Inédito. Bispo argentino pede perdão público

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Por: André | 17 Dezembro 2013

Como foi anunciado, em todas as missas celebradas na diocese de San Isidro, no domingo, pediu-se perdão às vítimas de abuso do caso do pároco José Mercau, de Tigre, condenado a oito anos. Também é inédita a vontade de pagar indenizações.

A reportagem está publicada no jornal argentino Página/12, 16-12-2013. A tradução é de André Langer.

Em um fato inédito no país, e assim como haviam anunciado, o bispo Oscar Ojea e o presbitério da diocese de San Isidro pediram perdão público, no domingo, às vítimas dos abusos cometidos pelo sacerdote José Mercau, que se encontra preso por estes crimes. A diocese informou também que irá indenizar quatro jovens vítimas e venderá suas propriedades para assumir essa responsabilidade diante da Justiça.

O mea culpa intitulado “Assumir, pedir perdão e desejo de reparação” foi lido em todas as missas de todos os templos da diocese.

“A comunidade diocesana de San Isidro, e de um modo especial o bispo e seu presbitério, pedem publicamente perdão aos jovens que foram afetados por estas condutas (de abuso sexual) realizadas por um sacerdote da nossa diocese, o padre José Mercau, quando era pároco de São João Batista em Ricardo Rojas (Partido de Tigre)”, disseram.

Assim mesmo ratificaram sua “decisão de curar feridas e construir um futuro”, e manifestaram seu desejo de que este gesto “signifique também uma renovação em toda a comunidade do compromisso de promover uma cultura do cuidado das crianças e adolescentes”.

A diocese de San Isidro também citou no texto palavras do Papa Francisco ao pedir: “Cuidemo-nos uns aos outros. Cuidem-se entre vocês, não se prejudiquem. Cuidem da vida, cuidem da família, cuidem da natureza, cuidem das crianças, cuidem dos idosos”.

A decisão de Ojea de pedir perdão e reparar financeiramente as vítimas representa uma importante mudança na conduta mantida até agora pela hierarquia católica argentina diante de casos similares, incluindo o do padre Julio César Grassi, com relação a quem a diocese de Morón ainda não tomou nenhuma decisão disciplinar, apesar da condenação de abuso sexual que pesa sobre ele.

Mercau coordenava o Lar San Juan Diego, em El Talar de Pacheco, Tigre, que recebe crianças de baixa renda com problemas familiares, vítimas de maus-tratos ou abandono. Mas, em 2005, cinco menores denunciaram que foram abusados por ele. Os adolescentes tinham na época entre 11 e 14 anos e, segundo relataram, o padre primeiro os seduzia e depois os obrigava a manter relações sexuais com ele. Mercau declarou-se culpado e foi condenado pelos crimes de “corrupção de menores reiterada, em concurso real com abuso sexual mediante acesso carnal agravado”.

“As sequelas que o abuso sexual deixa no futuro das crianças e dos jovens não podem ser medidas”, garantiram as autoridades eclesiásticas de San Isidro no comunicado lido em todos os templos, e acrescentaram que “sua vida vincular e afetiva fica prejudicada no mais profundo pela violação da sua intimidade”.

“A conduta de quem abusa também fere todo o corpo de Cristo e quebra a confiança na comunidade. Este mal causado nos faz experimentar uma viva dor como membros da Igreja”, reconheceram.

Destacaram neste sentido que “estes atos estão abertamente em contradição com a palavra de Deus e com a tarefa evangelizadora que diariamente comunidades e pastores realizam”.

Por último, Ojea e seus sacerdotes pediram a Deus para que esses gestos “estimulem a continuar anunciando com transparência e fidelidade a alegria do Evangelho e iluminem cada rincão da diocese para poder levar a boa notícia em particular aos nossos irmãos mais pobres”.

A advogada dos jovens abusados, Mariana Zárate, que também trabalha na diocese, contou que o padre “tinha o mesmo procedimento em relação a todos os adolescentes. Procurava ganhar sua confiança, seduzi-los mediante diferentes manobras e em troca de bens materiais que os adolescentes necessitavam, uma vez que sofrem de extrema vulnerabilidade social”.

Desta maneira, o sacerdote “em dois casos chegou ao acesso sexual”, disse a advogada, que confirmou que “lhes dava tênis em troca de favores sexuais, o que é lamentável, já que se trata de pessoas que necessitam de ajuda”.

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