, 17-12-2013. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em uma rara intervenção política, Dom Vincent Nichols, arcebispo de Westminster, instigou o governo para mudar a política introduzida há um ano que proíbe cidadãos britânicos de viver com seu cônjuge proveniente de fora da União Europeia, ao menos que este possa comprovar uma renda anual mínima de 18 mil libras, bem acima do salário mínimo, que é quase 13 mil libras.

A medida foi um escândalo, disse Dom Nichols, acrescentando: “Qualquer pessoa verdadeiramente preocupada com a família, considerando-a como alicerce da sociedade, e qualquer pessoa minimamente realista quanto à mobilidade dos ingleses, hoje, irá ver a bobagem que é essa política adotada assim como o quão ela é uma afronta ao status da cidadania inglesa.”

“A intenção do governo com estas novas regulamentações é baixar o número de imigrantes que não sejam da União Europeia”, escreveu o líder religioso no jornal The Guardian, segunda-feira (17-12-2013). “Porém, ao fazer isso, estaria entre os objetivos do governo penalizar os cidadãos ingleses? Será que querem com isso destruir casamentos e dividir famílias?

“Outros cidadãos da União Europeia são livres para vir e morar no Reino Unido com seu cônjuge que não seja deste bloco geopolítico. Ainda assim os cidadãos ingleses não gozam dos mesmos direitos. A sensação de se estar sendo vitimizado pelo próprio governo é algo amargo de se aceitar”.

O ataque de Dom Nichols contra a coalizão das políticas de imigração vem em meio à deliberação da lei de imigração feita pelos membros do parlamento de seu país, lei que está no estágio da Câmara dos Comuns, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira. O religioso falou, após um encontro em sua residência em Westminster, com cidadãos ingleses que tiveram o passaporte afetado pelas novas regras. Estes disseram estar tão traumatizados e “de coração partido” que, às vezes, sentem dificuldade para falar sobre o assunto.
Em todos os casos, os cônjuges que foram impedidos de vir para o Reino Unido não iriam ser beneficiados por algum programa de assistência, informou Dom Nichols, o que sugere, para ele, que era “falso e enganador” o argumento do governo de que a imigração deva ser restringida a fim de salvaguardar o erário público.

Neste ano o grupo parlamentar multipartidário sobre migração, presidido pela liberal-democrata Lady Hamwee, publicou um relatório em que concluía dizendo: “havia um forte argumento para que esta legislação fosse revista”. O caso ficou evidente quando 45 famílias cuja incapacidade para cumprir a exigência de renda as levou a ter seus os filhos separados entre si, incluindo uma criança inglesa.

Jan Brulc, porta-voz da Rede em Defesa dos Direitos dos Migrantes, que apresentou as vítimas desta política ao arcebispo, disse ter ouvido reclamações de mais de 200 famílias afetadas de diversos modos pela nova legislação. A avaliação do impacto por parte do próprio Ministério do Interior inglês indicou que aproximadamente 18 mil famílias poderiam ser afetadas.

“Faz 18 meses desde que as regras mudaram, e está ficando cada vez mais claro que os filhos estão sendo separados de suas famílias, além de isso tudo estar causando uma enorme angústia às famílias que enfrentam a separação permanente”, disse Brulc. “Isso não se enquadra nos valores ingleses”.

A Igreja Católica na Inglaterra e País de Gales se viu em meio à discussão sobre imigração, na medida em que grande parte dos novos imigrantes vem de países católicos da África e América do Sul, assim como das Filipinas. Falando de forma mais geral, Dom Nichols acrescentou: “Há algo profundamente desagradável quanto à desumanidade com a qual imigrantes estão sendo perseguidos”.

A porta-voz do Ministério do Interior inglês disse que as medidas tomadas foram “necessárias para impedir que uma família se tornasse um fardo aos que pagam impostos e para promover a integração”.

“Nossas reformas estão dando certo e a imigração está diminuindo, enquanto construímos um sistema mais justo”, disse. “Recebemos de braços abertos aqueles que desejam viver no Reino Unido com sua família, trabalhar muito e contribuir. Porém, a vida de uma família não deve estar ancorada à custa dos contribuintes”.

A representante da oposição, Yvette Cooper, exigiu uma rápida mudança da política adotada. “Quando as pessoas trazem a família de volta a este país, elas precisam ter certeza de que conseguirão dar apoio um ao outro”, afirmou.

“Porém, o governo foi alertado de que a inflexibilidade deste sistema levaria à desigualdade e à injustiça. Por exemplo, se um cidadão inglês trabalha só meio turno, ou em casa cuidando dos filhos, ele pode não estar entre aqueles que têm o direito de trazer um cônjuge para o país, mesmo se esteja ganhando muito mais do que o limite, podendo dar apoio a toda a família. O verdadeiro problema é que o objetivo desta lei trata todas as migrações como se fossem iguais, e não distingue entre diferentes tipos de imigração nem olha para o impacto que causa.”

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