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06 Dezembro 2013

Trento, cidade do Concílio. Algo mais do que um slogan turístico para uma terra onde até as pedras contam a história, principalmente daquele período, o século XVI, quando o então príncipe-bispo Bernardo Clesio, estando redesenhada a cidade do ponto de vista arquitetônico e urbanístico, tinha trabalhado tanto para dar origem àquele Concílio do qual não viu nem o início, por causa da sua morte prematura em 1539.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Vatican Insider, 02-12-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Trento, "local cômodo e livre, e oportuno a todas as Nações", como definira o Papa Paulo III na Bula de Convocação. Trento, ainda hoje cidade-ponte entre cultura germânica e latina, que, em 1964, recebera de Paulo VI o mandato, justamente em virtude da sua história, de ser promotora de um novo diálogo ecumênico.

E ainda Trento, que nos últimos anos viu ser levado novamente ao antigo esplendor grande parte dos seus palácios e ruas quinhentistas, foi testemunha, no último fim de semana, das celebrações do 450º aniversário do encerramento do histórico acontecimento (os 400 anos foram celebrados por uma delegação no Vaticano, às vésperas da promulgação da 1ª Constituição (sobre a Liturgia) do Vaticano II, no dia 3 de dezembro de 1963).

Um trentino, em qualquer lugar do mundo em que se encontre, quando cruza o limiar de uma igreja católica, sabe que a sua terra é lembrada principalmente pelo Concílio, um evento que pertence à Igreja universal. O próprio Papa Francisco quis estar espiritualmente presente, enviando um delegado seu, o cardeal alemão Walter Brandmüller, 84 anos, decano da Igreja de São Juliano dos Flamengos, ex-professor de História da Igreja da Universidade de Augsburg.

Um evento de comunidade, como foi definido na vigília: uma mistura entre comunidade eclesial e civil. Foi sóbrio o calendário de eventos: um congresso histórico-científico sobre o tema eclesiológico (muito atual hoje, no clima de "reforma" da Igreja e do seu governo), um encontro com as autoridades civis e cultural no Castelo del Buonconsiglio, ex-residência dos príncipes-bispos, uma visita de Brandmüller aos presos e a celebração solene, juntamente com os bispos de Trento, Bressan, e de Bolzano-Bressanone, Muser, na Catedral de San Vigilio (que este ano celebrou os 800 anos da construção da atual basílica) aos pés daquele histórico Crucifixo que foi testemunha da cúpula conciliar.

Brandmüller, que no Buonconsiglio tinha confessado toda a sua emoção ("depois de ter passado mais de 40 anos investigando os Concílios, estar aqui em Trento para celebrar os 450 anos do Concílio de vocês"), quis destacar principalmente o quanto daquele Concílio ainda pode ser implementado e lembrado (basta pensar na instituição dos seminários para a formação dos padres).

"Sob a inspiração do Espírito e sob sua súplica, os Padres conciliares se preocuparam sumamente não apenas em conservar o sagrado depósito da doutrina cristã, mas também que ele ficasse mais claro ao homem, de modo que a obra salvífica do Senhor se difundisse por todo o mundo", escrevera o Papa Francisco na carta de nomeação. "Ouvindo o mesmo Espírito, a Igreja também hoje medita e integra a grande doutrina do Tridentino".

A Igreja, "único sujeito do povo de Deus peregrino sobre a terra", reconhece ainda hoje a extraordinária vitalidade que derivou nos anos seguintes, especialmente em termos de evangelização e de espírito missionário na Ásia, nas Américas, nas ciências e na arte, lembrava Brandmüller.

Do Tridentino, devemos lembrar aquela "resposta de fé que rejeitava o obscuro pessimismo da época, quando o homem moderno já tinha se tornado um enigma para si mesmo". Foi a fé que guiou aquele pequeno grupo de bispos que, em 1545, davam início aos trabalhos (ninguém da Alemanha), primeiro paralisado pelos acontecimentos que pareciam prestes a abalá-los e, depois, dóceis na escuta da Palavra.

"Com o mesmo espírito de fé e cheios de gratidão – concluía Brandmüller –, abramo-nos à esperança de que o Vaticano II também possa finalmente trazer os seus frutos de plenitude". Não por último, redescobrir o conceito de Igreja como ele emerge da Lumen gentium, para superar a "deplorável mundanização da Igreja e fazê-la voltar a como o seu Senhor a quis".

Um tema, o da Igreja (não resolvido até o Vaticano II), sempre lembrado por outro historiador, o monsenhor trentino Iginio Rogger, hoje com 94 anos (diretor do Museu Diocesano e, por mais de 40 anos, professor de História da Igreja e Liturgia), que ainda hoje é um dos maiores estudiosos do Trentino.

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